Após vários meses de planeamento, Naomi Osaka voltou a esbater as fronteiras entre o mundo do ténis e da moda. Quando a japonesa percorreu a passadeira de acesso à Rod Laver Arena, em Melbourne, para a primeira partida do Open da Austrália, surgiu com um vestido escultural que só estamos habituados a ver em passarelas ou passadeiras vermelhas.
A criação em questão, colocada por cima do conjunto desportivo que usou no court, onde viria a vencer a croata Antonia Ruzic, destacava-se pela longa túnica estilo tie-dye, em tons de azul, com tecidos fluidos pendurados como se de tentáculos se tratasse. Não foi coincidência: era inspirado em alforrecas.
Esta era apenas uma parte de um look monumental. Era composto ainda por uma minissaia plissada, colocada sobre calças de pernas largas com pregas, ambas em tons de branco, também criadas pelo designer Robert Wun, natural de Hong Kong, conhecido pelo ADN dramático e escultural.
O artista foi ainda mais longe ao criar o chapéu branco de aba larga que Osaka levava na cabeça. Para complementar o look, apareceu no evento com um chapéu de sol com um véu branco.
“Não estou a entrar apenas como atleta, mas como uma pessoa completa, com uma história, memórias, com uma intenção atrelada a mim mesma“, diz a tenista à revista “Vogue”, a propósito do visual.
A ideia, explica, surgiu quando lia para a filha de dois anos, Shai. “Havia uma imagem de uma alforreca, e quando a mostrei ela ficou animada”, recorda. “A ideia traduziu-se lindamente no movimento e na fluidez das camadas transparentes do vestido e da jaqueta. Quando vi durante a prova, lembro-me de ter pensado: ‘Isto é lindo’”.
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Esta referência levou-a a encontrar-se com Robert Wun, depois de se ter cruzado com imagens de um dos seus desfiles virais, cheios de texturas e movimento. “Como fã de ténis, já a compreendia como atleta, mas poder partilhar este momento criativo é muito especial”, acrescentou o criador, à mesma publicação.
O visual foi ainda inspirado no momento viral em que uma borboleta pousou no rosto de Naomi Osaka, em 2021, durante uma partida também no Austrália Open. Um dos visuais da minha coleção de outono de 2024 foi inspirado naquele momento no court”, diz Wun, que quis revisitar aquela história. “É o nascimento de algo novo. Simboliza energia, transformação e agitação”.
Esta não é a primeira vez que a tenista dá que falar. No seu regresso ao Open dos Estados Unidos, em agosto de 2024, após dois anos afastada, apareceu no court com outro dos melhores outfits da sua carreira, como já tinha prometido à revista “InStyle”. Para a partida, trocou o habitual equipamento aerodinâmico por um conjunto estilo Lolita, com vários folhos e laços, que decoravam até as sapatilhas.
“A moda Lolita é uma fuga da idade adulta, um regresso à inocência e à beleza da infância. É uma porta de entrada para um mundo de fantasia onde se pode criar uma identidade ideal que pode não se encaixar nas normas quotidianas”, escreveu, na altura, a designer do look, Yoon Ahn, nas suas redes sociais.
Seguiu-se uma série de looks com muitos folhos, pérolas e até Labubus à medida. “Neste momento, sinto-me muito à vontade com o meu estilo. A minha relação com a moda tornou-se muito mais aberta à minha verdadeira expressão. Acostumei-me a ser vista e, francamente, a ser eu mesma.”
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