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Crítica: “A Guerra dos Tronos” – recolher os cacos

O primeiro episódio da sexta temporada já chegou, e Jon Snow continua morto e bem morto.

Não é fácil fugir à expetativa para o primeiro episódio da série mais vista dos últimos tempos, principalmente depois do final dramático com que a quinta temporada se despediu. Mas, para quem já anda nisto há seis anos, seria de esperar que as coisas começassem a uma velocidade diferente daquela com que tudo terminou. É por isso que “A Mulher Vermelha” se dedica, essencialmente, a recolher alguns dos cacos da loiça partida há um ano. A NiT acompanhou a antestreia da série, esta segunda-feira, no El Corte Inglés.

Primeiro vamos tirar do caminho os empecilhos do costume – Dorne. É difícil compreender como é que as pessoas que escrevem cada palavra que sai da boca de Davos Seaworth (Liam Cunningham), Melisandre (Carice van Hauten), Varys (Conleth Hill) e Tyrion (Peter Dinklage) são as mesmas que escrevem a trovoada de larachas que é a cidade mais a sul de Westeros. O trabalho feito com Doran Martell (Alexander Siddig), Areo Hotah (Deobia Oparei) e as Sand Snakes (filhas de Oberyn Martell) é lastimável. O que é terrível para os leitores, dado que o sul é a zona predileta de grande parte da fan base. Se tudo o que a quinta temporada tinha tentado fazer com este leque de personagens falhou, a sexta não podia ter começado de pior maneira.

Que a Muralha é de gelo já todos sabíamos, mas nunca ali o ambiente esteve tão frio

Em segundo lugar, para o negativo: Brienne (Gwendoline Christie). Desde o fabuloso final da quarta temporada que esta personagem parece estar dentro de um videojogo. Vai saltitando de check-point em check-point, salvando o dia de uns, atrasando o de outros, tudo muito conveniente e sem grande progressão narrativa. Vamos esperar que este tenha sido o último surto de “oportunismo” de Brienne of Tarth.

De resto, a aguardada reação de Cersei (Lena Headey) à morte da filha Myrcella (Nell Tiger Free) e o encontro entre Daenerys (Emilia Clarke) e Khal Moro (Joseph Naufahu) são momentos que prometem lançar novas direções narrativas para as personagens em questão. A cena da ‘wanna-be-rainha’ Targaryen, contudo, sofre daquele síndrome já habitual nos primeiros episódios de cada temporada de “A Guerra dos Tronos”: reintrodução e exposição incontida. Fica a ideia de que os criadores, David Benioff e Dan Weiss, queriam certificar-se que a audiência ainda se lembrava dos Dothraki, e, portanto, fizeram uma cena nem cómica nem tensa que basicamente volta a apresentar o espírito dos cavaleiros. Ah, e uma nota: Arya (Maisie Williams) está mesmo cega.

O melhor de “A Mulher Vermelha” foi, sem sombra de dúvida, o norte. O episódio abre com um plano majestoso – uma valente vénia ao realizador Jeremy Podeswa – que alinha com a Muralha, sobrevoando Castle Black e assentando no corpo caído e gelado de Jon Snow. Em fundo, ouvem-se os latidos do direwolf Ghost. Que a Muralha é de gelo já todos sabíamos, mas nunca ali o ambiente esteve tão frio. A tensão entre os irmãos da Night’s Watch está no auge, e convém que ninguém se esqueça dos dez mil Wildlings que no final da passada temporada passaram para o lado de cá. Afinal, a única pessoa que os tentava compreender e aceitar como são foi esfaqueada seis vezes.

Dizer alguma coisa sobre o final do episódio estragaria a surpresa e, por isso, a NiT optou por dar-lhe apenas uma pista: apesar de Jon Snow ter sido o tópico mais debatido do ano que passou, durante esta semana falar-se-á apenas de Melisandre.

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