Cinema

Crítica: “O Bebé de Bridget Jones” tem um parto meio conseguido

História é retomada 12 anos depois do último filme. Sai Hugh Grant, entra Patrick Dempsey.

“Mas quem será, mas quem será? Mas quem será o pai da criança?” Podia ser resumido com esta canção “O Bebé de Bridget Jones” — que estreia nos cinemas portugueses esta quinta-feira, 15 de setembro.

Bridget Jones tem 43 anos e depois de uma longa travessia do deserto envolve-se com dois homens em poucos dias. Engravida, claro. Não faz ideia de quem é o pai, pois claro. Era possível mais clichê do que isto? Não era, mas nem tudo é mau neste terceiro filme da solteirona mais trapalhona de Londres — que chega 12 anos depois de “O Novo Diário de Bridget Jones”.

A primeira parte do filme é refrescante, com a apresentação da vida atual de Jones: vive no mesmo apartamento mas é agora produtora de um noticiário televisivo e uma das suas melhores amigas é Miranda (Sarah Solemani), a pivot, bastante mais nova do que ela e cheia de energia. As duas vão para um festival de música, com momentos que proporcionam verdadeiras gargalhadas e ainda uma passagem de Ed Sheeran muito bem introduzida.

É aí que conhece Jack (Patrick Dempsey), um homem que se tornou milionário por ter inventado uma qualquer fórmula matemática sobre o amor e que é agora uma espécie de guru de relações. Dias depois, reencontra o grande amor da sua vida, Mark Darcy (Colin Firth).

Enquanto percebemos porque é que Bridget Jones suspira por Jack — afinal ele era o McDreamy, de “Anatomia de Grey” —, Mark parece uma personagem enfiada à força neste argumento. Tinha mesmo de ser já que também não há Hugh Grant. Firth tem 56 anos mas parece ter 70, as peles do pescoço estão penduradas e as rugas na cara dão-lhe demasiada sabedoria para este tipo de comédias românticas. Não tendo carisma visual imediato, esta personagem podia compensar em personalidade. Não acontece. Está mais emproado e atado do que nunca e, se isso até podia ser cativante na história inicial, aqui não é. Desculpem mas há coisas que têm de ser ditas.

Com Renée Zellweger parece que estamos a jogar às escondidas: fechamos e abrimos os olhos, vemos aquela testa que não mexe depois de tantas cirurgias plásticas; fechamos e abrimos os olhos, vemos a mesma Bridget de sempre, com a boquinha de peixe e os olhos perdidos depois de ter feito asneira. Ela não fazia cinema há seis anos e, contrariamente aos que dizem que é péssima atriz, se há papel que lhe assenta bem, é este e continua a ter a mesma piada ouvi-la dizer “fuck”.

Emma Thompson juntou-se a Helen Fielding (autora dos livros que deram origem aos filmes) e a Dan Mazer para escrever o argumento. Sim, leu bem, Emma Thompson. Para ela própria arranjou uma obstetra que embarca na loucura de Bridget Jones, o que proporciona das melhores cenas desta comédia.

Quando é que tudo isto se torna aborrecido? Quando os dois homens descobrem que qualquer um deles pode ser o pai e lutam pela atenção dela. As piadas continuam lá e são boas (é preciso ser apreciador do tão característico humor britânico) mas o sentimentalismo que a história ganha não é benéfico.

O parto d’“O Bebé de Bridget Jones” é, até chegar ao hospital, rápido e cheio de momentos non-sense que darão histórias hilariantes mais tarde; lento e doloroso no momento de expulsar a criança e encerrar esse capítulo. É, na verdade, como qualquer parto da vida real.

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