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Moda

A nova modelo da Lefties tem o cabelo branco — e o sucesso foi instantâneo

A escolha da marca espanhola para a campanha de Natal está a ser aplaudida pela imprensa internacional.
É a nova campanha de Natal.

Sobre a nova campanha publicitária da Lefties, pouco se fala das roupas, do calçado ou dos acessórios. Foi uma das iniciativas com maior sucesso mediático da marca espanhola nos últimos anos e, no entanto, até tem um conceito bastante simples: chama-se “Um Natal em Casa” e retrata a realidade que muitos vão viver nesta época festiva tão atípica.

Entre os vários artigos que a imprensa internacional dedicou ao tema, há um único denominador comum. A realidade é que ninguém parece muito interessado na oferta de vestuário da empresa para a temporada, na estética dos tecidos ou na modelagem das propostas e o foco está todo direcionado para uma modelo em particular, que aparece em muitas das fotografias com um sorriso rasgado, longos cabelos brancos e as marcas de idade de quem já passou os 50.

lefties
A nova modelo da Lefties, no centro.

Não se sabe o seu nome nem a sua idade, mas a escolha está a ser aplaudida por algumas das maiores publicações de moda internacionais. Na revista espanhola “Telva”, destaca-se a importância da representatividade na indústria, que não deve estender-se apenas ao tipo de corpo ou à cor da pele, mas também aos anos de vida das modelos — afinal, ninguém deixa de usar roupa depois de passar dos 30.

Este conceito até tem um nome na língua inglesa. “Ageism” não tem tradução direta para português, mas pretende representar um estereótipo sem fronteiras e do qual pouco se fala. Refere-se à descriminação de indivíduos ou gerações com base na sua idade e foi cunhado em 1969 pelo psicólogo americano Robert Neil Butler.

Segundo um estudo publicado em janeiro deste ano pelo International Longevity Centre, no Reino Unido, os estereótipos de idade na indústria da moda podem vir a custar quase 12 mil milhões de euros ao longo dos próximos 20 anos. “As indústrias da moda e da beleza têm resistido há demasiado tempo a reconhecer o interesse das gerações de consumidores mais velhos em manterem-se na moda”, disse Diane Kenwood, uma das cientistas envolvidas, ao “The Guardian“.

Entre 2011 e 2018, as pessoas consideradas “mais velhas” (das gerações X e Baby Boomers) aumentaram as suas despesas em produtos de moda na ordem dos 21 por cento entre 2011 e 2018. No entanto, a subida nos gastos destes consumidores pode não ser suficiente para fazer a indústria mudar de hábitos. Ao “The Guardian”, o especialista Ari Seth Cohen disse que há um medo inerente da mortalidade.

“As marcas de moda e beleza ignoram seus consumidores mais velhos há muito tempo. Em vez de tentarem chegar a este grupo demográfico, usam as suas inseguranças e o medo e a propaganda de idade para venderem produtos de beleza que prometem a ideologia ridícula e perigosa ‘anti-idade'”, explicou.

No entanto, a “Business Insider” reconhece que esta tendência tem vindo a mudar nos últimos anos. Aos 72 anos, Helen Mirren foi escolhida como embaixadora de marca da L’Oréal; Joan Didion brilhou na campanha de 2015 da Celine; Joni Mitchell fez uma sessão fotográfica para a Yves Saint Laurent no mesmo ano e a espetacular Iris Apfel assinou um contrato com a conceituada agência de modelos IMG aos 92 anos em 2019.

No meio de tantos exemplos, a Inditex também merece destaque. A gigante da moda já tinha apostado na campanha Ageless em 2015 para a Lefties, em que brilhavam mulheres de todas as idades. Já a Zara, em 2017, lançou a linha Timeless e fotografou-a com modelos com mais de 40. Se é certo que, aos poucos, os preconceitos vão sendo quebrados, também é certo o entusiasmo com que estas histórias são recebidas — o que só mostra que ainda há um longo caminho a percorrer até fazerem parte da normalidade.

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