Cinema

AM Lukas garante que não pediu dinheiro a Nuno Lopes para deixar cair acusação

No comunicado sobre o caso, o ator disse que lhe fora oferecida a possibilidade de pagar pelo silêncio da alegada vítima.

A troca de acusações continua no caso que rebentou esta terça-feira, 21 de novembro, e que coloca o ator português Nuno Lopes numa posição delicada, acusado de drogar e violar uma guionista norte-americana. Depois de a acusação vir a público e de Lopes se ter defendido, os advogados de AM Lukas ripostam e rebatem a acusação feita pelo ator de que a argumentista teria pedido dinheiro para não avançar com o processo.

“Lukas nunca propôs qualquer quantia monetária para resolver este assunto e também nunca propôs manter nada confidencial em troca de dinheiro”, revela o advogado Michael J. Willemin à CNN Portugal. “Ela pediu a Lopes que assumisse publicamente a responsabilidade pelo seu comportamento, mas ele recusou-se a fazê-lo.”

A equipa legal mostra-se “confiante” de que os registos “mostrarão que denunciou o facto ao hospital e à polícia pouco depois de ter acontecido”. O caso remonta a um encontro de ambos em 2006.

Nuno Lopes defendeu-se prontamente com um comunicado, no qual anunciou que recebeu “com surpresa e choque” a denúncia. Nota também que a carta que lhe chegou pedia que “propusesse uma quantia monetária para este caso acabar”. Uma afirmação que os advogados dizem ser “enganosa e incompleta”.

“O que Lukas pediu foi que ele assumisse a responsabilidade pública e proporcionasse restituição — e ofereceu-lhe a oportunidade de explicar como proporia fazer isso. Ele imediatamente (através dos seus advogados) comunicou que nunca se desculparia ou de outra forma assumiria a responsabilidade pelas suas ações.” Segundo os advogados de Lukas, trata-se de uma “tática” para “envergonhar e desacreditar as vítimas”.

O intervalo de tempo entre a alegada violação e a acusação pública foi também alvo de críticas. Perante a situação, os advogados de Lukas apontam para uma lei em vigor no estado de Nova Iorque que “dá aos sobreviventes de violência sexual uma janela para intentar ações civis por ações ocorridas há muito tempo e para as quais o prazo de prescrição expirou”. Uma janela que se encerra precisamente esta semana.

Promulgada a 24 de novembro de 2022, tem a duração de um ano exato. Durante este período, vítimas de crimes sexuais podem avançar com processos contra os agressores, mesmo que legalmente o crime já tenha prescrito. Ao abrigo desta lei, terão sido iniciados mais de 2500 processos.

A.M. Lukas interpôs esta segunda-feira, 20 de novembro, uma ação judicial no tribunal de Nova Iorque contra Nuno Lopes. A argumentista norte-americana acusa-o de a ter drogado e violado. O alegado crime terá acontecido em 2006, após o Festival de Cinema de Tribeca, onde se terão conhecido.

Lukas detalha na acusação que conheceu o ator numa festa de estreia de um filme de uma amiga (a 28 de abril de 2006) e que o ator lhe terá introduzido alguma substância na bebida, o que a levou a perder a consciência. Recorda-se de ter sido levada para o apartamento do ator português e, posteriormente, de acordar após a agressão sexual. Nesse momento o ator ter-lhe-á chamado um táxi. Nuno Lopes publicou um comunicado nas redes sociais onde refuta as acusações.

Depois do alegado crime, Lukas diz ter sido diagnosticada com stress pós-traumático e vítima de episódios maníaco-depressivos e pensamentos suicidas. “Não podemos aceitar um mundo em que perpetradores de abomináveis e desumanos comportamentos possam viver a sua vida, impunemente e sem consequências sociais, enquanto as vítimas sofrem em silêncio.” Os advogados da guionista exigem uma “indemnização compensatória e punitiva”.

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