Cinema

Como Morgan Freeman passou de sem-abrigo a super estrela de Hollywood

O ator veterano, que acaba de fazer 84 anos, tem um novo filme, “Vingança Letal”.
O ator só ganhou protagonismo a partir dos 50 anos.

Aos 84 anos — feitos este mês, a 1 de junho — Morgan Freeman é um dos nomes mais conceituados e populares do cinema em todo o mundo. Mas este sonho demorou décadas a concretizar-se, várias delas passadas com bastante dificuldades.

O americano natural de Memphis, no estado do Tennessee, tem agora um novo filme. “Vingança Letal” é um thriller de ação realizado por George Gallo que estreou nos cinemas portugueses a 3 de junho. Além disso, tem uma participação especial na última temporada de “O Método Kominsky”, comédia da Netflix que regressou com os derradeiros oito episódios no final do mês de maio.

De origens humildes, filho de uma professora e de um barbeiro, Morgan Freeman descobriu a paixão pela representação por puro acaso. Na escola, tinha uma paixoneta por uma rapariga e, numa brincadeira típica de pré-adolescentes, puxou-lhe a cadeira, fazendo com que a colega caísse no chão.

O castigo imposto pela escola foi que Morgan, que na altura era um rapaz por volta dos 12 anos, tinha de participar no concurso de teatro. Sempre adorara ver filmes e gastava o pouco dinheiro que teve para ir ao cinema, mas foi ali que descobriu a sua paixão por representar. E tinha, de facto, muito talento: até ganhou um prémio na escola pela sua prestação.

Contudo, havia outro sonho que levou o jovem Morgan Freeman a seguir por um caminho alternativo. Por isso mesmo, quando saiu da escola, em 1955, recusou uma bolsa parcial para uma escola de artes, e decidiu alistar-se na força aérea americana.

Morgan Freeman como técnico na força aérea.

A ideia de pilotar aviões — sobretudo em cenário de guerra — era demasiado forte para desistir. Mas Freeman só conseguiu trabalhos como mecânico e técnico — funções que faziam com que permanecesse em terra, o que era uma enorme desilusão. Frustrado com as suas experiências militares, decidiu então apostar numa carreira como ator.

Mudou-se para Los Angeles, a cidade de Hollywood, e, ao contrário do que imaginara, as coisas não correram bem. Teve aulas mas não conseguiu praticamente qualquer trabalho e passou por várias dificuldades. Seguiu-se Nova Iorque, do outro lado dos EUA, onde também não encontrou sucesso durante os primeiros anos.

Neste período da sua vida, Morgan Freeman chegou a viver como um sem-abrigo. Sobrevivia a comer “donuts velhos” nas ruas, como já revelou nalgumas entrevistas. Pelo meio, foi acumulando outros trabalhos: conduziu táxis, camiões, foi datilógrafo e aceitou fazer aqueles biscates que garantissem “algumas migalhas de pão”.

Passado algum tempo, lá conseguiu um papel no espetáculo da Broadway “Hello, Dolly!”, além de uma participação regular no programa “The Electric Company”, entre outras peças de teatro.

Contudo, só ao longo dos anos 80 e sobretudo nos anos 90 — quando Morgan Freeman já estava na casa dos seus 40 e 50 anos —, é que o ator se consagrou como um profissional da indústria de Hollywood. Foi um sucesso que tardou e que só se consolidou de forma muito progressiva.

O seu primeiro filme, “As Grades do Inferno”, que chegou aos cinemas em 1980, não mudou a sua vida. Mas “Nova Iorque, Cidade Implacável”, que estreou em 1987, tornou-o uma grande revelação. Era a oportunidade por que esperava há tantos anos. Morgan Freeman foi nomeado para o Óscar de Melhor Ator Secundário e foi o papel que lançou a sua carreira.

Dois anos depois, ganhava ainda mais protagonismo com “Miss Daisy”, papel que lhe valeu mais uma nomeação ao Óscar (e também a um Globo de Ouro). Seguiram-se participações em filmes como “Tempo de Glória”, “Imperdoável”, “Os Condenados de Shawshank”, “Seven – 7 Pecados Mortais”, “Amistad”, “Bruce, o Todo-Poderoso”, “Million Dollar Baby – Sonhos Vencidos”, “Invictus” e a trilogia de “Batman” de Christopher Nolan. Hoje é um dos atores mais reputados do mundo — e tem uma voz emblemática que lhe valeu a participação em vários projetos como narrador.

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