Moda

Alexandra Moura: “Hoje em dia escolhem-se manequins pelos followers e pelo alcance”

A estilista apresenta a sua coleção este sábado, 12 de outubro, durante a 51.ª edição da ModaLisboa. A NiT falou com ela no seu showroom, na Embaixada do Príncipe Real.

A moda nem sempre esteve nos planos de Alexandra Moura. Aliás, a estilista queria juntar a astronomia ou a biologia animal ao currículo, mas durante uma viagem a Londres, sentada numa livraria a folhear algumas publicações ligadas à moda, descobriu o trabalho de Rei Kawakubo, fundadora da marca Commes des Garçons. Depois disso, a sua vida mudou.

As ciências ficaram para os pais e o seu caminho levou-a a um exame de admissão no IADE, em Lisboa, onde teve de desenhar um vaso em cima de um banco, carregado de sombras e volumetrias, sem ter qualquer background na área do desenho. Depois disso, começou a estudar moda e daí até chegar às grandes passerelles de moda portuguesas e internacionais — Alexandra já apresentou coleções na Semana da Moda de Londres — não tardou muito. 

Com 16 anos de carreira, está na altura de mostrar as 89 peças que fazem parte da coleção de primavera/verão 2019, na 51.ª edição da ModaLisboa, com o apoio do Portugal Fashion. Desta há uma peça que se destaca: a camisola da Sumol que surgiu de um desafio colocado pela designer à marca e que serviu como mote para uma conversa com a criadora no seu atelier, na Embaixada, no Príncipe Real.

Como surgiu a colaboração com a Sumol?
O desafio que fiz à Sumol, e que está ligado com todo o conceito da coleção de Primavera/Verão 2019 que vou apresentar na ModaLisboa, retrata muito das minhas memórias e vivências enquanto era criança. A coisa que eu mais adorava quando chegava à aldeia era ir a uma taberna que ficava por baixo da casa dos meus avós, onde empilhavam as grades e eu ia buscar lá um Sumol de Ananás, o sumo que mais adorava.

Todo esse sabor, o barulho das grades, o cheiro da carica, aquilo tudo relembrava-me as férias na aldeia. Todas estas memórias e toda esta parte sensitiva fez com que eu tivesse uma memória muito grande de certas marcas portuguesas, como a Sumol.

E a marca continua a estar presente?
Claro. É uma bebida que perdura de geração em geração, a minha mãe adorava o sumol de laranja, eu é o de ananás e o meu filho, hoje em dia, também adora o de laranja. Este sumo deixou em mim memórias muito bonitas.

Mas há mais detalhes da sua infância na coleção, além da bebida.
Sim, há muitas memórias que estão presentes como o ir daqui de Lisboa para uma aldeia em Trás os Montes, os meus avós, a casa deles, a loucura que era a festa da aldeia, a procissão, o andor e os anjinhos, tudo coisas que não havia cá. Todo este universo quase que oposto ao que tinha na cidade foi algo que me marcou muito. Tenho imagens muito vivas desses momentos, que já foram há alguns anos. O chegar a casa, sentir os cheiros tão característicos de alguns produtos portugueses que a minha avó usava como o sabonete, mas também as coisas que levava de Lisboa. O leite fresco da Vigor, por exemplo, que em Trás-os-Montes não havia e levava para ter o conforto de casa.

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