Os Thirty Seconds to Mars não se limitam a dar concertos. Criam verdadeiros momentos de comunhão. E foi isso que aconteceu este sábado, 19 de julho, no encerramento do segundo dia do MEO Marés Vivas, em Vila Nova de Gaia, com um espetáculo onde nem a chuva conseguiu travar o entusiasmo do público (e da banda). Foi uma noite de euforia, partilha e de muitos efeitos visuais intensos. Uma noite que terminou com inúmeros fãs da banda a subir ao palco.
Fundada no final dos anos 90 pelos irmãos Jared e Shannon Leto, a banda norte-americana tornou-se uma referência no rock alternativo com uma abordagem cinematográfica, hinos épicos e uma ligação profunda aos seguidores do grupo, como ficou demonstrado no álbum “This is War” (2009) que foi lançado com duas mil capas diferentes, todas criadas por fãs — um gesto que encapsula a relação especial que a banda cultiva com a sua comunidade global. Portugal sempre foi ponto de passagem, e depois de terem passado no mesmo festival em 2013, voltaram a deixar a sua marca.
Com pontualidade inatacável, às 23h30 em ponto as luzes apagaram-se e abriram caminho a batidas eletrónicas e um jogo de luzes frenético, que antecipava a entrada da banda. Quando finalmente subiram ao palco, o público explodiu ao ver Jared Leto, de braços abertos, a acolher o aplauso de milhares de fãs. A abrir, “Monolith” colocou a plateia a entoar os acordes iniciais e deu o mote para uma noite em que ninguém ficou parado.
Ao terminar a primeira música, Jared agradeceu em português e, de imediato, acendeu o rastilho para as faixas seguintes. Sempre em movimento, incentivou o público a cantar, a saltar, a gritar e a corresponder à vibração vinda do palco. Em todo o recinto, mãos erguidas, bandeiras a ondular e rostos emocionados.
Todos os concertos da atual digressão têm tido um elemento surpresa. Há dois dias no Marenostrum Fuengirola (Espanha), Leto surpreendeu ao surgir pelos ares, suspenso numa tirolesa. No Porto, o momento especial chegou pouco antes de “Rescue Me”. Os irmãos Leto gravaram um vídeo juntos a cumprimentar o público. Pouco tempo depois, seis fãs da primeira fila foram convidados aleatoriamente a subir ao palco e cantaram com Jared, num dos momentos mais emocionantes da noite. Houve abraços, selfies e lágrimas.
Durante a noite ouviram-se outros hinos como “Kings and Queens”, “This Is War” e “Stuck”, sempre acompanhados de fumo, fogo-de-artifício, balões gigantes, labaredas e triângulos luminosos. Não houve tempo para respirar. Nem mesmo em “Seasons”, um dos momentos mais intimistas do concerto, acompanhado pelas vozes do público e a luz das lanternas dos telemóveis.
A chuva que caiu desde o início do concerto serviu apenas para tornar o ambiente ainda mais cinematográfico. “Portugal, estão vivos aí?”, perguntou várias vezes Jared. A resposta foi sempre um rugido coletivo. “The Kill (Bury Me)” e “Closer to the Edge” fecharam o alinhamento com descargas de pura emoção.
Jared despediu-se com um “obrigado, família” — e prometeu regressar. Esta segunda noite do Marés Vivas, os Thirty Seconds to Mars não deram apenas um concerto. Criaram uma memória coletiva, feita de fogo, suor, chuva e música. Mas ninguém levará para casa memória melhor do que a dos seis fãs que concretizaram o sonho em cima do palco, ao lado dos seus ídolos.
Reveja a setlist do concerto deste segundo dia de Marés Vivas.
— “Monolith”
— “Walk on Water”
— “Kings and Queens”
— “Up in the air”
— “Rescue Me”
— “From Yesterday”
— “Hail to the Victor”
— “A Beautiful Lie”
— “Hurricane”
— “Attack”
— “Do or Die”
— “Night of the Hunter”
— “Stuck”
— “The Kill (Bury Me)”
— “Closer to the Edge”
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