Cinema

Tem saudades de Berlín, de “La Casa de Papel”? É o protagonista do novo filme da Netflix

A produção espanhola estreou esta semana no serviço de streaming. O thriller conta com Pedro Alonso no papel principal.
O regresso do ator ao cinema.

É o novo filme espanhol disponível na Netflix. Porém, é impossível falar de “El silencio del pantano”, ou “O Silêncio do Pântano”, sem falar de séries de televisão. É que a nova produção, que estreou esta quarta-feira, 22 de abril, e é já um sucesso na plataforma de streaming, é protagonizada por Pedro Alonso, o ator que interpreta Berlín no estrondoso sucesso “La Casa de Papel”.

Outra referência incontornável é “Dexter”, já que Q, o protagonista, tem muitas semelhanças com a personagem Dexter — dois profissionais e cidadãos respeitados, cheios de segredos obscuros, e crimes cometidos.

De volta ao cinema, a longa-metragem relata a história de Q, um ex-jornalista e atual escritor de romances policiais de sucesso. O que os fãs não sabem é que a compulsão de matar da personagem principal das suas obras é também a sua.

A trama deste thriller psicológico envolve-se assim num teste aos limites da realidade e da ficção. Passada numa Valência corrupta, Q inicia uma investigação para o seu novo livro, ao mesmo tempo que se envolve nela na vida real.

A juntar à corrupção que envolve a elite política, existe uma matriarca cigana que controla todo o crime urbano da cidade. Sendo que o fio condutor se centra em Q, bifurca-se em todas estas narrativas, culminando no mesmo ponto.

“Neste filme, o pântano é uma metáfora para a corrupção do sistema”, referiu o realizador, Marc Vigil ao “SensaCine”. Na entrevista feita antes da pandemia do novo coronavírus chegar à Europa, em dezembro de 2019, Vigil falava da situação atual da sociedade espanhola, à luz desta produção.

“Há muitas desigualdades e contaminações internas e externas, não caminhamos de um modo que nos humanize, as pessoas não estão contentes. Estamos numa altura que traz muitas possibilidades, uns ‘novos anos 20 felizes’, devemo-nos afastar e pensar onde queremos ir.”

Na mesma entrevista, Pedro Alonso explicou como foi interpretar este sombrio Q: “Está num espaço energético estranho e difícil. A mim pessoalmente custou-me muito, sobretudo em termos de inseguranças e neuroses, que era algo que achava que tinha superado, e com esta personagem regressaram, porque foi difícil humanizá-la, o que era a minha ambição maior.”

Já ao “Fotograma”, Pedro Alonso contou: “[Q] é um tipo muito introspetivo, que não tem nada a ver com Berlín de ‘La Casa de Papel’. É a personagem mais corrompida que já interpretei. É como um ácido que quando é libertado, destrói tudo o que o rodeia. O que mais prende neste filme, que é muito niilista, são as personagens, que são magnéticas.”

“Foi duro rodar o filme porque estive 95 por cento dele sozinho e sem diálogos [a sua personagem geralmente fala em voz off]”, acrescentou.

O guião de “O Silêncio do Pântano” foi escrito por Carlos de Panda e Sara Antuña. A produção é baseada num livro homónimo, de Juanjo Braulio, lançado em 2015. 

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