Cinema

9 meses depois da chapada nos Óscares, Will Smith regressa com novo filme

O ator passou os últimos tempos em terapia, fez um retiro na Índia e só recentemente voltou às redes sociais.
Will Smith protagoniza "Emancipation".

A vida de Will Smith mudou em 2022. No final de março, na cerimónia dos Óscares, reagiu da pior forma a uma piada de Chris Rock que visava a sua mulher Jada Pinkett Smith. Agrediu o humorista em direto, perante o choque de todos os presentes e dos milhões de espectadores em casa. Acabou por terminar a gala visivelmente transtornado, em lágrimas, mas com o Óscar de Melhor Ator nas mãos.

As ondas de choque fizeram-se sentir ao longo dos dias e semanas seguintes. Foi um assunto mediático em todo o planeta — tanto que chegamos agora ao final do ano e o nome de Will Smith foi um dos mais pesquisados online durante 2022, o que prova o quão discutida foi a agressão nos Óscares. 

A Academia acabou por decretar a proibição de Will Smith de participar na cerimónia durante os próximos dez anos. E vários projetos do ator foram postos em pausa — os vários estúdios estariam certamente receosos pela sua imagem pública. O thriller “Fast and Loose”, da Netflix, ficou em suspenso. E a Sony preferiu não avançar, por enquanto, com o quarto filme de “Bad Boys”. O ator terá perdido outros papéis para os quais estava a ser considerado em Hollywood.

O regresso aconteceu no dia 9 de dezembro, passados nove meses. Will Smith é o protagonista de “Emancipation”, o novo filme de Antoine Fuqua, que estreia agora na plataforma de streaming Apple TV+. Já tinha sido gravado antes do incidente dos Óscares e era até apontado como um forte candidato à edição de 2023.

O argumento conta a epopeia de um escravo americano que no século XIX foge através dos pântanos do Louisiana numa jornada desafiante para alcançar a sua liberdade e dignidade — enquanto foge dos donos das plantações, que quase o mataram. Apesar de grande parte da narrativa ser fictícia, o filme foi parcialmente inspirado pela história real de Gordon, um escravo que era chicoteado — e cujas fotografias, publicadas em 1863, deram força ao movimento abolicionista, que defendia que as práticas de escravatura nos EUA eram profundamente violentas e cruéis.

Os últimos meses foram sobretudo de silêncio por parte de Will Smith. Um dia após os Óscares, o ator partilhou um comunicado onde pedia desculpa a Chris Rock — depois de não o ter feito na própria cerimónia — e frisava que o seu comportamento tinha sido inaceitável e indesculpável, além de condenar todos os atos de violência.

Quatro meses depois, no final de julho, publicou um vídeo onde respondia às perguntas que mais lhe faziam nas redes sociais. Abordou o assunto novamente, explicando que Chris Rock não se tinha mostrado disponível para conversar.

“Contactei o Chris e a mensagem que veio de volta dizia que ele não estava preparado para falar, e quando estiver há-de me contactar. Por isso, digo ao Chris: peço-te desculpa. O meu comportamento foi inaceitável e estou aqui quando estiveres preparado para falar”, disse Will Smith, no vídeo que partilhou nas suas redes sociais.

Depois, foi a partir de agosto (e de forma tímida) que Will Smith começou a usar com alguma regularidade as redes sociais — partilhando vídeos engraçados ou relacionados com o seu dia a dia. As publicações intensificaram-se nos últimos meses e semanas, quando o ator começou a promover ativamente este novo filme, “Emancipation”, que marca o seu regresso.

“Ele está com remorsos profundos, ainda está a fazer muito trabalho e é humano e cometeu um erro. Vai seguir em frente com a positividade que sempre teve”, descreveu uma fonte anónima, próxima, à revista “People”, durante o verão. 

Nos meses que se seguiram à agressão, a imprensa norte-americana noticiou que Will Smith estava a fazer terapia graças ao que tinha acontecido — e o ator referiu naquele vídeo de perguntas e respostas que o trauma central na sua vida era quando desiludia pessoas, o que tinha acontecido com muita gente a partir daquele momento. 

O ator também foi visto na Índia, onde alegadamente terá feito um retiro espiritual ligado à meditação e ao ioga. “Ele trabalhou com um terapeuta, as pessoas viram-no na Índia num retiro, mas muito tem sido feito de forma silenciosa em casa”, disse a mesma fonte à “People”.

O ator ter-se-á dedicado mais à família, sem participar em eventos públicos. Jada Pinkett Smith e os filhos, por seu lado, mantiveram os seus projetos. Embora se recusassem sempre a discutir o caso que envolveu Will Smith e Chris Rock. Para o ator, este pode ser o início do recomeço da sua carreira.

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