Moda

Primavera Sound: a designer de interiores que sonha ser uma “influencer genuína”

Beatriz acredita que não é preciso um festival para arriscar tudo no visual. Conheça melhor a jovem de 26 anos que adora comunicar.
O look final.

Quando somos miúdos, todos temos aquele sonho de ser astronatura, treinadora de golfinhos ou algo do género. Rapidamente esse sonho passa e descobrimos o nosso rumo. Pelo menos, foi isso que aconteceu a Beatriz Marques Mões, quando se apercebeu que queria fazer qualquer coisa ligada às artes. 

“Venho de uma família onde todos temos uma veia artística, e também me saiu na rifa. Quando comecei a perceber o que era o design, já conseguia definir o que queria fazer a seguir. Contudo, não gosto de dizer apenas que sou designer de interiores, porque, na verdade, gosto de tudo o que tenha a ver com o design. Adoro um dia estar a projetar um apartamento e no dia seguinte estar a desenhar um convite ou banner”, começa por contar a jovem de 26 anos à NiT.

Natural de Matosinhos e criada na Póvoa de Varzim, Beatriz sonha criar o seu próprio negócio na área, para fazer os seus projetos. Quando “precisar descansar a cabeça”, pode fazer bolos. Porque, sim, também tem jeito para a pastelaria. A polivalência que a caracteriza, também se estende ao mundo da moda. 

“Quando entrei para o curso de artes no secundário, comecei a destacar-me na moda. Comecei a ter o meu próprio dinheiro, porque no verão trabalhava para ‘os meus trapinhos’, e claro que a Zara lucrou com isso. Só comecei a investir mais e a ter mais brio quando as pessoas à minha volta diziam ‘só tu para usares isto’”, admite.

Em 2016 começou a partilhar nas redes sociais as suas propostas de outfits para o dia a dia. No entanto, só começou a acreditar no poder do digital no ano passado. Concluiu que além de ser um hobbie, também podia ser um trabalho “a sério”, tal como o design de interiores. 

“Sempre adorei comunicar, sou uma tagarela e ando sempre a evidenciar os meus sentimentos e emoções. A veia cómica e dramática também estão muito presentes no meu dia a dia e a minha vontade de estar mais presente nas redes sociais foi aumentando também por isso”, explica. 

Acima de tudo, Beatriz quer que as marcas tenham pessoas genuínas a representá-las. “Gosto de ver uma campanha e pensar: ‘caramba, nota-se que esta influencer gosta mesmo do produto e da marca’. É isso que quero que as pessoas pensem de mim”, reforça. 

 
 
 
 
 
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Com três horas de sono, um tripé sem uma perna, com um cão que lhe aparece sempre nos vídeos, ou a fazer almoço para dia a seguir. Fotografa e grava diariamente os seus visuais, enquanto pensa se vai meter amarelo com bolinhas brancas ou branco com bolinhas amarelas na casa do cliente. É fã de Lana del Rey e, aos 14 anos, chorou agarrada a uma almofada a ouvi-la cantar, quando julgava que o mundo ia acabar por causa de um rapaz, confessa à NiT.

Apesar do seu fascínio pela cantora norte-americana, o que verdadeiramente a traz ao Primavera Sound Porto é o próprio ambiente do festival que a convida, e se torna uma paragem obrigatória todos os verões. Acredita que muitas pessoas têm a tendência de, neste tipo de eventos, usar algo mais ousado, o tal “go big or go home”. Porém, Beatriz acredita que não é necessário um festival para expressarmos quem somos através da roupa. 

“Vivemos numa era, em que graças a Deus, os tabus sobre as roupas, estilos ou orientação sexual já são um bocadinho menores. Por isso, não acho que seja necessário ir a um festival para arriscarmos tudo no look. Se quiser ir comprar pão com um vestido de lantejoulas, why not? Se calhar até saio da loja com um croissant à borla”, defende. 

A designer de interiores e criadora de conteúdos em ascensão, admite usar a moda como um escape a um grande clichê — o estigma da sociedade. A moda e a sua veia cómica são o seu “escudo” contra os comentários menos felizes que possam surgir, sobre o seu corpo ou estilo.

“Quando era mais nova era mais gordinha, e era alvo de críticas e julgamentos. Se agora ainda existe, o preconceito relativamente a corpos diferentes, que fugiam do padrão, há dez era ainda maior. Lembro-me como se fosse hoje de uma ida à Zara, em particular. Perguntei a uma colaboradora se tinha um determinado vestido, e ela, com o um ar de desaprovação e julgamento, teve a audácia de dizer: ‘Temos, mas só temos o S’. Como quem diz: nunca irias caber num S. O que é facto é que comprei o S, o vestido fica-me a matar e devia sambar na cara dela com ele. Já parti muitos corações com ele”, reforça.

Quando soube que Lana del Rey vinha à 11.ª edição do Primavera Sound Porto não havia dúvidas que tinha de marcar presença. Beatriz, que conta com quase três mil seguidores no seu Instagram, começou a questionar o que iria levar para o festival, sendo que o brilho e as cores não costumam estar presentes nos seus visuais. Questionava-se se teria de arranjar algo super diferenciado. 

“Questionei-me, porque estava a ponderar comprar uma peça de roupa, que nitidamente só iria usar um dia ou dois. Não ia usá-lo no meu trabalho, porque iria cegar os clientes de tanto brilho. Tenho imensa roupa em casa e conclui que poderia criar um visual que me definisse num dia, como me define ao longo de todo o ano”, conta à NiT.

Com esta ideia em mente, criou um visual que pudesse usar no trabalho e, depois, sair direta para o festival. Optou por um look sofisticado, sem muitas cores, para não se sentir “um arco-íris avariado”, como a própria descreveu. A escolha recaiu sobre tons neutros, quentes, acessórios dourados e ainda um lenço da avó.

“Quando estava a testar o outfit demorei 15 minutos a ajeitar o lenço, porque sentia que parecia a minha própria avó no campo, a plantar batatas. Aí perguntei-me: ‘como é que a Mariana Machado consegue que lhe fique tão bem’? É daquelas questões ‘o problema não és tu, sou eu’”, admite. 

Assim, optou por uma saia de croché às riscas, preta e branca, que, segundo Beatriz, simboliza “a coerência que espera manter”. Os acessórios dourados conferem um toque elegante e pormenores em tons quentes ao visual. 

Já top por cima da t-shirt e o lenço, refletem a sua “costela corajosa, arrojada, festivaleira e divertida”. O look foi criado com peças que já tinha em casa. A saia e a t-shirt são da Zara, as botas da H&M e a mala da Pull&Bear. Alguns dos acessórios conseguiu-os na Vinted. 

“Por vezes, quando as pessoas veem o meu Instagram, podem não reparar à primeira neste meu lado cómico. Ainda estou a tentar expor este meu lado. Assim como arrisco mostrar as minhas sugestões de looks, e até os pequenos dramas da minha vida, quero inspirar outros a não terem medo de mostrar quem são, quais são os seus objetivos. Como diz o meu pai, ‘atirem-se para o chão’. Se eu posso seguir os passos de grandes designers de interiores e também de influencers como a Mariana Machado, os outros também”, finaliza. 

Carregue na galeria para rever os looks que mais se destacaram no primeiro dia do festival.

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