Moda

O modelo plus-size masculino que foi descoberto por Rihanna é uma estrela em ascensão

Começou por achar que o convite para a posar não passava de uma piada. Tornou-se viral, saiu do anonimato e até já trabalhou com a Nike.
Começou como fotógrafo.

Na sua conta de Instagram, são várias as valências que enumera com orgulho. Steven Green é fotógrafo, expert de estilo para homens grandes e altos, diretor criativo e, mais do que tudo isto, um modelo em ascensão. No entanto, como é cada vez mais comum, o que o distingue na indústria da moda é precisamente a renúncia aos seus padrões de beleza inatingíveis, bafientos e ultrapassados.

A lista de modelos plus-size que têm vindo a conquistar designers e estilistas é cada vez maior. Ashley Graham, Barbie Ferreira, Paloma Elsesser, Tess Holiday e Jill Kortleve são excelentes exemplos numa tendência em crescimento protagonizada por estrelas que estão a mudar a cara (e o corpo) da indústria. Mas também não é difícil chegar a uma conclusão tão óbvia que quase agride quem a vê: todas elas são mulheres.

Numa indústria em rápida mudança, fica no ar a pergunta que se impõe: afinal, por onde andam os homens? Em outubro do ano passado, Rihanna, sempre à frente do seu tempo, parece ter sido a primeira a querer dar-lhe resposta. 

No lançamento da sua coleção de lingerie para a Savage X Fenty, deu um passo em frente na normalização de corpos masculinos plus-size. Steven G, como gosta de ser conhecido, e o seu tamanho XXL, foram convidados de honra.

Ao longo das últimas temporadas, a artista tem vindo a desafiar os padrões de beleza ao introduzir um leque cada vez maior de modelos de diferentes etnias, tamanhos e géneros, que contrastam com os projetos megalómanos do início do milénio que não se souberam atualizar, entre eles a famosa Victoria’s Secret. Nas propostas da Savage X Fenty, as imagens de Green não estavam arrumadas num separador de tamanhos grandes — eram mesmo a imagética da campanha principal. No Twitter, não demorou muito até que a iniciativa viralizasse.

Citado pelo “The Guardian“, Green disse: “A mensagem que a sociedade envia à comunidade plus-size é, em última instância, a de diminuir a tua confiança até teres um tamanho decente e aí podes mostrar-te. E isso não está OK.” O efeito nocivo principal, acredita, é a internalização desta ideia.

steven G
Imagens da campanha.

Os media têm um poder tão grande sobre a autoestima de gente por todo o mundo que o modelo começou por acreditar que o convite para trabalhar com a Savage X Fenty não passava de uma piada. “Contactei o meu agente algumas vezes para confirmar que eles me tinham visto, de facto”, recorda. “Até perguntei se seria necessário enviar mais fotografias para ter a certeza que eles ainda me queriam.”

O maior desafio da sua carreira, conta, é encontrar roupas de tamanhos grandes em lojas masculinas. “Posso contar literalmente com uma mão o número de lojas que oferecem seleções para homens ‘grandes e altos’. Ainda estou para ver uma nos grandes retalhistas, especialmente numa marca tendência”, acrescenta.

Steven G teve uma daquelas histórias de sucesso que aconteceram do dia para a noite. O alarido em torno da sua estreia como cara da marca foi tão grande que também contribuiu para o sucesso comercial da Savage X Fenty. Em três tempos, o projeto de Rihanna esgotou uma série de números e de modelos.

Natural de Kansas City, nos Estados Unidos, Green estava habituado a manter-se atrás das câmaras. E não podia ter passado para a frente da melhor forma. A oportunidade que lhe foi dada por Rihanna foi a primeira da sua carreira como modelo e nisso a experiência como fotógrafo acabou por ser a chave. É que grande parte do seu portefólio contava com fotografias suas, que partilhava na sua conta de Instagram.

“Um produtor da Savage contactou-me pelo Instagram e disse ‘Olha, queria saber se estarias interessado numa nova campanha’. E eu fiquei tipo ‘uau!'”. Seguiu-se a loucura no Twitter e o resto é história. A essa colaboração, seguiram-se muitas outras, com editoriais de revistas e campanhas de marcas como a Nike, Asos, Keefe Cravat, Cavalier, Cherry Sports Gear, “Bezel” ou Wrighteous. 

 
 
 
 
 
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“Estou a receber tanto amor que é assoberbante”, contou à “Byrdie“. “Não me apercebi do impacto que isto teria noutros homens.” Green tem sido repetidamente contactado por pessoas que lhe dizem que a iniciativa foi uma inspiração e a representação que tantos precisavam de ver no mundo da moda.

“Pensei que seria algo para mim, mas tornou-se tão maior”, continua. Agora, foi destacado numa indústria que tem estado a dormir para este grupo demográfico. “Esse tem sido o melhor resultado e conclusão para mim”.

Para ele, ainda que as expetativas da sociedade possam ser mais duras para as mulheres, a indústria da moda demorou mais tempo a abrir espaço aos homens plus-size quando comparados com o género oposto. Acredita que o sexo masculino “não é tão aberto” em relação a esses temas, pelo que é difícil fazer comparações. Mas não restam dúvidas: a indústria está atrasada e a Savage foi, claramente, a primeira grande marca a destacar os tamanhos masculinos grandes.

Sobre os seus cuidados com a imagem, adianta à mesma publicação que o seu regime de cara é o mais simples possível. Usa, apenas, o sabonete clássico da Dove para lavar a pele, que é o mesmo que tem usado ao longo da vida. Além de sabão e água na cara, no que toca à barba gosta de experimentar marcas pequenas, de empreendedores afro-americanos. Lava-a com champô e acrescenta um pouco de óleo no fim.

Ainda que esteja a dar cartas na indústria como modelo plus-size, a saúde nunca fica posta de lado. Não confundir tamanhos grandes com sedentarismo. “Treino três a quatro vezes por semana, por causa da minha agenda”, conta. Faz treinos de peso e cardio, este último em repetições de 30 a 45 minutos. “Este tem sido o meu plano até agora, até experimentar alguma coisa diferente. Tento ir variando.”

 
 
 
 
 
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