Cinema

Ainda falta muito para os Óscares, mas “Belfast” já é um dos principais favoritos

O filme de Kenneth Branagh venceu o People's Choice Award em Toronto. É um drama familiar sobre os conflitos na Irlanda nos anos 60.
O filme estreia em novembro.

A edição de 2022 dos Óscares está marcada para 27 de março. Ainda faltam longos meses para que os principais favoritos se comecem a destacar, mas há um filme que está claramente a dar nas vistas. Acaba de receber o People’s Choice Award no TIFF, o prestigiado festival de cinema de Toronto — nos últimos dez anos, nove filmes vencedores do prémio foram nomeados para a categoria de Melhor Filme nos Óscares.

Falamos de “Belfast”, drama a preto e branco escrito e realizado pelo também ator Kenneth Branagh, naquele que é o seu filme mais pessoal. Acompanha um jovem rapaz e a sua família de classe trabalhadora, nos atribulados anos 60, durante os conflitos entre protestantes e católicos na Irlanda e Irlanda do Norte.

O filme é diretamente inspirado na infância de Branagh, que nasceu e cresceu em Belfast durante esta década. É semi-autobiográfico, já que também inclui elementos fictícios e pretende não contar a história de uma família específica, mas fazer um retrato de uma família comum na época.

Jamie Dornan e Caitriona Balfe interpretam um casal, os pais desta família que tenta escapar de Belfast. O elenco inclui ainda Ciarán Hinds, Judi Dench, Colin Morgan, Lara McDonnell ou o pequeno Jude Hill (o enredo é contado da sua perspetiva).

“Num dos nossos primeiros dias juntos, o Ken pôs-me a mim, à Judi, ao Ciarán e ao Jamie na mesma sala. E falámos das nossas infâncias. O Ken fez imensas perguntas, todos nós partilhámos. Apesar de esta ser a história do Ken, ele queria que nos relacionássemos com as coisas que nos são pessoais, e que encontrássemos semelhanças entre nós e os nossos pais”, disse Balfe numa entrevista à “Entertainment Weekly”.

Os irmãos de Kenneth Branagh fizeram inclusive pequenas participações no filme e puderam conversar com os atores sobre as suas experiências. Caitriona Balfe diz ainda que, apesar de não ter crescido na Irlanda do Norte, viveu muito perto da fronteira e revelou que aquela realidade influenciava bastante a sua vida.

“O meu pai, que era sargento na polícia, foi transferido para a fronteira quando eu era bebé. As nossas vidas foram completamente moldadas por isso. Inicialmente não fomos bem recebidos, porque as pessoas naquela zona olhavam para a polícia com muita desconfiança. Durante a pesquisa que fiz, vi tantas imagens daquela época. Quando vês que as tuas próprias pessoas e estas comunidades foram destruídas por esta ideologia e sectarismo ridículo…”

Jamie Dornan e Ciarán Hinds são de Belfast, enquanto a mãe de Judi Dench era irlandesa. “Por isso sentimos todos uma ligação ao filme.” Apesar de o cenário de fundo ser sociopolítico, a narrativa centra-se mesmo no seio de uma família.

“Quando recebes um guião sobre a Irlanda do Norte, é sempre sobre a ideologia. E isto foi sobre as pessoas, a comunidade, o coração. Foi especial celebrar isto. Sentes uma responsabilidade para garantir que isto é que é importante, e é especialmente relevante agora por causa do Brexit, em que as coisas estão a aquecer novamente. Queres que as pessoas vejam que isto é que é importante: esta treta do nosso lado, o lado deles, o Ken aborda isso muito bem no filme. É tão ridículo.”

As gravações aconteceram no ano passado, tanto em Londres como em Belfast. A banda sonora foi feita com música de Van Morrison, local de Belfast, com oito temas já conhecidos e um inédito. Está previsto chegar aos cinemas portugueses a 25 de novembro.

Carregue na galeria para conhecer outros dos principais filmes que vão estrear até ao final do ano.

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