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Modelo que quer tornar “gordo” num adjetivo positivo fotografou para a Marc Jacobs

Isold Halldorudottir é islandesa e considera-se uma ativista do positivismo do corpo. Conheça a sua história.
A campanha.

Isold Halldorudottir tem 23 anos, é islandesa e modelo plus size. Apesar de o seu peso não ser divulgado, encontra-se no espectro da obesidade, o qual pretende que passe a ser mais representado e menos estigmatizado.

Considera-se ativista do positivismo do corpo e foi a mais recente cara da campanha Perfect da Marc Jacobs. Atualmente, é uma pessoa muito confiante, mas nem sempre foi assim.

Em criança, sempre teve excesso de peso e sempre se sentiu uma outsider, até ao ponto de desenvolver um distúrbio alimentar, na tentativa desesperada de pertencer à categoria do que era considerado ‘normal’. “Ser magra era ser normal, enquanto cresci na Islândia. Mais do que isso e eras uma outsider, uma freak, o que tornou difícil a minha ligação com outras pessoas. Ainda hoje em dia sinto que algumas pessoas olham para mim e me julgam”, contou a modelo à “Vogue” indiana, no dia 25 de julho.

A infância e a adolescência foram passadas entre dietas, programas de fitness, e distúrbios alimentares. Halldorudottir ainda tem sentimentos de culpa em relação à comida, e pondera sempre se tem fome ou apenas gula, antes de comer.

Em, 2016, uma competição em que o prémio era ser fotografada por Kendall Jenner, para a revista “Love”, mudou a sua vida. Ganhou este concurso que procurava novos talentos e voou para Los Angeles para ser fotografada. A partir daí, a sua confiança não parou de aumentar.

Sempre que publica uma fotografia sua no Instagram, utiliza a hashtag que criou, #fatgirloncam, como forma de tentar que a palavra fat, gordo em português, deixe de ter uma conotação negativa. No dia 19 de julho, tornou-se a cara da campanha de perfumes Marc Jacobs Perfect.

“Durante tanto tempo as pessoas com mais peso foram negligenciadas pelos media. Fomos postos de parte, excluídos da conversa. A única forma de mudar isto é exigir um lugar na mesa, não só um, mas muitos. Eu não quero ficar em segundo plano, não quero ser a minha própria marca plus size, ou a minha própria loja escondida num canto. Eu mereço estar na mesma sala que todos.”

A modelo, que também é cineasta, acredita que o adjetivo “gorda” não passa disso mesmo, e não a define enquanto pessoa. Para si, participar na nova campanha de Marc Jacobs “significa mudança”. “Algures no mundo alguém pode estar a pensar ‘podia ser eu’. Nunca tive esse momento quando era mais nova porque nunca me vi representada.”

Outra das marcas da modelo é o facto de aparecer de cabelo rapado. “Rapei primeiro o cabelo em 2014, na altura tinha o cabelo totalmente destruído pelas tintas de coloração e lixívia que usei. Quis começar de novo”, referiu à “i-D”, sobre o look que ainda hoje mantém.

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