Moda

Tem umas sapatilhas velhas e semi-destruídas que adora? Leonor deixa-as como novas

A jovem sempre foi apaixonada por sneakers. Criou o atelier Shoelé onde dá uma nova vida aos pares que parecem não ter salvação.
Vai parecer que nunca saíram da caixa.

A não ser que se trate de um dos modelos controversos da Balenciaga, as sapatilhas não se querem sujas ou desgastadas. E, quando são pares brancos, a missão de os manter limpos ao longo dos anos é quase impossível. Este cenário, por norma, deixa-nos com duas opções: assumir a tendência dos ugly sneakers ou descartar os modelos.

Leonor Gonçalves, fã confessa de sapatilhas, prova que não tem de ser assim. Tem 31 anos e lançou, no dia 2 de janeiro, um projeto que se dedica a dar uma nova vida a cada par. O atelier Shoelé recebe os seus modelos sujos, velhos e amarelecidos para receber de volta um par tão limpo e brilhante que seria capaz de jurar que não era o mesmo. 

“Não sei como surgiu o fascínio, mas sempre fui apaixonada por sneakers. Lembro-me de adorar os do meu irmão e, na adolescência, fazia coleção de Vans e All Star porque eram os mais acessíveis”, conta à NiT. “Era aquela pessoa que escrevia nos pares, gostava de os customizar e estava sempre a inventar.”

A partir do momento em que comprou os seus primeiros Nike Dunk High em miúda, brancos e roxos, nunca mais abandonou os modelos desportivos. Ainda ponderou estudar design de calçado, mas optou por se licenciar em design de moda — e chegou a trabalhar como sylist e consultora na área.

Porém, foi durante os sete anos como visual merchandiser na Nike que a paixão pela construção das sapatilhas se consolidou. “Tínhamos muita formação a nível dos produtos e dos materiais”, conta. Além da paixão pela história de cada modelo, desenvolveu valores de sustentabilidade que a faziam questionar o desperdício.

Tem umas sapatilhas velhas e semi-destruídas que adora? Leonor deixa-as como novas depois
Tem umas sapatilhas velhas e semi-destruídas que adora? Leonor deixa-as como novas antes

Em 2023, cinco anos depois de sair da empresa, colocou a ideia em prática. O principal incentivo foi o facto da pandemia ter tornado o seu ofício muito digital. Sentia necessidade de continuar a fazer trabalho manual, que considera “quase terapêutico” e decidiu arrancar com a Shoelé.

Leonor demora cerca de uma semana a limpar cada par de sapatilhas. Faz uma aspiração total ao interior, limpa exterior e lava as solas. Quanto ao restauro, repara a pele dos modelos, melhora a pintura e faz a colagem das solas.

“[O processo] envolve aspiração, escovagem e limpeza. Se forem de camurça é mais desafiante porque não podem ser molhados, num par de pele já uso água e detergente”, acrescenta. “Tenho escovas apropriadas, um vaporizador e outros materiais, como esponjas mágicas. Depende do que as sapatilhas precisam.”

Apesar da paixão pela personalização, a criativa não planeia customizar sneakers. “Gosto de respeitar os materiais e, mesmo pintar, só o faço em último caso. As sapatilhas têm uma história e o uso faz parte dela”, diz. Sejam New Balance, Adidas ou marcas de luxo — como a Off-White —, Leonor mantém-se fiel ao desenho original.

Tem umas sapatilhas velhas e semi-destruídas que adora? Leonor deixa-as como novas depois
Tem umas sapatilhas velhas e semi-destruídas que adora? Leonor deixa-as como novas antes

Embora o atelier ainda seja um work in progress, como a própria o descreve, a ideia é evoluir para ir além da limpeza e do restauro. A longo prazo, a designer quer comprar uma máquina de costura de calçado para desconstruir peças que já não são utilizáveis e dar-lhes uma nova vida.

Quanto à logística do processo, é bastante simples. Os clientes mandam as fotografias, é feito o orçamento e combinam o ponto de entrega. Uma semana depois, as sapatilhas estão como novas e prontas para ser recolhidas em Lisboa, nas lojas Son of a Gun ou Crack Kids, ou em Setúbal, no lounge LiveItUp.

O preço de uma limpeza simples começa nos 15 euros, mas pode necessidade de extras como a desoxidação ou a limpeza profunda da sola. Não existe um valor máximo, porque todos os restauros são feitos sob orçamento. Para ficar a conhecer melhor o trabalho de Leonor, pode visitar a página de Instagram da Shoelé.

Se também não resiste a um par de sneakers, carregue na galeria para conhecer os modelos que vão fazer sucesso em 2023.

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