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Cinema

“A Besta”: os portugueses estão a adorar o novo filme de pancadaria da Netflix

A produção italiana tem sido comparada a "Taken" e "Punisher", sobretudo pelo lado sombrio e violento.
Ator treinou durante meses para o papel.

Há quem diga que é a resposta italiana a “Busca Implacável” (“Taken”, no título original), thriller carregado de ação com Liam Neeson ao seu melhor estilo. Há cenas que lembram um pouco de “Joker” ou mesmo de um “Punisher”, a série da Netflix entretanto cancelada. Em comum, há qualquer coisa de figura torturada no protagonista e, claro, doses generosas de ação.

Careca, barbudo e com cara de poucos amigos, Fabrizio Gifuni é Leonida Riva, o protagonista de “A Besta”, um solitário veterano de guerra cujo dia a dia é assombrado por um passado violento, como antigo capitão das forças especiais. O ator é já um veterano multifacetado no cinema italiano, premiado por “Capital Humano” (2013), a que junta ainda uma passagem relativamente discreta por “Hannibal”, que marcou o regresso de Anthony Hopkins ao papel do canibal mais educado do cinema.

Apesar de Gifuni ser um cinquentão elegante — até já fez de Papa Paulo VI — aceitou interpretar esta espécie de “Rambo italiano”, como lhe chamou a imprensa do seu país. “Para nós, você é o nosso Liam Neeson, que faz teatro e cinema de autor. É um filme de ação, mas com atenção aos laços entre as personagens, às relações familiares. Não estamos interessados ​​em num ator só bem treinado fisicamente”.

Foram cinco meses de treino, não apenas para ganhar mais força física mas também para ser capaz de coreografar as cenas de luta. Foi seguido por treinadores, com quem trabalhava cinco vezes por semana, e a sua dieta passou a ser escolhida por terceiros. “Foi em boa altura que o filme chegou”, admitiu o próprio em entrevista.

“A cena mais complexa foi uma sequência de luta em que enfrento doze pessoas a descer três lances de escada”. Filmou-a cinco vezes, numa delas caiu e bateu com o nariz. “ouviu-se a pancada”, recordou ao “Corriere”. Nada de grave. Foi uma oportunidade, como conta o próprio, de aos 54 anos descobrir o quão bom e exigente um filme de James Bond. Nada mau para quem em miúdo era muito pouco dado a desportos e ao treino físico. “Foi muito libertador fazer isso através do cinema”.

Em “A Besta”, conhecemos Leonida durante uma sessão de terapia em que confessar que a dose que lhe permite levantar-se da cama já não é suficiente. É um homem divorciado, com um filho adolescente que nunca lhe perdoou a forma como o trabalho tomou conta da sua vida, e uma filha mais pequena que adora o pai a cada momento.

Leonida não é uma figura fácil. Cada palavra que sai da sua boca é dita sob austeridade. Fala porque tem que ser e ainda assim meio a custo, como se estivesse sempre revoltado. O passado parecia ser o tormento que ainda lá estava apenas como memória, mas um trágico incidente vai obrigar o antigo militar a voltar a ser quem era (num processo hiper violento).

Esmurrado, ensanguentado, cansado, Leonida é do tipo “antes quebrar que torcer”. No caso desta história, há um rapto que tem que resolver, mesmo sem a ajuda da polícia, já que Leonida não é do tipo que vá esperar pela ajuda das autoridades.

“A Besta” é uma produção Warner Bros. que chegou de forma discreta à Netflix na última sexta-feira, 27 de novembro. Ainda assim, reservou desde o início um lugar no pódio dos conteúdos mais vistos da plataforma, sinal de que o público português está cada vez mais à vontade com produções europeias.

O filme é escrito e realizado por Ludovico Di Martino, que entre curtas-metragens e produções televisivas mais desconhecidas tem aqui a sua segunda longa-metragem, depois de um elogiado “Il Nostro Ultimo” (2015. “A Besta” junta mistério e ação de um homem contra o mundo, numa receita aparentemente infalível. 

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