Cinema

“Alma Viva”: estreia agora o filme que vai representar Portugal nos Óscares

Se alguma produção for nomeada, será esta. Conta uma história sobrenatural passada em Trás-os-Montes.
O filme está em exibição.

Chama-se “Alma Viva”, estreia nos cinemas esta quinta-feira, 3 de novembro, e é o filme selecionado pela Academia Portuguesa de Cinema para representar Portugal nos Óscares — ou seja, é a produção nacional candidata ao Óscar de Melhor Filme Internacional, a única que eventualmente pode ser nomeada a esta categoria.

Esta é a primeira longa-metragem da cineasta luso-francesa Cristèle Alves Meira, que tem estado a preparar este projeto há vários anos. Com raízes na região de Trás-os-Montes, evocou as memórias de infância e em particular das férias de verão para construir esta narrativa — sendo que as suas duas curtas-metragens “Sol Branco” e “Campo de Víboras” já serviram para preparar terreno nas montanhas de onde a sua família é oriunda.

O filme acompanha Salomé, rapariga de 10 anos, filha de pais emigrantes em França, que tenta lidar com o momento conturbado da morte da sua avó. O corpo ainda não foi enterrado e já existe uma enorme discussão no seio da família em relação ao funeral — esta foi a base real e autobiográfica que Cristèle Alves Meira usou para escrever o guião, sendo que, na verdade, a cineasta já tinha mais de 20 anos quando a sua avó faleceu.

Tudo o resto é ficção. Salomé, no meio deste momento difícil, vê-se assombrada pela alma da mulher a quem chamavam de bruxa na aldeia. Acredita que a sua avó, cuja morte aconteceu em circunstâncias traumáticas, foi vítima de bruxaria. E vai tentar vingá-la. 

O tom é de drama, com elementos de fantasia, misticismo e terror pelo meio. Também existem algumas aventuras, com desavenças e litígios antigos a provocarem alguns dos principais acontecimentos. O enredo acaba por abordar a relação dos emigrantes com a sua terra de origem; as heranças familiares e sociais; a cultura transmontana; os rituais ancestrais locais; a ligação entre as personagens e os seus antepassados. 

Cristèle Alves Meira optou por usar sobretudo um elenco de atores não profissionais para fazerem as personagens. São quase todos pessoas de Junqueira, aldeia do concelho de Vimioso onde toda a ação foi gravada. Ester Catalão, Duarte Pina e Arthur Brigas são alguns dos que participam em “Alma Viva”. Lua Michel é a jovem atriz que interpreta a protagonista Salomé — é a filha da realizadora.

O filme foi apresentado na Semana da Crítica do Festival de Cannes e nos meses seguintes conquistou alguns prémios. Cristèle Alves Meira foi distinguida, por exemplo, com o Prémio Pilar Miró para Melhor Novo Realizador — um galardão atribuído na Semana Internacional de Cinema de Valladolid.

“Alma Viva” foi selecionado pela Academia Portuguesa de Cinema ao bater produções como “Mal Viver”, de João Canijo; “Restos do Vento”, de Tiago Guedes; “Salgueiro Maia – O Implicado”, de Sérgio Graciano; e “Lobo e Cão”, de Cláudia Varejão.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT