Moda

O lendário par de sapatos bicolor da Chanel tem 65 anos (e continua na moda)

O modelo da icónica marca francessa sobreviveu ao passar dos anos e tem inspirado diferentes versões.
Fotografia: Instagram @sarabaetsle.

Um clássico é um clássico e se há algo digno do termo são os sapatos versáteis, bem desenhados e bicolores que a Chanel lançou em 1957. Mais de meio século depois — 65 anos para sermos precisos —, o modelo ainda é o sonho de milhares de mulheres. Resultou do génio criativo que foi Gabrielle Bonheur Chanel, mais conhecida como Coco Chanel. O original, trabalhado com o atelier Massaro, que ainda serve muitos dos grandes nomes na área da alta-costura, surgia depois dos atemporais vestidos pretos, da alfaitaria tweed e das bolsas alcochoadas.

O modelo em bege, para alongar as pernas, e com a ponta preta, para encurtar o pé e proteger do uso a longo prazo e das temperaturas frias, destacava-se também pelo salto de cinco centímetros e a fita elástica nos calcanhares (acrescentada por Massaro), garantias de estabilidade e conforto. Rapidamente, conquistou clientes como as atrizes Romy Schneider, Brigitte Bardot e Catherine Deneuve. Mais recentemente, brilhou nos pés de figuras como a apresentadora Alexa Chung e a atriz Lily-Rose Depp, para referir algumas. A Chanel vende-o por 1.090€.

Um artigo da revista “Vogue” nota que, com a criação do que se tornaria sinónimo de elegância, luxo e tradição, a criadora “quebrou barreiras e libertou as mulheres das limitações que lhes eram impostas: os sapatos, até então monocromáticos, tinham de ser levados aos alfaiates” para terem o mesmo tom das roupas.

A versatilidade é mesmo uma das características mais marcantes do par, que casa bem com looks descontraídos, compostos por jeans e camisola, mas também mais sofisticados ou formais, com saias e blusas de corte clássico ou vestidos. É ainda perfeito na transição do dia para a noite, o que lhe confere grande praticidade, detalhe importante para a designer. “Sais de manhã a usar bege e preto, almoças em bege e preto e vais a um cocktail com bege e preto. Estás vestida para o dia inteiro”, disse sobre o bicolor.

O calçado viria a ser atualizado por Karl Lagerfield, que chegou à direção da etiqueta francesa em 1983 e “nunca deixou de reinventar o design de Coco, criando sapatilhas, sandálias, botas, oxfords e alparcatas, sem lhe retirar a essência. “É o sapato mais moderno e deixa as pernas lindas”, comentou certa vez.

Curiosamente, o modelo apareceu nos pés de Coco pela primeira vez em 1937, isto é, 20 anos antes do seu lançamento oficial. A fundadora da marca chamou-lhes “os novos chinelos da Cinderela”.

O ponto de viragem que representou na indústria da moda é provado, continuamente, pelas múltiplas versões que este ícone de sofisticação inspirou e ainda hoje inspira. Prada, Dior, Gucci, Ganni e Gianvito Rossi são exemplos das casas que apresentaram as suas versões do modelo. Aliás, a própria Chanel nunca deixou de o reinventar.

Carregue na galeria e descubra quatro interpretações deste icónico modelo.

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