Moda

Sara Sampaio: a modelo que defende causas políticas nas redes sociais

A portuguesa envolveu-se numa polémica no Twitter depois de criticar André Ventura e o comício do Chega no Twitter.
Tem 29 anos.

“Bem, os fascistas, machistas, racistas, saíram todos da toca. Parece que ofendi muitos egos de merda aqui. Se a carapuça serve.” As palavras de Sara Sampaio, de 29 anos, ecoaram nas redes sociais. No centro da discórdia estava uma publicação no Twitter feita na passada segunda-feira, 18 de janeiro, onde a modelo partilhou uma sequência de imagens em que o líder do Chega e alguns dos seus apoiantes fazem a saudação nazi. 

“É assim que começa”, escreveu, acrescentando: “Que nojo.” As reações dos defensores de André Ventura não demoraram a chegar e o feed da modelo portuguesa encheu-se de ofensas ao longo das últimas horas. No dia seguinte, terça-feira, chegou mais um post com palavras duras de Sara Sampaio.

“Ontem à noite cheirava muito a merda aqui perto de minha casa. Já percebi porquê, houve um comício do Chega aqui ao lado”. Os apoiantes do partido voltaram à carga: “Se tens o direito de mostrar o teu esquelético corpinho à galera, naturalmente que também podes dar a tua opinião. Se até os burros zurram”, escreveu um utilizador do Twitter. “A ressabiada da moda já tem tosse, vai mas é para o bidé e fecha a boca”, respondeu outro.

Esta não é a primeira vez que a portuguesa com mais seguidores naquela rede social (são perto de 895 mil) expressa as suas opiniões sem estar, aparentemente, preocupada com as consequências. Em fevereiro do ano passado, a modelo criticou publicamente Cristina Ferreira depois de a apresentadora perguntar em direto na SIC ao médico Almeida Nunes porque é que o coronavírus só afetava os chineses.

Num post de Diogo Faro que relatava o episódio caricato, Sara Sampaio comentou que sentia “vergonha alheia” da apresentadora. 

No entanto, estes estiveram longe de ser os únicos conflitos mediáticos da manequim no louco mundo das redes sociais. Em outubro de 2019, participou numa discussão acesa com a atriz britânica Jameela Jamil, que acusou através do Twitter as modelos de um desfile da Semana da Moda de Viena de estarem “assustadas e esfomeadas.”

“E que tal celebrar alguém sem diminuir os outros? Chamar ‘adolescentes assustadas e esfomeadas’ às modelos é extremamente ofensivo. Vindo de alguém que defende uma atitude positiva em relação ao corpo, soa apenas a hipocrisia”, respondeu através da mesma rede social. A discussão acabou por se estender ao longo de vários tweets que levaram os internautas a tomarem os respetivos partidos entre as duas celebridades.

Apesar de todas as repercussões, Sara Sampaio parece mesmo investida em defender publicamente as suas causas. O movimento norte-americano Black Lives Matter, que emergiu durante a pandemia para contestar a desigualdade racial nos Estados Unidos, também a levou a criticar uma atriz portuguesa no Twitter em junho de 2020.

Depois de George Floyd ser morto por um polícia naquele país, o movimento deu originem nas redes sociais à Blackout Tuesday, um protesto silencioso que correu o mundo e levou milhões de pessoas a publicarem imagens pretas nas suas contas de Instagram para mostrarem o seu apoio à causa antirracista.

Sandra Silva, a jovem atriz, não quis aderir ao movimento e gravou um vídeo no qual afirmou: “Não vou partilhar para me sentir cool e inserida na sociedade. Preocupem-se em influenciar os vossos amigos e família”. 

As afirmações não passaram indiferentes a Sara Sampaio, que escreveu no Twitter: “Não lhe estão a pagar, não interessa. Ela não quer é estar a estragar o ‘mood’ do Instagram. White privilege. Estava melhor calada.”

Polémicas à parte, a verdade é que a modelo nunca teve problemas em falar sobre temas pessoais, de saúde, que de alguma forma pudessem ajudar quem estivesse a passar por situações idênticas. Em julho de 2018, revelou na sua conta de Instagram que sofre de tricotilomania desde a adolescência, uma doença mental que a leva a arrancar os pelos das próprias sobrancelhas. As falhas que esta compulsão acabou por causar, disse, ficaram para sempre e são disfarçadas com um pincel de maquilhagem. 

“Começou quando tinha cerca de 15 anos. Eu tirava pelos das pestanas e quase imediatamente depois passei para as sobrancelhas. Já não puxo as pestanas e tenho tirado das sobrancelhas desde então. Os episódios são piores quando estou sob muito stress ou quando não estou a fazer nada, como a ver televisão ou a ler um livro”, continuou.

 
 
 
 
 
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Aliada à doença, revelou mais recentemente ter sofrido com outros problemas de saúde mental, como ataques de pânico, ansiedade e depressão. Num vídeo emotivo que partilhou no Instagram em julho de 2020, referiu-se a uma capa polémica da “Vogue” portuguesa em que a modelo Simona Kirchnerova posa numa banheira daquilo que parece ser um hospital psiquiátrico do século XX. De cada um dos lados tem duas enfermeiras que aparentam estar a assisti-la para tomar banho. 

“Parece que é uma instituição mental antiga, um daqueles hospitais psiquiátricos que torturavam. Aquilo provocou-me pela forma como a saúde mental é tratada na imprensa, especialmente em Portugal, por causa da minha própria experiência”, referiu.

No início do vídeo, a modelo da Victoria’s Secret afirmou ainda que desejava ter partilhado as suas próprias questões sobre a saúde mental há mais tempo, mas que se sentiu “assustada e nervosa” com a ideia de abordar o tema publicamente. No entanto, reforçou que “as doenças mentais são muito sérias” e que durante a pandemia houve um “aumento de suicídios”. “Só quero que saibam que não estão sozinhos, não são loucos”.

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