Moda

Nespresso: as novas sapatilhas feitas em Portugal são um enorme sucesso

A edição limitada é um exemplo do que a marca tem vindo a fazer no âmbito da sustentabilidade.
As borras de 12 cafés ajudam a construir o material de cada par de sapatilhas.

A sustentabilidade tem cada vez mais adeptos. E não somos nós que o dizemos. As pesquisas na Internet por marcas sustentáveis aumentaram 45 por cento entre 2017 e 2021, segundo os dados do Google Trends. Da alimentação à mobilidade, passando pela moda e beleza, a pegada carbónica começa a ser um parâmetro a ter em consideração nas escolhas diárias dos consumidores.

Do lado das marcas, é preciso dar resposta a esta preocupação. Já com provas dadas na área da alimentação — onde tem vários projetos relevantes, incluindo com o Banco Alimentar Contra a Fome — a Nespresso realiza agora uma parceria na vertente de lifestyle, sobretudo na moda, no sentido de promover a circularidade de materiais.

“O nosso CEO foi exposto a um artigo da Zèta (marca francesa de calçado sustentável) e contactou a CEO dessa etiqueta para fazer uma edição especial com a borra do nosso café”, conta João Nogueira da Silva, diretor de marketing da Nespresso. 

E assim, de uma simples conversa, nasceram as RE:GROUND — umas sapatilhas que têm na sua composição o café. Cada par precisa do equivalente a 12 chávenas de borra de café recicladas para ser feito. Esta matéria-prima chega diretamente das casas dos consumidores e parceiros da marca. Isto porque a Nespresso conta com um sistema de recolha de cápsulas que promove a economia circular dos dois principais materiais que a compõem: o café, obviamente, e o alumínio. 

Mas não só de sustentabilidade se faz este projeto. Sendo uma peça para usar no dia a dia, tinha de ser bonita e atrativa para um público que a CEO da Zèta descreve como “fashion lovers ecoconscientes”. Assim, nasce a edição que conta com três versões, em que difere a cor da sola: Latte, com sola branca; Cappucino, com sola bege; e Ristretto, com sola castanha.

Apesar de ser assinado por uma marca estrangeira, este projeto tem a sua origem toda em Portugal. É que a Zèta soube valorizar a qualidade do trabalho português no que diz respeito ao calçado e toda a produção acaba por acontecer no norte do nosso País. 

Vindas de França, mas com qualidade portuguesa

Foram precisos oito meses para aperfeiçoar a técnica de transformação de borras de café num material durável que pudesse incorporar as novas sapatilhas. Na Tintex, empresa de têxteis portuguesa, esta descoberta já é um desafio habitual para um objetivo com o qual toda a gente está comprometida.

“Acaba por ir na onda do trabalho que já fazemos há vários anos, no reaproveitamento de resíduos de outras indústrias”, explica Pedro Magalhães. O head of innovation da empresa acrescenta: “Muitos problemas que temos verificado no ambiente estão relacionados com o consumismo extremo e com o conceito de economia linear. Tentamos então apostar na economia circular. Desta forma os resíduos de outra indústria podem ser usados por nós como matérias-primas, dar-lhes uma nova vida”.

A preparação do material, desde a receção das sobras de borras de café até ao produto final, leva entre duas a três semanas. Daqui, este material segue para a outra empresa portuguesa familiar, a Rudis, que trata de juntar todas as peças e entregar as RE:GROUND finalizadas. 

“O facto de a Zèta ter a sua produção aqui em Portugal, encheu-nos de felicidade e orgulho e fala muito sobre aquilo que o nosso país é e da iniciativa de empreendorismo que também temos”, afirma João Nogueira da Silva.

E se a ideia de sustentabilidade podia ficar pela nova vida dada ao café, fique a saber que há mais. 80 por cento dos materiais que compõem esta edição limitada são reciclados. A Zèta faz envios apenas para a Europa, garantindo uma diminuição da pegada ecológica numa das etapas de consumo mais poluentes, o transporte.

Se ainda quiser adquirir um par destas sapatilhas únicas, é melhor correr. Há números que já estão esgotados em algumas cores e deverão em breve ser retirados do site da marca. Sobre uma nova edição, o diretor de marketing da Nespresso explica à NiT que “há um interesse do público, visível nas redes sociais”. Por parte da marca de cafés há também a vontade de manter a parceria, mas “só o futuro o dirá”.

Ainda na vertente ambiental e social, é de salientar que a Nespresso acaba de obter a certificação B Corp, uma avaliação independente que analisa o impacto das empresas nas pessoas e no planeta. Uma distinção que, até ao momento, só foi atribuída a cerca de 4500 empresas de todo o mundo.

Este artigo foi escrito em parceria com a Nespresso.

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