Moda

“Na cabeça, as pessoas são sempre mais magras.” Como é vestir as caras do “Big Brother”?

Bé da Costa Serra tratou do guarda-roupa de Bruna Gomes, La Vie de Marie e Nuno Homem de Sá, entre outros. A NiT falou com ela.

No dia 11 de setembro, a casa do “Big Brother” recebeu um novo lote de concorrentes com histórias diversas e, sobretudo, com estilos muito díspares. Desde a entrada, na gala de estreia, todos os participantes procuraram vestir-se a rigor para que os portugueses os possam conhecer — ou redescobrir, no caso dos famosos — no seu melhor. Bé da Costa Serra tem sido uma das especialistas responsáveis pelo guarda-roupa de vários nomes conhecidos e explica à NiT como tudo se processa.

Nuno Homem de Sá, eliminado na primeira semana do programa, e Frederica Lima são os dois nomes com os quais a personal shopper colaborou para o programa atual. No entanto, já passaram pelas mãos da criativa uma lista bem comprida. Tudo começou com Noélia, uma das finalistas da quinta edição do reality show da TVI, exibida em 2020.

“Tenho uma amiga que é consultora de moda, a Paula Patuxa, que precisava de um vestido de gala para a Noélia”, explica Bé, sobre a oportunidade de entrar neste negócio. Trabalhou com fornecedores nacionais para encontrar a proposta ideal: “Quis optar sempre pelo que é português e fizemos um maravilhoso trabalho juntas. Continuei a vesti-la dentro da casa e, ainda hoje continuamos a colaborar juntas”.

Numa fase inicial, recorria maioritariamente a pessoas e marcas de Madrid, Paris e Milão para encontrar peças. Mais recentemente, tem vindo a desenhar as próprias roupas para as coleções mais recentes e, inclusive, para as oportunidades profissionais que continuam a surgir em televisão.

Quer dar a conhecer a sua etiqueta homónima, mas afirma que “o desafio de vestir os candidatos” e o gosto de fazer o que ama foram as principais motivações para aceitar. “Antes de ter a marca, já era personal shopper e continuo a ser”, acrescenta. Ainda assim, privilegia sempre o seu próprio negócio de roupa, atualmente o que mais veste os participantes do “Big Brother” em Portugal.

O vestido que Bé escolheu para Noélia.

Antes, durante e (muito) depois

Na maior parte dos casos, o processo é feito antes da entrada do cliente no programa. É necessário estudar de forma cirúrgica cada candidato e perceber aquilo que mais gostam, não só em termos de cores, mas também os comprimentos e a história que cada opção pretende contar. Não se trata apenas de moda, mas de um bilhete de identidade para a audiência do concurso.

“Quando é assim reunimos, e trabalhamos e escolhemos em conjunto”, diz. Se os concorrentes já têm ideias fixas, e não existe possibilidade de conversar sobre os looks, opta por outros meios. Analisa o candidato “pelas redes sociais, pelo percurso profissional, pelas fotos e pela estrutura física” e vai enviando várias propostas. Ao ver o que cada um escolhe usar, “é uma sensação de missão cumprida”.

Ao vestir Frederica Lima, por exemplo, teve atenção à “excelente forma física” da namorada de Nuno Homem de Sá. Foi através do ator que se conheceram, sendo que muitas destas parcerias nascem de contactos em comum. Com base no seu “estilo muito prático e elegante”, acrescentou a figura pública à lista que inclui Ana Barbosa, Catarina Siqueira, Bruna Gomes, La Vie de Marie e Daniel Kenedy, para mencionar alguns. É um trabalho que desenvolve de forma independente da produção do reality show.

Não se trata de uma parceria tão linear quanto enviar um vestido ou umas calças. Da cor de pele ao cabelo, todo os detalhes são pensados ao pormenor, um serviço que se assemelha em grande parte ao desenvolvimento da imagem pessoal. O tamanho de anca a barriga, é preciso perceber como é que a pessoa é estruturada.

O que muitas vezes acontece, revela Bé, é que uma cliente quer usar uma peça que não a favorece. “Tento explicar que não vai ficar tão bem como poderia. Na cabeça delas, as pessoas são sempre mais magras do que são na realidade. E temos de nos vestir de acordo com o nosso corpo”.

Apesar disso veste as pessoas de acordo com os pedidos e tem a liberdade de propor o que sugiro. Se a cliente quer o artigo, mesmo com o aconselhamento, a escolha final é dela. Os clientes confiam em mim e eu confio neles. Fazemos um bom trabalho, em conjunto”, diz. E, apesar de ter colaborado com personalidades tão excêntricas como, confessa que nunca recebeu pedidos muito estranhos — embora esteja disposta a ouvi-los, já que adora moda.

Quando se cria uma relação simbiótica, a dupla continua a falar a mesma linguagem visual fora da casa mais vigiada do País. Sucedem-se outras aparições em televisão ou eventos, por exemplo. No caso da sua primeira cobaia, Noélia, Paula Patuxa também desenvolveu esta relação e vestiu-a durante três meses no programa da manhã “Você na TV”.

O percurso de Bé da Costa Serra

“Sempre tive o sonho de ser stylist e lembro em crianças estar a fazer vestidinhos para as bonecas”, conta a profissional, que nasceu e cresceu em França, onde teve os primeiros contactos com o mundo das artes, da imagem pessoal e da televisão. Nesta fase, teve contacto com artistas de renome como Amália Rodrigues ou Marco Paulo.

Quanto tinha 20 anos, há mais de duas décadas, mudou-se de Paris para a vila de Alvito, no distrito de Beja. Instalou-se no coração do Alentejo com a intenção de seguir o seu percurso profissional em Portugal.  Tem dupla nacionalidade, já que a mãe portuguesa foi estudar para Paris com 15 anos, onde conheceu o pai de Bé.

O rosto por trás do guarda-roupa de muitos concorrentes.

Na altura, deixou para trás o seu cargo como professora de língua francesa, e abriu a empresa Carpe Diem. Tem sede no centro histórico de Évora e surgiu como um centro de inovação para trabalhos ligados ao meio da moda e da televisão. Durante uma década, dinamizou vários eventos em diversas localidades alentejanas, de forma a valorizar e desenvolver o comércio e a economia locais.

Passadas todas estas experiências, em 2012, decidiu criar e registar a sua marca própria. Ficou designada como “Bé Serra” e foi uma forma de dar a conhecer o seu trabalho a mais gente. Graças a todos os contactos que já tinha na área, o processo de se lançar no mercado não foi tão complicado como esperava. Rapidamente, contou com provedores nacionais e internacionais.

Pode conhecer um pouco mais do trabalho de Bé da Costa Serra no seu Instagram, sendo que a marca não tem um site. Todos os pedidos e contactos são feitos através das redes sociais. Carregue na galeria para ver algumas das pessoas que a personal shopper vestiu.

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