Moda

O símbolo pró-Palestina que iolanda levou à passadeira turquesa da Eurovisão

Numa edição marcada pela controvérsia, a artista portuguesa usou a moda para passar uma mensagem política.
Um look com uma mensagem política.

É já esta terça-feira, 7 de maio, que acontece a primeira semifinal de um dos festivais mais aguardados do ano. A Eurovisão terá lugar em Malmö, na Suécia, e esta próxima etapa conta com a participação da artista portuguesa iolanda com o tema “Grito”. 

Como é habitual em todas as edições do evento, antes da competição, todos os concorrentes desfilam na passadeira turquesa que serve como a sua apresentação oficial à cidade anfitriã. No caso da equipa portuguesa, a jovem de 29 anos não passou despercebida. 

iolanda levou um vestido preto, longo e esburacado, aberto na zona da perna. As botas tinham um cano alto com os tons a condizer com o restante look. Os brincos, da Swarovski, são relativamente discretos, mas são suficientes para contrastar com a combinação num prateado brilhante. 

Independentemente dos juízos de valor relativamente ao visual, o que chamou a atenção foi a marca da peça — a Trashy Clothing. Trata-se de uma etiqueta palestiniana que se descreve como “uma marca de luxo anti-luxo”, como se lê no site. Têm como missão “abordar circunstâncias políticas difíceis, transmitindo declarações de design de resistência anticolonial e alegre militância artística”.

Também as unhas da artista apresentavam um padrão semelhante aos dos lenços tradicionais da Palestina, os keffiyehs, por estes dias altamente associados aos protestos contra o massacre em Gaza pelas forças israelitas. O acessório, conhecido pelo seu padrão axadrezado, é quase como uma bandeira não oficial do povo e representa a sua resistência. A restante equipa também vestia peças da Trashy Clothing, naquela que pode ser interpretada como uma posição política, neste caso pró-Palestina. 

“Tenho pensado muito na questão do boicote. É um assunto que caiu nas minhas mãos ao ganhar o festival da canção”, afirmou a cantora em entrevista ao Expresso. 

Vários países manifestaram-se, nos últimos meses, contra a presença de Israel na competição. Em resposta aos protestos, a Eurovisão procurou sempre defender-se, argumentando que é uma organização “apolítica” — apesar de ter expressamente banido a exibição de bandeiras palestinianas no evento.

Aceitou igualmente levar a concurso a canção “Hurricane”, interpretada por Eden Golan, em representação de Israel, após terem sido feitas alterações à letra que originalmente continham conotações políticas. Leia também a entrevista de iolanda sobre a participação na seminfinal.

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