Moda

Não há Miss como a da Alemanha: tem 33 anos, dois filhos e uma coroa

Anja Kallenbach venceu o concurso que tinha como lema “empoderar mulheres autênticas”.
As Miss já não são o que eram — e ainda bem

As memórias dos velhos concursos de Miss estão bem presentes na memória de todos. Uma dezena de mulheres, quase idênticas, são exibidas em trajes menores num palco. O desejo: “a paz no mundo”. Desta vez, o concurso Miss Alemanha decidiu acabar de vez com a objetificação das mulheres e esta suposta falsidade.

Num evento que pretendia “empoderar mulheres autênticas”, realizado no domingo, 28 de fevereiro, a vencedora demonstrou estar muito longe daquilo a que estávamos habituados. Da região da Turíngia veio Anja Kallenbach, que bateu toda a concorrência.

Aos 33 anos, a mãe de dois filhos deu o exemplo e liderou o grupo de mulheres que tentam revolucionar a imagem deste tipo de competições. “Sou a Anja, a Miss Turíngia, empreendedora mãe de duas crianças e gosto de andar de bicicleta de montanha. E quero encorajar toda a gente a viver os seus sonhos”, declarou.

Abandonou os estudos antes dos 17 anos, mas voltaria aos livros para se licenciar em gestão. Hoje em dia gere dois negócios ligados às bicicletas. Acabou por se ligar ao mundo da moda aos 27 anos, sendo que nessa altura já era mãe.

É o novo mundo das Miss

As ambições da alemã na competição não são desmedidas. Quer apenas “encorajar mulheres a fazerem o que lhes apetece, independentemente da idade, do aspeto físico ou do que os outros digam”.

Kallenbach serve também de exemplo para um modelo de concurso que tem vivido dificuldades nos últimos anos. A objetificação pela qual ficaram famosos fizeram destas competições uma espécie em extinção. Os que resistem, lutam para ter algum tipo de audiência.

Foi também por isso que, na Alemanha, o concurso de Miss foi reinventado em 2020, numa tentativa de se afastar da imagem bafienta de décadas passadas. Uma das fórmulas passou por atirar para segundo plano o aspeto físico das candidatas, que agora têm de demonstrar outras aptidões.

Entre as 15 candidatas do concurso deste ano estava uma vítima de abuso sexual, uma ileostomizada ou uma ativista contra a gordofobia. E, claro, os biquínis ficaram nas gavetas.

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