Cinema

“Antebellum: A Escolhida”: o filme de terror que já está a ser comparado com “Get Out”

Uma história entre o passado e o presente que chega esta quinta-feira, 1 de outubro, aos cinemas.
Depois do MOTELX, a estreia nos cinemas.

Somos transportados cedo para uma América de outros tempos. Vemos negros a trabalhar e se as fardas militares não fossem suficientes para nos localizar, vemos cedo uma bandeira confederada a ocupar o ecrã. Esta é a América da guerra civil, entre norte e sul, com os estados do sul empenhados em manterem a sua prosperidade económica suportada às costas de escravos.

Foi entre 1861 e 1865 que esta América partida ao meio esteve em guerra. A expressão “Antebellum” refere-se, aliás, a este último período antes da guerra, de um país polarizado, em que no sul se lutava para poder prolongar a todo o custo a escravatura.

Os estados sulistas perderam, é certo, mas não é acaso as feridas mal resolvidas ainda hoje se fazerem sentir. A escravatura foi há muito abolida mas o racismo ainda dilacera os EUA e ainda hoje vemos a bandeira dos confederados a ser erguida.

Não há acaso nenhum em abrirmos “Antebellum: A Escolhida” neste passado. Vemos cedo o desespero de quem arrisca a vida para tentar fugir de uma vida de servidão. “Matem-me” é a primeira frase que ouvimos, proferida por uma mulher escravizada. O filme que agora chega aos cinemas passou recentemente pelo MOTELX e, entre o terror e o racismo, tem merecido algumas comparações a “Get Out”, a surpreendente obra de Jordan Peele que conseguiu algo raro: um filme de terror entre os nomeados aos Óscares.

A escravatura como pano de fundo.

Pode ser bem desconfortável o início de “Antebellum: A Escolhida”. O cinema de terror, aliás, é pródigo em tirar-nos da zona de conforto. Às vezes fá-lo com um certo humor, por vezes coloca-nos perante monstros para nos confrontar com a nossa própria humanidade. Por vezes não é preciso monstro algum para nos assustarmos. Basta termos memória do que certos seres humanos são capazes de fazer a outros.

Janelle Monáe em dose dupla

Janelle Monáe omeçou a ser nome conhecido pela sua voz e música. Um pequeno furacão em palco, estreou-se com um muito elogiado “Archandroid” há uma década. O álgum já tinha referências ao cinema, com uma imagética que era tributo ao clássico “Metropolis” de Fritz Lang, filme que nos deu o primeiro robot da história do cinema, em 1925 (e logo uma mulher). Desde então, Janelle tem feito uma carreira no cinema paralela à da música.

Em “Antebellum: A Escolhida” é dela a responsabilidade de liderar o filme em diferentes momentos — e personagens. E tem merecido elogios mesmo quando a crítica internacional não tem sido tão meiga com o filme.

Tentando abrir um pouco o jogo sem o estragar com spoilers, Janelle não é a única personagem a estar em dois lados ao longo do filme. Mais do que preparar-nos para sustos, é uma história de mistério, violência e abuso que podemos esperar. Temos, também, um filme que faz procura estar em vários lugares em simultâneo. Há sadismo e vilões bem claros. E há uma urgência de fuga presente deste cedo.

Nota-se que há ambição na forma e na substância nesta primeira longa-metragem de Gerard Bush e Christopher Renz. Aqui misturam-se história e ficção, passado e presente, além de sonhos e realidade. A ambição, inevitavelmente, traz também maiores riscos. E o filme não é imune isso.

“Antebellum: A Escolhida” estreia esta quinta-feira, 1 de outubro, nos cinemas nacionais. Fique com o trailer.

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