Moda

Sangue Novo trouxe uma dose de frescura a um dia quente de ModaLisboa

Já são conhecidos os cinco finalistas do concurso Sangue Novo desta nova edição da ModaLisboa e que vão disputar os prémios na próxima estação.
Dez novas coleções no Sangue Novo.

A 57.ª edição da ModaLisboa arrancou esta quinta-feira, 7 de outubro, na Estufa Fria com o concurso Sangue Novo que pretende premiar os melhores jovens designers nacionais. Os cinco finalistas já são conhecidos e vão disputar o prémio na próxima edição do evento, para a estação Primavera/Verão 2022. Filipe Cereja, Ivan Hunga Garcia, Veehana, Maria Clara e Maria Curado são os escolhidos.

O calor fazia-se sentir na Estufa Fria, mas a frescura chegou com a apresentação das coleções dos dez jovens criadores. O painel de jurados, atentos aos mais pequenos pormenores das coleções destes jovens talentos foram Miguel Flor, também ele vencedor Sangue Novo em 1996, as designers Nelly Gonçalves e Constança Entrudo.

Esta edição voltou a acontecer de forma presencial, depois da edição 100 por cento digital que aconteceu em Abril deste ano. No entanto, o ambiente ainda não é o típico de uma ModaLisboa, visto que só são permitidas 200 pessoas, entre imprensa e convidados dos criadores.

Filipe Cereja já tinha sido finalista em 2019, mas este ano surpreendeu com a sua revigorada “visão para o menswear” na coleção “Shifting Between Realities” que apresentou na passerelle da Estufa Fria. Os tons de roxo e amarelo e o tailoring masculino com drapeados, sobreposições e camadas soltas, valeram-lhe um lugar na final do concurso. O jovem designer reinventou formatos clássicos, como as gabardinas, dando-lhes uma roupagem nova e arrojando na paleta de cores.

Também Maria Clara conseguiu um lugar de finalista com a sua homenagem aos pescadores e bordadeiras da terra natal, a Madeira. A jovem designer quis dar voz a estas duas profissões esquecidas e usou as cores dos barcos da baía de Câmara de Lobos para dar vida à coleção intitulada de “Idiossincrasias”. Curiosamente, a designer estagiou com Constança Entrudo, cuja última coleção foi uma homenagem ao bordado madeirense.

A coleção “Mindfulness” que aborda a consciência e o caos individual que esta representa, da designer Maria Curado, também foi uma das premiadas. Maria levou o público numa viagem de cores e texturas com as suas técnicas de trabalhar as malhas e outros padrões, calças de cor e muitas outras peças com detalhes cut out.

Veehana, nome artístico do designer João Viana, mostrou uma coleção onde as transparências e as formas exageradas não passaram despercebidas. As malhas desfiadas, os tons desconstruídos destacam-se nesta coleção, que é um cruzamento entre as visões de uma criança e um adulto “que se encontram em constante conforto e que coabitam o mesmo corpo”. Assimetrias e texturas, onde se destacam os amarrotados dominam a proposta do jovem criador.

“Neo Hominidae”, a coleção de Ivan Hunga Garcia, foi a coleção mais peculiar do dia e teve por base a teoria da evolução de espécie de Darwin. Os modelos surgiam em looks de preto integral, com detalhes em prateado como uma espécie de continuidade do corpo humano.

A única premiada da noite foi Carolina Costa, vencedora do prémio atribuído pela MOCHE — 1.500 euros para alavancar a criação. “Flourish Society”, uma coleção onde explorou os volumes e as formas dos tecidos, inspirada nos trajes das comunidades Surimanese e os Kotoberes que escondem as formas femininas através de roupas que não definem a silhueta. Carolina Costa quis usar essa inspiração com vestidos embalados, casacos oversized, chapéus e lenços, com o mesmo padrão.

Até domingo a ModaLisboa acontece no Capitólio e esperam-se mais de 20 desfiles com nomes como Béhen, Carolina Machado, Nuno Gama, Gonçalo Peixoto ou Luís Carvalho.

Carregue na galeria e veja algumas peças das coleções finalistas Sangue Novo e da vencedora do prémio MOCHE, Carolina Costa.

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