Cinema

Chegou o filme que promete destruir-nos entre lágrimas e gargalhadas

"CODA" conta a história dramática de uma família surda. Os críticos já apontam o filme como candidato aos Óscares.
Emilia Jones é a estrela do filme

“Será difícil evitar chorar uma, duas ou três vezes durante as cenas finais. É um drama que toca nos botões certos”, escrevia-se em janeiro sobre “CODA”, após a estreia limitada no Festival de Cinema de Sundance. “É um daqueles filmes honestos que agradam a todos — um que nos seduz, ao invés de agarrar pelos colarinhos. E merece todas as lágrimas de felicidade que retira de nós.”

A descrição feita pelos críticos que tiveram a sorte de assistir ao filme foi quase unânime: houve baba, ranho, ocasionalmente os dois ao mesmo tempo; e muitos soluços descontrolados e banhados em lágrimas.

Com toda a naturalidade, foi um dos filmes mais apetecíveis do habitual leilão que se segue ao festival e que junta estúdios e os tubarões das plataformas de streaming. Todos queriam agarrar aquele que, previam, poderia ser um êxito, mas não só: um potencial candidato aos Óscares.

Depois de muitas licitações, restaram dois candidatos de peso: a Amazon e a Apple. Foi a proposta dos últimos que conseguiu garantir os direitos de transmissão para todo o mundo — uma compra que bateu recorde do festival, com um valor acima dos 21 milhões de euros.

Além de sair de Sundance com esse recorde, o filme conquistou o Prémio do Público, o Prémio do Júri, bem como a distinção de melhor realizadora para Sian Heder e o prémio especial para dramas pelo melhor elenco.

“As reações ao filme têm-me comovido e fico contente por ter encontrado um parceiro na Apple”, explicou então a realizadora e também argumentista. “Espero que este filme ajude a quebrar alguns preconceitos e a abrir algumas portas no caminho da inclusão e da representação de mais histórias centradas em personagens da comunidade surda. Essas histórias esperaram demasiado tempo para serem contadas. Esse tempo é agora. Acabaram-se as desculpas.”

“CODA” corresponde ao acrónimo de Children of Deaf Adults, isto é, os filhos de adultos surdos que fazem parte da comunidade e que cresceram com a língua gestual como primeira língua. Além de ser um filme representativo da comunidade, é uma história de entrada na idade adulta.

A família é interpretada por atores surdos

No centro da história está Ruby Rossi (interpretada por Emilia Jones), filha de pais surdos. Também o seu irmão é surdo, o que faz dela o único membro da família com capacidade auditiva. Serve, por isso, de tradutora e apoio imprescindível dos pais, pescadores que dependem da filha para muitas das atividades essenciais do dia a dia.

Rossi tem um talento: uma voz incrível que capta a atenção do professor do coro da escola, que a tenta convencer a tirar partido do dom e seguir uma carreira. O problema é que isso obrigaria a uma separação dos pais.

É nesta encruzilhada que arranca o drama de uma jovem a querer definir o seu futuro e o de uma família incapaz de admirar o seu talento.

A decisão de Heder na escolha do elenco foi no sentido de respeitar a representação e inclusão da comunidade. Os atores surdos são, efetivamente, surdos. É o caso da mãe, Jackie Rossi (Marlee Matlin, a única surda a ter no currículo um Oscar, o de Melhor Atriz Principal, pelo papel em “Filhos de um Deus Menor”, de 1987), o pai Frank Rossi (Troy Kotsur) e o irmão Leo Rossi (Daniel Durant).

Os críticos concordam e Jones também. “CODA” é um filme que “vai fazer rir e vai fazer chorar”. “O riso e o choro são um par irresistível. Além disso, este filme é uma gigantesca carta de amor à família.”

Apesar de todos apontarem “CODA” ao sucesso mundial, a verdade é que esta não é uma história original. Trata-se de um remake de um filme francês lançado em 2015, “A Família Bélier”.

Com algumas ligeiras diferenças no argumento, segue igualmente a vida de uma jovem de 16 anos, Paula Bélier, que atua como intérprete para os pais e os ajuda nas vendas que fazem no mercado onde trabalham. Também ela tem uma voz talentosa, descoberta por um professor, que a tenta convencer a mudar-se para Paris.

Mas onde “CODA” acertou em cheio, “A Família Bélier” falhou, ao ser alvo de muitas críticas por não ter escolhido atores surdos para os papéis principais.

Original ou não, a verdade é que “CODA” chega ao streaming com um já preenchido currículo e muitas razões para arrastar multidões, não para o cinema, mas para o sofá. E as lágrimas, essas estão mais do que prometidas.

“CODA” estreia esta sexta-feira, 13 de agosto, na Apple TV.

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