Cinema

Academia dos Óscares rejeita filme português “Listen” — o candidato vai ter de ser outro

O filme de Ana Rocha de Sousa com Lúcia Moniz foi chumbado. Vai haver uma nova votação em Portugal.
"Listen" é o filme português mais visto do ano.

“Listen”, o filme de Ana Rocha de Sousa que venceu inúmeros prémios nos festivais de cinema internacionais, foi o escolhido pela Academia Portuguesa de Cinema para representar Portugal na candidatura ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, para a cerimónia que acontece a 25 de abril de 2021.

Contudo, foi informado esta sexta-feira, 18 de dezembro, que a Academia Americana de Cinema (AMPAS), que organiza os Óscares, chumbou a escolha de “Listen”. A produção que tem Lúcia Moniz num dos papéis principais não cumpre um dos requisitos: pelo menos metade do filme tem de ser falado em língua não-inglesa.

O uso do inglês na história tem muito a ver com a própria narrativa, tendo em conta que se centra numa família portuguesa emigrante a lidar com dificuldades no sistema de imigração do Reino Unido. Assim, a Academia Portuguesa de Cinema, que já tinha antecipado esta possibilidade, vai agora ter de fazer uma nova votação.

Os candidatos que sobram são “Mosquito”, do realizador João Nuno Pinto; “Patrick” de Gonçalo Waddington; e “Vitalina Varela”, de Pedro Costa. As votações decorrem até ao final de domingo, 20 de dezembro.

“Ainda na fase de consideração de todos os filmes nacionais potencialmente elegíveis contactámos a AMPAS no sentido de obter esclarecimentos que fundamentassem a decisão de excluir ou incluir o filme de Ana Rocha de Sousa da lista de candidatos em consideração. Em resposta à APC, a AMPAS comunicou que apenas poderiam deliberar sobre a elegibilidade de um filme após o encerramento do prazo regular de submissões, existindo sempre a possibilidade de submeter um novo candidato caso o primeiro fosse rejeitado. Atendendo ao facto de que o filme justifica o recurso à língua inglesa por retratar a história de um casal emigrante português em Londres, e que uma parte considerável do mesmo tem diálogos em português e em língua gestual, o filme foi pré-selecionado pelo comité de seleção e acabou por ser o mais votado pelos membros da APC. Sabíamos que a aceitação do filme enquanto candidato de Portugal dependeria da flexibilidade do comité internacional da AMPAS e estávamos confiantes de que o contexto particular desta candidatura justificaria a sua aceitação, mas no final isso acabou por não acontecer”, disse o presidente da Academia Portuguesa de Cinema, Paulo Trancoso.

Leia também a entrevista da NiT com Lúcia Moniz, a propósito de “Listen” e da sua carreira.

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