Cinema

A atribulada vida familiar que vai obrigar Sandra Bullock a interromper a carreira

Após um divórcio complicado, a atriz de 57 anos adotou duas crianças e decidiu voltar a parar, antes da estreia do novo filme.
"A Cidade Perdida" é o seu novo filme

“Neste momento preciso de estar num sítio que me faça feliz. E não sei quanto tempo é que isso irá durar.” A decisão de Sandra Bullock surgiu na altura menos previsível. A atriz de 57 anos parecia estar de volta em força, depois de dois enormes sucessos na Netflix, mas é precisamente antes da estreia do seu novo trabalho que decide parar. Por enquanto.

“Não sei se será [uma paragem] longa ou curta, mas sei que é o que quero fazer durante algum tempo”, concluiu a atriz que se prepara para lançar o potencial blockbuster “A Cidade Perdida”.

O filme, que conta com a participação de Channing Tatum e Daniel Radcliffe, é uma comédia de aventura e ação. Bullock interpreta uma escritora de romances em apuros. Já Tatum é o bonito modelo que posa nas capas dos seus livros. O ator de Harry Potter, por sua vez, faz de raptor de Bullock, um bilionário que vê nela a chave de um grande tesouro.

Trata-se de um conceito curioso, sobretudo quando se olha para os seus dois últimos filmes bem-sucedidos no streaming. “Bird Box”, o filme de terror e ficção científica, morou várias semanas no top da Netflix quando estreou em 2018. O mesmo sucedeu com o drama “Indesculpável”, que chegou a ser falado para potenciais nomeações para os Óscares — que não se concretizaram.

“Levo o meu trabalho muito a sério e quando estou a trabalhar, faço-o 24 horas por dia. Neste momento só quero estar 24 horas podia com os meus bebés e com a minha família”, justificou sobre a pausa.

Os fãs poderão ainda ver “A Cidade Perdida”, que chegou aos cinemas a 14 de abril; e terão que esperar mais uns meses por “Bullet Train”, o filme com Brad Pitt que será a última produção de Bullock durante os próximos tempos.

A mudança radical na vida de Bullock

Bullock tinha 40 anos quando o devastador furacão Katrina arrasou a costa sudoeste dos Estados Unidos e fez milhares de desalojados. Até então, a maternidade era algo que não preocupava a atriz. “Pensava que ‘talvez não quisesse’”, confessou. “Mas depois aconteceu o Katrina (…) o furacão arrasou Nova Orleães e algo me disse que o meu filho estaria lá. Foi muito estranho.”

Era uma fase duplamente complicada para Bullock, que nesse mesmo ano do desastre havia casado com Jesse James, o conhecido apresentador do programa de motas “Monster Garage”. A atriz decidiu ainda assim seguir o instinto e dar início ao processo de adoção.

Em janeiro de 2010, o casal acolheu um bebé recém-nascido e dado para adoção precisamente na cidade mais fustigada pelo furacão cinco anos antes. Foram quatro longos anos de espera que culminaram com a chegada de Louis.

“Diziam-me uma coisa lindíssima: ‘A criança perfeita vai encontrar-te. Vais encontrar a tua criança.’ Mas não acreditas nisso porque nada está a acontecer, continuas a questionar-te ‘onde está a minha família?’”, recordou.

A atriz com os dois filhos, Louis e Laila

A felicidade durou pouco tempo. Poucos meses após a adoção, chegavam à imprensa relatos de que Jesse James se teria envolvido com várias mulheres à margem do casamento com Bullock. O choque levou a que a atriz cancelasse todos os compromissos públicos.

James fez um comunicado público onde negou várias acusações, mas ainda assim fez um pedido de desculpas, deixando implícito que nem tudo seria mentira. “A larga maioria das alegações são falsas. Para lá disso, não irei dignificar este assunto privado com mais comentários públicos”, notou. “Há apenas um culpado nesta história toda e esse culpado sou eu.” Pediu que Bullock e a família o pudessem um dia perdoar.

Não foi suficiente. Bullock avançou com o divórcio e separou-se definitivamente em 2010, justificando-se com “um conflito de personalidades” dentro do casal. Esse foi também o pretexto para fazer a primeira pausa na carreira entre 2009 e 2011.

Três anos após a adoção, recordou Bullock, alguns dos seus amigos falavam à frente de Louis sobre as filhas. Terá sido a intervenção do filho que a convenceu a recorrer novamente à adoção: “Sim, eu ainda não tenho irmãs, mas vou ter uma.”

“Percebi que, na altura, talvez ele já soubesse de alguma coisa”, confessou Bullock que, à época, ainda não tinha decidido ter outro filho. “E quando penso nisso, ele deve ter dito isso mais ou menos na altura em que a Laila nasceu.”

Após o bem-sucedido “Gravity” e uma curta-metragem, ambos em 2013, Bullock voltou a parar até 2015. Cinco anos depois da chegada de Louis, a atriz de “Speed” anunciava com toda a pompa a adoção de outra criança, também negra, Laila, já com três anos.

Após a adoção de Laila, voltou a aguardar mais dis anos até lançar “Ocean’s Eight” e operar um regresso em grande através da Netflix. “Temos muita sorte por vivermos numa época em que podemos escolher como é a nossa família. E eu tive essa oportunidade”, notou em 2018.

Feita aos repelões, a carreira de Bullock não se tem ressentido apesar das diversas ocasiões em que a atriz prefere dar prioridade à família. Segue-se mais uma interrupção que, admite, não será definitiva.

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