Durante décadas, a imagem da noiva parecia seguir uma fórmula quase imutável: um vestido branco, um véu discreto e um único look para atravessar toda a cerimónia e festa. Mas os tempos mudaram e as noivas também.
Em 2026, a palavra de ordem é versatilidade. Quem o garante é a designer de vestidos de noiva Pureza Mello Breyner, que identifica três grandes tendências a dominar os pedidos que chegam ao seu atelier. A principal? Vestidos capazes de se transformarem várias vezes ao longo do mesmo dia.
A procura por modelos adaptáveis está diretamente ligada à forma como os casamentos evoluíram. Atualmente, muitas celebrações prolongam-se durante horas e incluem diferentes momentos. “Há cada vez mais noivas que querem vestidos que vão acompanhando as várias fases do dia do casamento, principalmente se a cerimónia é religiosa”, conta a designer.
Na prática, isso significa que um único vestido pode assumir várias versões ao longo do evento. Saias removíveis, mangas destacáveis, sobreposições e alterações estruturais fazem parte das soluções mais procuradas. “Tenho feito muitos vestidos que se vão adaptando aos vários momentos do dia e chego a fazer um só vestido que se adapta a quatro looks, ou seja, um look para a Igreja, outro para o cocktail ou sunset, outro para o jantar e outro para a festa”.
A tendência não é totalmente nova, mas está longe de ser passageira. Pelo contrário. “É muito raro fazer um só vestido que não passe depois por qualquer alteração. Quase todos têm a possibilidade de serem modificados ao longo da festa”, revela. “Esta é uma tendência que já vem do ano passado e acho que veio para ficar.”
Se os vestidos transformáveis lideram a lista, há uma segunda tendência que se destaca especialmente em 2026: os contrastes entre estrutura e fluidez.
A inspiração chega diretamente da moda histórica, mais concretamente do século XVIII, reinterpretada para uma estética contemporânea. “Outra tendência, e esta mais atual, são os vestidos com corpetes muito estruturados em cima – uma peça dura com impacto – com saias superfluidas”, explica.
Uma das características mais marcantes destes modelos é a chamada cintura basca, também conhecida como cintura em bico, ou a cintura redonda, que surgem mais descidas e ajudam a alongar visualmente a silhueta. Além disso, “são muito justos”.
O resultado são vestidos dramáticos e sofisticados, que combinam uma parte superior arquitetónica com movimento e leveza na saia.

Como acontece frequentemente na moda, algumas tendências desaparecem durante anos para regressarem mais tarde com força renovada. É precisamente isso que está se está a passar com os acessórios tradicionais das noivas. “Podemos dizer é uma tendência que é cíclica, que são as mantilhas e os véus muito trabalhados”, avança Pureza Mello Breyner.
Depois de um longo período em que predominavam os véus minimalistas ou até a ausência da peça, as noivas voltam a procurar modelos ricos em detalhes e acabamento artesanal. “Já se usaram muito, deixaram de se usar e agora voltaram em força”, refere.
Entre as opções mais populares estão as mantilhas à volta da cara, as colocadas à pirata e os véus bordados, curtos ou compridos”.
Além das mudanças nas silhuetas e acessórios, também a cor dos vestidos está a evoluir. Se durante muitos anos o branco puro dominou quase todas as escolhas, atualmente as noivas procuram tons mais suaves e menos convencionais. “O que se destaca é o pérola, que quase parece uma tonalidade vintage. O branco-branco está neste momento em desuso.”
Segundo a designer, esta preferência reflete uma mudança mais profunda na forma como as mulheres encaram o vestido de noiva. “Deve-se ao facto de hoje em dia as noivas quererem parecer menos noivas, querem parecer mais que estão com um vestido de festa”, conta.
A preocupação com a sustentabilidade e a reutilização da peça também tem tido peso na decisão. “Muitas noivas já compram o vestido com a ideia de poderem voltar a usar no futuro, seja numa renovação de votos, num batizado de um filho ou numa festa familiar importante”, diz.
Embora não tenha dados concretos sobre o número total de matrimónios realizados, Pureza Mello Breyner identifica uma realidade clara: a procura por ateliers especializados continua a crescer. “Não sei se este ano há ou não mais casamentos em relação ao ano anterior. O que sei é que há uma procura cada vez maior pelos ateliers.”
A explicação está na vontade crescente de ter uma peça verdadeiramente única e personalizada. “As noivas cada vez mais querem exclusividade e querem vestidos que se transformem. E isso não encontram nas lojas de vestidos de noiva”.
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