Televisão

“A Desordem que Deixas” é a nova série espanhola da Netflix que promete ser viciante

Diz o ditado que “de Espanha, nem bom vento, nem bom casamento”. Mas sobre séries parece não haver nada a apontar.
Uma ameaça paira no ar.

Tem mistério, drama, suspense e ação. E não, não é a nova temporada de “La Casa de Papel”. Ainda assim, parece não haver dúvidas: continuam a estrear entre nós produções espanholas da Netflix capazes de colar os espectadores ao ecrã.

Num ano em que a plataforma de streaming nos deu, entre outras, séries e minisséries com distopias, mistérios bíblicos ou chantagens implacáveis, há ainda tempo para mais uma novidade ainda antes de o ano acabar.

“A Desordem que Deixas” é a nova produção espanhola da Netflix, que estreou na sexta-feira, 11 de dezembro. Desta feita, vamos acompanhar uma professora a caminho da sua nova escola, na Galiza. Ela é quem chega de fora, a figura estranha que aterra num pequeno mundo onde toda a gente se conhece e os segredos se vão perpetuando.

Raquel (Inma Cuesta) é esta nova professora que chega a uma escola, substituindo a docente anterior, Viruca (interpretada pela vencedora de um Goya Bárbara Lennie). Mas esta não é uma simples troca de colegas.

À procura de uma nova fase de vida, Raquel muda-se com o seu companheiro para a aldeia. Mas os planos para uma nova vida mais tranquila vão ser rapidamente abalados. Raquel fica a saber que a sua antecessora se tinha suicidado, mas depressa percebe que a morte é mais suspeita do que a que a querem fazer crer.

A série promete saltos temporais entre o passado e o presente, que vão permitir elos de ligação entre as duas personagens, que nunca se chegaram a conhecer. De caminho, vão-se colocando novas pistas mas também novas dúvidas sobre o que se passou e quem será o culpado.

Uma professora num mundo estranho.

Viruca recebera ameaças antes da sua morte. Raquel, por seu lado, ainda mal começou a dar aulas e já vai percebendo a hostilidade que existe. Não demora muito até que esta experiência de se adaptar a uma nova escola se torne um mistério de quem luta para descobrir o que se passou (e garantir que não tem o mesmo trágico fim).

O thriller psicológico inspira-se no livro do mesmo título, lançado em 2016. Premiado pelo seu trabalho, o escritor Carlos Moreno surge agora como criador da série, transpondo o mistério das páginas do seu livro para o ecrã. Não foi uma novidade para ele: Moreno é também o criador da elogiada “Elite” (e não por acaso há alguns nomes no elenco que se repetem neste novo projeto). Na verdade, este poderá ser um daqueles casos em que a expressão “o livro era melhor” poderá não se aplicar.

Em entrevista recente, Carlos Moreno explicava que ao adaptar a sua história para televisão percebeu que queria dar mais protagonismo a Viruca, a professora cuja morte abre caminho ao mistério. Na série, acabou por dar quase tanto tempo de destaque à antiga como à professora substituta. E o próprio admite que “se voltasse a escrever o livro agora seria mais como a série”.

Adaptar um livro a um filme geralmente implica deixar muita coisa da história de fora. Mas o facto de ser uma série deu ao autor alguma margem. “Não ficou quase nada de fora” nestes oito episódios que compõem a minissérie, conta. Melhor ainda: a pandemia não estragou os planos.

As filmagens acabaram em março a uma sexta-feira. No dia seguinte, sábado, Espanha entrou em confinamento geral. “Tivemos muita sorte.” Os meses que se seguiram permitiram ir trabalhando em todo o lado de montagem e pós-produção.

O resultado é o que já podemos descobrir, com uma nova estrutura em relação ao livro original, o que permitiu também trabalhar o lado do mistério e não tanto a obsessão da professora substituta. A escolha da Galiza como cenário também não foi acaso.

Havia ali um clima e ambiente rurais que traziam uma beleza muito própria mas também um certo ar intimista — algo que aqui permite também deixar Raquel sentir-se quase que cercada, num mundo que não é o dela. É a ela que agora nos juntamos, como espectadores, à espera de ver o que aconteceu e, mais importante ainda, o que irá acontecer. Será que a trágica história se repete?

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