Cinema

A fadiga da Marvel (e dos filmes de super-heróis) é bem real. E vai estrear mais um

A última produção dos estúdios da Disney, "Guardiões da Galáxia Vol. 3", chega aos cinemas esta quinta-feira.
Sim, vem aí mais um filme da Marvel

A admissão veio do próprio presidente da Marvel quando, em fevereiro, reconhecia que a empresa lançava “demasiados conteúdos”. Um excesso que, confessava, tornava “mais difícil” a tarefa de se manter no centro de todas as conversas.

A saga começa em 2008, com o lançamento do primeiro grande filme, “Homem de Ferro”, um êxito de bilheteira que deu origem a uma autêntica máquina de fazer dinheiro — e filmes. Em 15 anos, a Marvel criou um mundo cinemático que se alarga a 37 filmes e nove séries televisivas.

Feitas as contas, para ver e perceber o universo criado pela Marvel — portanto, assistir a todos os filmes e séries —, seria preciso investir 367 horas. Mais concretamente, teria que se sentar no sofá durante 15 dias seguidos; ou 46 dias, se tratar a tarefa como um emprego a full time.

Para quem pensa em estrear-se, pode parecer uma tarefa dantesca; mas a vida não é menos fácil para o adepto casual e mesmo os fãs começam a revelar aquilo que tem sido vulgarmente chamada como a fadiga da Marvel. O excesso de conteúdos começa a desgastar as audiências — um problema exacerbado pelo surgimento natural de outros filmes de super-heróis, sobretudo da DC Comics, a grande rival.

Seja como for, a máquina não parece abrandar e esta quinta-feira, 4 de maio, chega aos cinemas mais um capítulo de “Os Guardiões da Galáxia Vol. 3”. E apesar de se tratar do último capítulo desta saga específica, a Marvel parece não ter planos para abrandar.

Em abril, a empresa decidiu anunciar os planos para a quinta fase do seu plano de expansão, isto apesar do camião de conteúdos lançados na quarta fase. Com início nos novos filmes de Ant-Man no final de Guardiõs da Galáxia, prepara-se ainda a chegada de pelo menos mais oito produções no próximo ano e meio.

Apesar da fadiga, o dinheiro não tem sido problema. Entre 2008 e 2019, estima-se que a Marvel tenha arrecadado mais de 22 mil milhões de euros em bilheteira um pouco por todo o mundo. Alguns deles foram também acompanhados de sucesso entre os críticos. E a fase quatro arrancou em beleza com o sucesso de “Spider-Man: No Way Home”, que bateu recordes de bilheteira. Porém, nem sempre tudo corre bem. “Eternals” foi completamente obliterado pela crítica, apesar de contar com a oscarizada Chloé Zhao na cadeira de realizadora.

Entre as críticas mais frequentes à fase quatro está a falta de um fio condutor, de falta de foco, precisamente fruto do excesso de conteúdos em tão curto espaço de tempo. A falta de consistência e os números decrescentes apontam precisamente para o nascimento de um potencial problema real: as pessoas estão cansadas da Marvel e dos super-heróis.

Quem debateu abertamente o tema foi James Gunn, realizador responsável pela saga de Guardiões da Galáxia — e hoje um dos líderes da rival DC Studios. “Todos adoramos o Super-Homem, o Batman, o Homem de Ferro. Gostamos deles porque são personagens incríveis que estão nos nossos corações. Mas se tudo não passar de uma série de disparates atirados para o ecrã, rapidamente se tornam aborrecidos”, explicou numa entrevista dada em abril à “Rolling Stone”.

O confuso mapa do mundo cinemático da Marvel

“Também me sinto cansado durante a maioria dos filmes de grande espetáculo, sobretudo quando não existe uma história bem definida. E isso não tem nada a ver com o facto de ser ou não uma produção com super-heróis.”

Para Gunn, o segredo está em manter a magia e uma narrativa coerente, que se destaque na imensidão de conteúdos produzidos. “Se não tiveres uma boa história na base, ver coisas a baterem umas nas outras — independente da forma esperta como o fazes ou do quão bons são os efeitos especiais — torna-se cansativo. E sim, penso que isso é muito, bastante real.”

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