Cinema

“Amor com Data Marcada”: a comédia romântica da Netflix que está a ser um sucesso

O filme tem estado no topo das escolhas dos leitores desde que estreou na plataforma.
Um casal improvisado.

Talvez seja acaso, talvez seja uma daquelas curiosas reações aos tempos estranhos em que vivemos. Por altura do Halloween, o normal é termos propostas de terror em abundância, adequadas à altura do ano em que os sustos são mais bem-vindos.

Mas 2020 é um ano como nenhum outro. Num tempo em que pandemia e a incerteza só por si já chegam para tirar o sono a muito boa gente, talvez não seja assim tão estranho o surpreendente fenómeno.

Estreada a 28 de outubro na Netflix, “Amor com Data Marcada” é a comédia romântica que a plataforma lançou à beira do fim de semana das bruxas e das abóboras decoradas. E foi um sucesso, estando no primeiro lugar das tendências na Netflix em Portugal.

Curiosamente, o filme tem numa das suas protagonistas Emma Roberts, atriz que se destacou nos últimos anos no mundo do terror, com “American Horror Story”. O seu par na nova comédia chega com o toque de sotaque australiano de Luke Bracey, mais dado a filmes de ação.

“Amor com Data Marcada” coloca os dois atores no papel de solteirões para quem cada novo feriado é um enfado. Ela (Sloane) está farta de ser a única solteira na sua família e ele (Jackson) cansado de andar perdido entre relações falhadas e expetativas deslocadas.

Juntos, têm um daqueles planos que sabemos que só funcionam em filme e que imaginamos logo como se vai desenrolar. E que plano é esse? Um “feripar”, a tradução livre possível para o título original do filme, “Holidate”. E é assim que decidem que, enquanto estiverem solteiros, vão ser um casal a cada novo período de festas para não enfrentarem o tal drama das festas sozinhos. Claro que, com o passar do tempo, vão perceber que a coisa está a ficar séria.

A produção traz aquele cheirinho de comédia romântica de outros tempos, embora longe da precisão de clássicos do género como “O Amor Acontece” — cuja premissa também era, há que admiti-lo, mais complexa.

O filme foi realizado por John Whitesell, mais conhecido pelo seu trabalho em televisão e por comédias em que o humor é um pouco mais escatológico, como nos filmes “O Agente Disfarçado”, em que tínhamos Martin Lawrence com carradas de gordura, disfarçado de mamã gorda.

As críticas que têm saído dão conta de uma certa previsibilidade, tanto na história como nas piadas. No Rotten Tomatoes, site especializado que aglomera as classificações da crítica, anda de forma bem modesta abaixo dos 50 por cento de média de aprovação.

Ainda assim, há elogios para a química entre os dois atores, elemento obrigatório para a coisa funcionar. E parece haver também algum carinho por uma premissa que aproveita a sequência de feriados, do Natal à Páscoa, passando pelo Dia de São Patrício, para mudar as cores e os clichés — sem perder de vista pelo caminho o objetivo final.

Como alguém que tem o cuidado de não falhar nenhuma etapa na receita, podemos esperar tudo o que é suposto, a fase cor-de-rosa, o momento em que as coisas parecem não ter solução e a sempre atabalhoada corrida (que está para as comédias românticas como os gritos para um filme de terror) para mostrar que ainda há razão para ter esperança no casal.

Ainda não sabemos se a história de Sloane e Jackson fica por aqui mas a argumentista Tiffany Paulsen, que até começou como atriz no oitavo “Sexta-feira 13”, já admitiu em entrevistas que está pronta para nova dose. “Sei exatamente como seria a história”, admitiu à “Vanity Fair”.

Será a Netflix a decidir se há mais história para explorar entre estas personagens. Certo é que, mesmo que não haja novo filme, esta aposta numa comédia romântica parece ter corrido bem. E é fácil de imaginar que terá sido o filme de Halloween deste ano para muitos casais.

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