Foi durante uma viagem à Índia no final de 2022 que Amanda Ho se deixou fascinar pelas cores e padrões usados pela técnica de impressão ancestral de block printing. Conheceu artesãos locais, assistiu à utilização da técnica e, no regresso a Portugal, descreveu tudo ao namorado, Tomás Delft.
Curiosamente, o jovem de 29 anos e os amigos Daniel Frade e Tiago Morais, 30, já estavam há três meses à procura de um processo de produção sustentável para criar camisas estampadas. Até já se tinham cruzado com este método durante as suas pesquisas, mas havia um problema. “Não existia ninguém em Portugal que o fizesse”, começa por contar Tomás à NiT.
Entretanto, decidiram entrar em contacto com os artífices que Amanda conheceu para fazerem parte do projeto que estavam a esboçar. Fizeram várias reuniões por videochamada e decidiram que podiam contar a sua mestria para concretizar os padrões que estavam a idealizar. E fazem-no sem recurso a maquinaria ou sem químicos.
Lançada a 25 de julho, a Mush é uma nova marca nacional de camisas produzidas em tecidos 100 por cento naturais — algodão, algodão orgânico ou linho. Todas as peças são desenhadas em Lisboa, pelos três amigos, mas nascem através das mãos e do know-how de vários artesãos indianos.
“Gostávamos todos de usar peças deste género e começámos a pensar como é que poderíamos fazer algo juntos. Mas não podia ser algo qualquer, porque percebemos que é a nossa forma de sermos únicos e passarmos a nossa boa energia”, acrescenta sobre a origem da ideia.
Nenhum dos três tinha formação na área da moda. Tomás trabalha na criação de marcas, enquanto Daniel e Tiago — que se conheceram na mesma empresa — tinham ambos conhecimentos na área das finanças. Ainda assim, nenhum hesitou na hora de avançar.
Abstratos e casuais, os desenhos destacam-se ainda pelo uso de botões de madeira que reforçam a aparência de peças feitas à mão. “Eliminámos os plásticos e tudo o que não é biodegradável. Grande parte da roupa acaba em aterros e não queremos contribuir para isso.”
Um dos pontos diferenciadores da Mush é a proximidade dos clientes, algo que é feito através da Comunidade. Trata-se de um grupo que pode subscrever gratuitamente online e que lhe dá oportunidade de votar nos padrões a produzir e encomendar a novidade antes de ser lançada. No final, conta ainda com um desconto de 10 por cento na adesão.
A marca aposta ainda na exclusividade, uma vez que só produz edições limitadas, entre 30 a 60 unidades, por cada modelo. Isto significa que a probabilidade de encontrar alguém a usar a mesma peça na rua é muito rara, sobretudo porque não vão repor o stock assim que as peças esgotarem.
Além da presença digital, decidiram colocar a primeira coleção à venda num ponto de venda física. Optaram pela pop up store Goa, por estar entre Lisboa e Cascais. Porém, o plano para os próximos lançamentos passa por dispersar o stock entre outras lojas. “Se avançarmos, vamos aumentar a oferta de produtos”, conclui.
Por enquanto, todas as peças da Mush estão à venda no site da marca entre os 75€ e os 80€. Carregue na galeria para conhecer a primeira coleção.







