Cinema

A doença bizarra que afeta a carreira e o dia a dia de Brad Pitt

O ator diz que sofre de um distúrbio, embora nunca tenha sido diagnosticado. Muitos acham-no pretensioso e egocêntrico por causa disto.
A doença afeta uma em 50 pessoas.

Brad Pitt é um sex symbol, um dos principais nomes da indústria do cinema, formou dois dos casais mais mediáticos de sempre — com Jennifer Aniston e depois ao lado de Angelina Jolie — e recentemente tem vindo a mostrar que usa a roupa que ele bem entender. A sua relevância mantém-se.

Continua a ser o protagonista de filmes que são enormes sucessos de bilheteira e agora é a estrela de “Bullet Train: Comboio Bala”, que estreia esta quinta-feira, 4 de agosto, nos cinemas portugueses. Cinco assassinos a bordo de um comboio bala descobrem que todas as suas missões têm algo em comum — é esta a premissa da narrativa dirigida por David Leitch.

Ao longo da carreira, Brad Pitt não tem ouvido apenas elogios. Muitas vezes é chamado de “egocêntrico” ou “pretensioso”, algo que acabou por afetar a sua imagem aos olhos de parte do público. O ator explica, contudo, que por vezes é mal interpretado.

A culpa, segundo o próprio, é porque sofre de prosopagnosia — apesar de nunca ter sido oficialmente diagnosticado. Este distúrbio, também conhecido como “cegueira facial”, faz com que não consiga reconhecer rostos facilmente, e as interações sociais, algo crucial ao trabalho de um ator, tornam-se mais difíceis.

“Ninguém acredita em mim”, disse à revista “GQ” o ator de 58 anos em junho deste ano. A forma como começou a ser visto fez com que não quisesse sair de casa tão regularmente. “Muitas pessoas odeiam-me porque acham que as estou a desrespeitar. Dizem-me ‘estás a ser egoísta. Estás a ser pretensioso.’ Mas, para mim, é um mistério. Eu não sei porque é que não consigo reconhecer rostos.”

Embora tenha falado mais abertamente sobre este distúrbio nos últimos meses, sabe-se que o ator já sofre alegadamente com prosopagnosia há vários anos. Em 2013, falou sobre a sua situação com a revista “Esquire”, onde admitiu que mesmo que tenha tido uma conversa profunda com alguém, os detalhes do rosto da outra pessoa começam a desaparecer assim que se despedem. Da próxima vez que se encontram é “como se estivesse a conhecer uma pessoa nova”.

“Houve um ano em que decidi que ia simplesmente perguntar às pessoas onde nos tínhamos conhecido. Mas isso apenas piorou a situação. Ficavam ainda mais ofendidas. De vez em quando dão-me contexto e eu agradeço”, explica. Aqueles que não percebiam a situação ficavam zangados, e foi então que decidiu ir por um outro caminho. Começou a enganar as outras pessoas e fingia que as conhecia, até elas lhe darem uma pista ou um pouco de contexto até perceber realmente quem eram.

É um “síndrome bastante real”, explica Leah Croff, professora de neurologia no Hospital Universitário de Temple, ao programa “Good Morning America”. Estima-se que, globalmente, uma em cada 50 pessoas sofra de prosopagnosia. “Para algumas pessoas, pode ser apenas uma pequena dificuldade em associarem um nome a um rosto de um conhecido. Para outras, pode ser mais severo, tendo problemas em reconhecer os próprios amigos e família, ou dificuldade quando veem o próprio reflexo.” Nos Estados Unidos da América, cerca de 6,6 milhões de pessoas sofrem com aquele distúrbio.

“Acredito que o Brad Pitt tenha a mesma experiência que muitos pacientes, que sentem que algo não está certo, mas não sabem bem o quê e onde podem pedir ajuda. Se alguém achar que a história do Brad é semelhante à sua, o melhor é procurar ajuda para serem avaliados devidamente”, algo que o ator ainda não terá feito.

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