Cinema

O urso que tomou cocaína: chegou o trailer do filme mais louco de 2023

Inspira-se em factos verídicos e tem como protagonista um animal que ficou conhecido como Pablo Escobear.
Por favor: não dêem cocaína ao urso.

Há mais de um ano que se sabia que um dos filmes mais loucos de sempre vai estrear em 2023. O nome diz quase tudo: “Cocaine Bear” ou “Urso da Cocaína”.

A produção pode ser resumida numa simples frase: um urso consome uma dose pouco recomendável de cocaína e o caos abate-se sobre uma floresta no estado da Geórgia. A história rocambolesca esconde um segredo: é completamente baseada em factos verídicos, um facto que torna tudo ainda mais louco.

Eis que finalmente o primeiro trailer chega para nos mostrar um pouco do que será, compreensivelmente, um dos filmes mais aguardados de 2023. À frente do elenco, e sem contar com o urso, está Keri Russell, a estrela da velhinha série “Felicity”, que contracena ao lado de Ray Liotta, que morreu em maio, e que surge aqui no seu último papel.

O filme é realizado por Elizabeth Banks e escrito por James Ward, que agarrou nos acontecimentos reais de 1985. Nesse ano, um traficante de droga largou vários quilos de cocaína sobre a Floresta Nacional de Chattahoochee, que acabaram ingeridos por um urso.

É a partir dessa premissa que nasce toda a loucura que decorre no filme — e que se prevê no trailer. Depois entra a ficção, que imagina o urso a assassinar dezenas de pessoas em pânico.

Não se sabe até onde vai a história, mas é facil de perceber que todas as atenções estão viradas para o urso — que ficou conhecido por Pablo Escobear — e menos para o homem que ali largou as drogas. É uma história que a NiT já contou e que recorda agora.

A descoberta aconteceu em 1985, quando investigadores locais se depararam com o cadáver de um urso, em pleno parque natural. Ao seu lado, uma descoberta espantosa: um saco destruído e vazio. Vestígios de um pó branco por todo o lado que se viria a saber mais tarde, era cocaína.

Tudo começa com um homem chamado Andrew Thornton, filho de uma família de bem-sucedidos criadores de cavalos do Kentucky. Thornton formou-se em direito e chegou a exercer. Também trabalhou como polícia ligado à divisão dos narcóticos — pelo menos até passar para o outro lado da lei e tornar-se traficante. A bordo do seu avião, fazia pistas entre o norte da Geórgia e a Colômbia, de onde trazia muitos quilos de cocaína.

Uma dessas viagens, em 1985, não correu como estava prevista. Não se sabe ao certo o que terá acontecido, mas Thornton começou a largar sacos de droga ao longo do percurso, já sobre solo americano.

A determinada altura terá colocado o pára-quedas e, sem ninguém aos comandos, arriscou saltar do aparelho. Suspeita-se que tenha sido atingido pelo avião durante o salto e que isso o impediu de ativar o dispositivo. Acabou por cair em queda livre e morrer.

O cadáver foi descoberto na garagem de uma casa em Knoxville, no estado do Tennessee. Thornton estava equipado com óculos de visão noturna, um colete à prova de bala, cinco mil euros em dinheiro, duas armas, facas, a chave do avião — e um par de sapatos Gucci.

Thornton é a origem da lenda

O Cessna que comandava foi descoberto mais tarde, despenhado a várias horas de distância, na região montanhosa da Carolina do Norte. Ao longo do caminho, as autoridades foram encontrando sacos de cocaína. Eram pelo menos nove.

Um deles foi encontrado pelo urso negro de 80 quilos, que ficou curioso com o achado. Quando os investigadores se cruzaram com o cadáver, perceberam que a cocaína tinha desaparecido. O animal abriu os 40 pacotes e devorou cerca de 30 quilos de droga.

A causa da morte era óbvia: uma overdose de cocaína. A autópsia revelou um cenário desastroso, entre hemorragias cerebrais, insuficiência respiratória, cardíaca e renal, taquicardia e um AVC.

“O estômago estava literalmente a abarrotar com cocaína. Não há um mamífero no planeta que conseguisse sobreviver a uma coisa destas”, revelou o médico que examinou o cadáver.

O fim trágico do urso foi apenas o início da sua maior aventura. Foi embalsamado e batizado de Pablo Escobear, em honra ao famoso traficante colombiano. Rapidamente se tornou na mais requisitada atração turística de uma pequena loja de mantimentos na cidade de Lexington, no Kentucky.

Não se ficou por aí. O Urso da Coca acabou por ser doado a um centro de visitantes do rio Chattahoochee, onde ficou em exibição, antes de ser guardado devido a um incêndio florestal. Voltas e mais voltas, acabou sem honra numa loja de penhores de Nashville, onde foi comprado pela estrela de música country, Waylon Jennings.

Os pins são só algum do merchandising criado para Pablo Escobear

Calma, há mais: o músico ofereceu-o a Ron Thompson, um amigo, numa noite louca em Las Vegas. Quando morreu, em 2009, os seus bens foram leiloados e Pablo Escobear acabou nas mãos de um imigrante chinês pela módica quantia de 200€.

O novo dono haveria, também ele, de morrer em 2012. Foi então que a Kentucky for Kentucky, uma organização que promove o estado norte-americano, contactou a mulher que herdou os bens. Perante o pedido, aceitou doar o urso embalsamado — desde que não tivesse que pagar os custos de envio—, que foi depois usado como marco turístico.

Hoje, há dezenas de objetos de merchandising que usam a imagem de Pablo Escobear, de canecas a T-shirts. O urso, esse está exposto na loja da Kentucky for Kentucky em Lexington.

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