Moda

“Não são os vestidos que mais gosto de fazer, mas esta noiva é muito especial”

Luzia do Nascimento trabalha para a família Bragança há mais de duas décadas. Soube que ia vestir Maria Francisca em dezembro.
A costureira veste a família em todos os casamentos.

Com um bustier justo e uma saia ampla armada, o vestido escolhido por Isabel de Herédia para casar com Dom Duarte Pio de Bragança, pautava pela modéstia. Agora, volvidos 28 anos sobre o enlace, o modelo com bordados de Nisa, inspirados nas suas raízes alentejanas, voltou a dar que falar.

Maria Francisca, filha dos Duques de Bragança, está prestes a subir ao altar e o mistério em torno do vestido tem dado azo a várias teorias. Uma delas aponta para uma criação inspirada no modelo da mãe, uma vez que a infanta também irá usar o diadema de D. Amélia — e não se irá afastar do protocolo nupcial típico da monarquia.

A tradição continua viva, como tem sido visível nos casamentos reais um pouco por toda a Europa. Sabe-se que os modelos não podem ser curtos, ter demasiadas transparências nem aberturas ousadas. E deve ser sempre brancos, claro. Outra constante é que muitas noivas transportam as suas origens para a peça.

Além da duquesa de Bragança, vimos Letizia a usar um modelo estruturado de inspiração sevilhana, por exemplo. Já Lady Di optou por criadores britânicos para um desenho que apontava para a década de 80, enquanto Kate surgiu com uma criação intemporal de McQueen.

É já no próximo dia 7 de outubro, sexta-feira, que Portugal vai ficar a conhecer o modelo escolhido pela infanta Maria Francisca, de 26 anos, com o advogado Duarte de Sousa Araújo Martins. A Basílica do Palácio Real de Mafra vai acolher o primeiro enlace da família real portuguesa em mais de 25 anos— e será, certamente, um dos maiores do ano no País.

Do farto menu português ao bolo de 150 quilos, ambos pensados pelo chef Hélio Loureiro, os detalhes estão a ser revelados aos poucos. Já são conhecidos vários pormenores sobre o visual da noiva. Sabe-se que vai subir ao altar com uma tiara da rainha D. Amélia, brincos da mãe e da avó e uma pulseira real emprestada, contou ao “Observador”.

Um dos elementos principais da cerimónia, o vestido, também já está pronto. Na verdade, a infanta vai usar dois modelos, um para a cerimónia e outro para a festa, em Sintra, ambos assinados pela estilista Luzia do Nascimento. Discreta, a profissional mantém uma relação próxima com a família, e Francisca deposita nela total confiança.

Curiosamente, a escolha da “costureira de alta-costura ótima”, revelou a noiva à “Caras” em junho, foi feita pelo pai. “Sinto-me muito bem entregue”.

Ainda ninguém sabia do noivado quando Luzia aceitou criar o vestido da cerimónia. “Conheço bem o estilo dela, sei o que gosta de usar, então a minha cabeça começou logo a trabalhar”, começa por contar à NiT, sublinhando que teve total liberdade criativa para seguir o seu instinto.

A costureira trabalhou na peça com a sobrinha, Catarina, no atleier que possuiu no Chiado, em Lisboa. Se formos precisos, fica na Rua Ferragial. Demorou cerca de um mês e meio a criar “este vestido muito especial”. “Comecei e acabei sem períodos de intervalo”, reforça.

Luzia aceitou a responsabilidade, pelo carinho que tem à Casa Real. “Não são os vestidos que mais gosto de fazer, mas esta noiva é muito especial”, confessa. Um dos motivos que levam a criadora a recusar este tipo de pedidos prende-se com o próprio desenrolar do processo. “As noivas começam a pensar no desenho com um ano de antecedência, mas só tomam decisões em cima da hora — e depois querem o vestido em casa uma semana antes do casamento.” Uma verdadeira montanha-russa de emoções, que a metódica Luzia prefere evitar.

Sobre o modelo em pano cru com que vai subir ao altar, sabe-se que “segue uma linha muito simples”, com uma silhueta princesa, cauda e poucos ou nenhuns bordados, revelou Isabel Herédia ao “Observador”. Já o segundo é “mais leve, não tem cauda” e “dá para dançar”, um dos poucos requisitos que apresentou à responsável.

Começou a carreira há mais de 50 anos.

Luzia trabalha com a família real desde que a mãe da infanta, Isabel de Bragança, se tornou duquesa, em 1995. Desde então, o seu atelier veste a esposa de Dom Duarte e a filha “em ocasiões especiais, como todos os casamentos no estrangeiro”, revela à NiT.

Tudo começou com uma recomendação: o seu trabalho foi elogiado por um funcionário da Casa Real. Volvidas mais de duas décadas, tornou-se uma aliada da mãe e depois da filha, que veem nela um nome de confiança no que à moda diz respeito.

Antes de se dedicar à alta-costura, Luzia começou por trabalhar na criação de vestuário pronto-a-vestir, há cerca de 50 anos. Nunca trabalhou por conta de outrem, optou por fundar o próprio atelier e depressa conquistou clientes regulares.

Com o passar do tempo, e com a entrada de cada vez mais marcas naquele segmento, passou a dedicar-se apenas às criações para momentos especiais. A mudança também foi influenciada pelo facto de ter começado a trabalhar com mais frequência com a Casa Real portuguesa.

Aproveite e carregue na galeria para ver alguns dos vestidos de noiva mais marcantes de 2023 (até ao momento).

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