Cinema

Antes de ser o grande escritor, Eça de Queiroz foi um diplomata contra a escravatura

Esta história menos conhecida do autor é contada em “O Nosso Cônsul em Havana”. Depois da série, chega o filme aos cinemas.
Elmano Sancho interpreta o protagonista.

Eça de Queiroz foi o escritor que ficou famoso por obras como “O Crime do Padre Amaro”, “Os Maias” ou “O Primo Basílio”, entre outras. Antes disso, ainda quando era jovem, aos 27 anos, foi um diplomata ao serviço do ministério dos Negócios Estrangeiros em Portugal.

Esta história menos conhecida do autor português foi contada na série da RTP “O Nosso Cônsul em Havana”, que estreou no ano passado — e que depois foi transformada em filme. A produção chega aos cinemas esta quinta-feira, 19 de novembro.

Vai estar disponível nas salas dos Cinema City de Alvalade, Campo Pequeno, Alfragide, Leiria, Setúbal e Beloura; Cinema da Villa de Cascais; Alameda Shop & Spot, no Porto; Fórum Viseu; Alma Shopping, em Coimbra; W Shopping, em Santarém; e dos Cineplace Albufeira, Caldas da Rainha, Ponta Delgada e Funchal.

Realizado por Francisco Manso, tem Elmano Sancho a interpretar o protagonista. O ator revelou que perdeu algum peso para a personagem — Eça de Queiroz era bastante magro — e leu as cartas escritas por Eça de Queiroz a partir de Havana dirigidas a outros responsáveis políticos portugueses.

Em Havana, a capital de Cuba, Eça de Queiroz teve uma experiência de cerca de um ano e meio, entre 1872 e 1874. Mais tarde, viria a exercer as mesmas funções noutros países.

A narrativa acompanha o protagonista enquanto descobre Cuba — tanto a das elites políticas como a dos agricultores pobres. Pelo meio vai ter aventuras amorosas e também inimigos, sobretudo originários do Casino de Havana, palco de jogo e também de importantes decisões geopolíticas.

O que Eça de Queiroz não esperava encontrar quando chegou a Cuba foi que, apesar de na lei a escravatura já ter sido abolida, na prática ainda era usada. As principais vítimas pertenciam à comunidade chinesa da ilha, que era tratada como se de verdadeiros escravos se tratassem, com a conivência das autoridades.

Neste projeto de ficção histórica e também na realidade, Eça de Queiroz lutou pelos direitos destas pessoas, para que não levassem uma vida de escravos — e é este lado humanista, ativista e solidário do autor português que está em grande destaque em “O Nosso Cônsul em Havana”.

Entre as personagens mais relevantes encontra-se Lô (Zirui Cao), uma rapariga chinesa que embarca de forma clandestina para Cuba e que Eça vai ajudar a escapar do grande escravocrata da ilha, Don Zulueta (Júlio Martin).

Na vida real, o problema só foi resolvido mais tarde, mas Eça de Queiroz ajudou a criar as bases para a solução — para que os chineses e os povos africanos tivessem os mesmos direitos do que os cubanos.

O elenco inclui ainda nomes como António Capelo, Joaquim Nicolau, Luísa Cruz, João Lagarto, José Eduardo, Mafalda Banquart, Rodrigo Santos ou Pedro Frias, entre outros. Já o guião foi escrito por António Torrado e José Fanha.

As gravações aconteceram na própria Havana, durante dez dias, mas também em vários locais de Portugal, como o Funchal, Castelo de Vide, Portalegre, Alcácer do Sal, Ílhavo, S. Pedro do Sul, Porto e Penafiel.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT