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Kamala e Amala (Índia)

A história das duas crianças encontradas em Bengala, em outubro de 1920, por Joseph Amrito Lal Singh, responsável por um orfanato na mesma zona, tem gerado muita controvérsia ao longo dos anos. Segundo Serge Aroles, na sua obra de 2007, "L'énigme des enfants-loups : une certitude biologique mais un déni des archives, 1304-1954", a história não demonstra coerência e contém elementos fabricados, sendo apenas uma invenção de Singh. 

Contudo, o que Singh documenta no seu diário é que encontrou duas crianças em 1920 numa floresta, junto de uma alcateia de lobos que terá criado as crianças. Kamala teria cerca de oito anos, Amala aproximadamente um ano. Singh resgatou as crianças e levou-as para casa, tendo documentado toda a sua história num diário. 

De acordo com o testemunho de Singh, as crianças não falavam, caminhavam em quatro patas, como os animais, e apresentavam calos nas mãos e joelhos. Comiam apenas carne crua, rosnavam e mordiam quem se tentava aproximar delas e tinham a audição, cheiro e visão bastante desenvolvidos. 

Singh tentou educar as crianças, sem grande sucesso. Amala, a mais nova, terá morrido em 1921 com uma infecção renal. Depois disso, Kamala começou a apresentar sinais de maior interacção, tendo mesmo aprendido a andar e a dizer algumas palavras. A jovem terá morrido em 1929, com tuberculose. 

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