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ModaLisboa: Nuno Gama transformou a passerelle numa galeria de arte

O criador abriu o último dia do evento. Em vez do desfile tradicional houve uma exposição de esculturas vivas.
O desfile contou com 74 manequins.

Quando na sexta-feira, 8 de março, falámos com Nuno Gama para nos contar vários pormenores do desfile deste domingo, 10, na ModaLisboa, o criador confessou que a sala iria estar cheia. “Já nem consigo dar mais convites”, disse.

Nada de anormal. Afinal, o criador português é um dos nomes mais esperados em todas as edições do evento. Não só pela coleção, mas também porque não se limita a um simples desfile. Faz um espetáculo.

Eram 14h45 quando as portas da arena se abriram. O espaço estava a meia luz e ouvia-se o som do piano bem alto. Era Hélder Bruno, o compositor e pianista que veio apresentar o novo álbum, “Sob um Manto de Água”. Por momentos, pensámos que nos tínhamos atrasado. Susto desfeito, percebemos pouco depois que não havia ninguém nas bancadas.

“É para circular pela direita, por favor”, encaminhou-nos o staff. Aí, foi mais fácil perceber ao que vínhamos. Tal como na edição de outubro de 2018, Nuno Gama tinha trocado o tradicional desfile por uma espécie de exposição de esculturas vivas.

Em vez de serem os manequins a andar, éramos nós que circulávamos entre eles. Ao todo, pelos 400 metros quadrados do espaço, estavam 74 modelos masculinos. Todos eles vestiam peças da “Mutantes”, a coleção de outono/inverno, cuja inspiração Nuno Gama foi buscar a um homem que viu a passar a estrada no Chiado, em Lisboa.

“Não sei precisar a idade dele, mas não era muito novo. Tinha um casaco gigante, percebia-se perfeitamente que lhe tinha sido dado. E os olhos, os olhos eram tristes”, conta à NiT.

Este foi o ponto de partida para uma linha que também vai buscar referências aos anos 30. Nas estações mais frias, o criador quer os homens com casacos mochila (estilo oversized), fatos clássicos com um toque moderno e blusões de cabedal. Para acompanhar, Nuno Gama sugere as boinas, acompanhadas de golas altas.

Para quem gosta de looks mais glamourosos, o criador sugere um blazer cheio de glitter que, “na exposição” estava vestido por Isaac Alfaiate.

Como começou a carreira de Nuno Gama?

Nuno Gama nasceu a 22 de abril de 1966 e viveu até à adolescência em Azeitão. Nessa altura, mudou-se para o Porto com o objetivo de fazer o curso de moda no Centro de Formação Profissional da Indústria Têxtil, mais conhecido por CITEX. Concluiu os estudos em 1991, data em que criou a própria marca: Nuno Gama Têxtil.

Ainda nesse ano, o criador apresentou a sua primeira coleção na ModaLisboa. Dois anos mais tarde, em 1993, ganhou o concurso para a criação das fardas dos funcionários dos museus portugueses — prémio que lhe deu algum nome. Seguiram-se as presenças em mais eventos nacionais (inclusive o Portugal Fashion) e em feiras pelo mundo, como a Nouvel Espace, em Paris, ou Gaudí, em Barcelona. 

Em 1996, abriu em Lisboa a primeira de nove lojas. Hoje, vende para todo o mundo: Estados Unidos, Japão, China e Angola, por exemplo. No mesmo ano ganhou um Globo de Ouro, na categoria de Personalidade do Ano, e a 9 de junho de 2015 foi reconhecido como Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

Em 2016, completou 50 anos e assinalou a data com a 50.ª coleção. A NiT aproveitou a celebração para entrevistar o sobrinho do escritor Sebastião da Gama, que até nos confidenciou que, se não fosse estilista, teria sido cozinheiro.

Recorde a entrevista e carregue na imagem para ver o desfile de Nuno Gama.

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