Moda

Olá umbigos: as calças de cintura descaída estão de volta

A nostalgia recuperou uma das maiores (e mais polémicas) tendências dos anos 2000, um regresso anunciado pelo desejo de revival.
Não tema: ainda é subtil.

As calças estão a perder novamente o nível. A afirmação é literal: as jeans de cintura descaída, também conhecidas como low-rise, regressaram para abalar (outra vez) o mundo da moda. Os estilos skinny e as mom estão a perder território para o design que dominou os anos 2000.

O início do milénio foi marcado por uma queda vertiginosa dos cós. A regra não escrita ditava que as protuberâncias das cristas ilíacas deviam ficar visíveis o que, por consequência, deixava entrever as cuecas fio dental na parte superior das nádegas. Este regresso anunciado à estética Y2K por outras tendências, como as sobrancelhas ultrafinas, é fácil de observar nas redes sociais.

Entre as responsáveis pelo renascimento, estão várias it girl, provavelmente porque na altura eram demasiado novas para usar calças com a a cintura bem abaixo do umbigo, decidiram que estava na hora de abrir a caixa de pandora. Hailey Bieber, Bella Hadid e Kendall Jenner são três dos nomes que fizeram deste modelo uma obsessão. E o fenómeno não se vai ficar apenas pelas calças — chegará, inevitavelmente, às saias e calções.

Não tardou muito até que o mundo digital decidisse adotar a estética, com a hashtag #lowrisejeans a contar com mais de 145 milhões de pesquisas no TikTok. Também a indústria tomou nota deste regresso e, nos últimos anos, tem levado para a passarela a tendência que muitas desejavam nunca mais voltar a ver.

Nas mais recentes semanas da moda, várias insígnias adotaram os cós de cintura descida, reimaginando-os de acordo com o ADN da marca. É o caso da Miu Miu que, na última coleção apresentou uma microssaia que chocou o mundo. Dolce & Gabanna decidiram aderir a este movimento revival deixando a lingerie bem visível e a coleção colaborativa da Versace e da Fendi aliou os pares de calças bootcut aos cintos maxi nas ancas.

As calças Saint Tropez e as “Bumster” de McQueen

Muito antes destes desfiles recentes, que muitos consideram aberrantes, já as proporções da parte superior dos outfits femininos haviam sido questionadas e desafiadas. Nos anos 60, quando surgiram as calças Saint Tropez, em referência à cidade da Riviera Francesa, o umbigo deixou de ser escondido com a redução em cerca de 10 centímetros no gancho das calças. o objetivo? Alongar o torso feminino, deixando em evidência a zona das ancas, fazendo com que qualquer mulher aparentasse ter a famosa silhueta em forma de ampulheta.

Muitos anos mais tarde, o estilista Alexander McQueen optou pela disrupção no que as proporções diz respeito, estabelecendo uma nova altura para o cós. Em 1995, as suas calças controversas mostravam muito mais do que o umbigo: a parte de trás apresentava um decote que expunha boa parte das nádegas. A coleção “Highland Rape”, em referência à invasão inglesa na Escócia no século XVIII, apresentava peças desconstruídas com muitos cortes. Na parte da frente da calças, a cintura baixa mostrava o início da virilha.

O design foi apelidado de “bumster”, palavra que pode ser traduzida como “vadia”, e assumiu um papel preponderante no mundo da moda, que não estava preparado para a visão atormentada do criador britânico. Mais tarde, quando Madonna surgiu na televisão com o estilo de calças que McQueen apresentou ao mundo, todos os olhos se viraram para a criação vanguardista.

As calças “Bumster” de MacQueen na exposição “Savage Beauty”.

A febre dos anos 2000

 Após a Rainha da Pop as ter adotado, muitas outras celebridades se renderam à cintura descaída. Paris Hilton e Nicole Richie — protagonistas do reality show “Simple Life” e que na época representavam o que hoje são as irmãs Kardashian em termos de influência junto do público — aderiam à moda e não houve forma de travar a obsessão com o modelo.

Paris Hilton foi uma das pioneiras.

Britney Spears, Christina Aguilera e Beyoncé foram outras celebridades que fizeram das low-rise jeans um marco da cultura pop, conjugando-as com cintos brilhantes, correntes e piercings. No caso da cantora do hit “Toxic”, o estilo tornou-se num uniforme que apresentava em figurinos não só nos espetáculos e videoclipes, mas também nas suas presenças em programas de televisão ou passadeiras vermelhas. Para trás, ficaram muitos looks icónicos — embora nem todas olhem para o passado com a mesma saudade.

As ruas podem ainda não ter sido invadidas pelo mesmo grau de irreverência das estrelas pop da década de 2000, mas surgem com modelagens muito semelhantes e opções para todos os gostos. Destacam-se as composições num estilo mais baggy, claro, mas as propostas mais estruturadas ou de alfaiataria também têm o seu lugar.

Carregue na galeria para conhecer alguns modelos de calças de cintura descida atualmente disponíveis no mercado.

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