Cinema

Afinal, “Top Gun” é um filme gay? Produtor diz que nunca foi essa a intenção

O filme estreou há 35 anos e Jerry Bruckheimer falou sobre esta interpretação da história.
Tom Cruise protagonizou o filme.

A 16 de maio, “Top Gun — Ases Indomáveis” celebrou o seu 35.º aniversário. O filme realizado por Tony Scott catapultou definitivamente Tom Cruise para a fama, numa história que se focava numa academia de elite de pilotos de guerra. A 18 de novembro deste ano, chega a muito esperada sequela, “Top Gun: Maverick”, que já devia ter estreado nos cinemas em 2020, mas que foi adiada por causa da pandemia.

“Top Gun” tornou-se um dos filmes mais populares dos anos 80. Além do ambiente competitivo e das muitas cenas captadas no ar, cheias de adrenalina e de manobras arriscadas de aviões, havia, claro, um romance em terra — entre as personagens de Tom Cruise e de Kelly McGillis. A popularidade foi tanta que houve até um pico de inscrições nas forças armadas americanas após a estreia nos cinemas.

Porém, o filme também foi interpretado de uma maneira diferente, tendo sido encarado como tendo uma aura gay. Essa teoria ficou imortalizada por um monólogo de Quentin Tarantino no filme “Sleep With Me”, de 1994. 

Em personagem, o realizador americano defende que, na verdade, “Top Gun” — que tem “um dos melhores guiões de sempre de Hollywood” — é “uma história sobre a luta de um homem para lidar com a própria homossexualidade”.

“Tu tens o Maverick, certo?”, diz Tarantino no filme. “Ele está no limite. E tens o Iceman, e todo o seu grupo. Eles são gay, eles representam os homens gay, ok? E eles estão a dizer: vai pelo lado gay, vai pelo lado gay. Ele podia ir por ambos os lados… A Kelly McGillis é a heterossexualidade. Ela diz: não, não, não, vai pelo lado normal, joga pelas regras. É isto que acontece durante todo o filme”, defende a personagem, que facilmente se confunde com o próprio realizador.

Esta perspetiva sobre a dualidade que está em conflito no filme — e tendo em conta algumas cenas que já foram consideradas por publicações de referência como “homoeróticas”, como a do jogo de voleibol na praia, em que há vários planos centrados nos corpos dos protagonistas masculinos, ou aquelas passadas nos balneários — deixaram “Top Gun” associado de alguma forma ao cinema gay. Uma pesquisa rápida online chega para encontrar dezenas de artigos ou discussões em fóruns sobre o assunto.

Numa entrevista que serviu para assinalar o 35.º aniversário do filme, feita pela “Vulture”, um dos principais produtores de “Top Gun”, Jerry Bruckheimer, disse que aceita a interpretação homoerótica do filme, ainda que não tenha sido essa a intenção.

“Quando fazes um filme, as pessoas podem interpretá-lo da maneira que quiserem, e ver lá coisas que os produtores não tinham ideia que estavam a captar”, disse Bruckheimer. “Por isso, ficamos surpreendidos cada vez que ouvimos falar sobre os filmes que fazemos, quando não há um contexto real do lado dos cineastas. Mas ainda assim há uma relevância dessas questões, porque as pessoas acreditam nelas.”

Jerry Bruckheimer diz que sempre encarou aquele monólogo de Quentin Tarantino como um elogio. “O Tony [Scott] e o Quentin eram grandes amigos. Havia uma grande camaradagem e respeito entre eles. Por isso, vindo do Quentin, seria sempre um elogio.”

Tarantino é realmente um fã de “Top Gun” e revelou no podcast ReelBlend que questionou várias vezes Tom Cruise sobre o porquê de querer regressar à história com uma sequela, após a morte de Tony Scott, que faleceu em 2012. Cruise terá explicado a Tarantino que o novo guião levava a sua personagem para uma direção que foi demasiado apelativa para ele poder recusar. O resultado chega em novembro aos cinemas portugueses.

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