Cinema

Como o Estoril inspirou a criação do agente secreto James Bond

O novo filme da saga, “007 - Sem Tempo para Morrer”, estreou a 29 de setembro nos cinemas. É o último com Daniel Craig.
O novo filme estreia esta quinta-feira.

Bond, James Bond. Assim se diz o nome do mais famoso dos agentes secretos. Foi em 1953 que, após anos a trabalhar na guerra e depois como jornalista, Ian Fleming criou esta personagem com o livro “Casino Royale”. Fleming morreria em 1964, com apenas 56 anos, mas foi produtivo nesta última década de vida e deixou quase 20 livros escritos.

Quase 70 anos depois, James Bond e os filmes de 007 tornaram-se uma das referências maiores da cultura pop global. Os livros tornaram-se em filmes a partir do início dos anos 60 e a saga nunca mais parou. A 30 de setembro, estreou nos cinemas o mais recente capítulo. Realizado por Cary Joji Fukunaga, “007: Sem Tempo Para Morrer” foi o primeiro grande blockbuster a ser adiado por causa da pandemia — e chega agora aos fãs através do grande ecrã.

Nesta história, James Bond está a tentar levar uma vida tranquila num sítio exótico agora que se reformou do serviço no MI6. Só que não demora muito até o seu quotidiano pacato ser interrompido, depois de ser convocado para uma missão complexa que é tão pessoal que vai ser irresistível (e inevitável) para Bond. Pelo meio alcança a redenção emocional e defronta um vilão perigoso, neste que é o último filme da saga com o ator protagonista Daniel Craig.

É uma história conhecida, mas muitos fãs poderão não saber que as origens de James Bond estão diretamente relacionadas com Portugal. James Bond pode muito bem ter nascido no Estoril, como defende um documentário da BBC e vários autores especialistas no assunto. Passemos a contextualizar.

Ian Fleming era um oficial da marinha britânica em serviço em Portugal durante a Segunda Guerra Mundial. Neste período de grandes tumultos, Portugal era um país neutro na Europa ocidental, pelo que se tornou no albergue ideal para centenas de missões de espionagem. Pela zona de Lisboa e Linha de Cascais passaram espiões de diversas nacionalidades, que tinham como missão obter informação sobre o outro lado da guerra, estabelecer contactos ou relações diplomáticas.

Dusko Popov era conhecido por ser mulherengo.

Fleming passou uma grande temporada hospedado no Palácio Estoril Hotel. Foi lá, e no Casino Estoril, que observou e conheceu o homem que muitos acreditam ser — incluindo o próprio — a inspiração para a personagem de James Bond. 

Popov, Dusko Popov. Não é tão memorável quanto James Bond, mas era o nome deste agente de nacionalidade sérvia que começou por estar ao serviço dos nazis. Contudo, rapidamente se voluntariou para ser agente duplo ao divulgar informações aos serviços secretos britânicos. E também terá desenvolvido contactos com os americanos durante a guerra — Popov estava atrás do dinheiro e de uma vida luxuosa.

Foi precisamente esse estilo de vida que Popov perpetuou no Estoril. Tinha gostos caros, era um mulherengo e, ao contrário do que dizem as boas maneiras dos espiões, gostava de dar nas vistas. Tanto que acabou por deixar de ser visto como alguém confiável, até porque a sua família estava quase refém dos nazis em Belgrado. Supostamente, Popov alertou os EUA para um ataque que ia acontecer em Pearl Harbor. As autoridades americanas não confiaram na informação — e o ataque, como se sabe, aconteceu mesmo.

Ian Fleming nunca confirmou ter-se inspirado em Dusko Popov, mas muitos autores acreditam nessa hipótese. O próprio Popov escreveu na sua auto-biografia, escrita após a morte de Fleming, que o autor de James Bond se tinha inspirado nele. E o Casino Estoril teria sido a grande inspiração para criar “Casino Royale”.

José Afonso, à esquerda, no filme de 1969.

Essas origens foram honradas no cinema. Em 1969, grande parte do filme “007: Ao Serviço de Sua Majestade”, com o ator George Lazenby no papel de Bond — que tinha substituído Sean Connery — foi gravado em Portugal. O elenco ficou hospedado no Palácio Estoril Hotel, que também serviu de cenário para a história.

Aliás, dois funcionários do hotel, José Afonso e José Diogo, entraram na produção e ainda trabalhavam no hotel em 2019 — quando foi celebrado o 50.º aniversário da estreia do filme, que envolveu um regresso de George Lazenby ao Estoril.

“007: Ao Serviço de Sua Majestade” teve ainda gravações na Serra da Arrábida, na Praia do Guincho e no centro de Lisboa. O Palácio Estoril Hotel ficou para sempre associado às histórias de 007: além de promoverem atividades dedicadas à saga, têm uma suite James Bond.

O novo filme não inclui referências a Portugal, mas teve gravações em Itália, na Noruega, nas ilhas Faroé e na Jamaica, além de no Reino Unido. Leia também o artigo da NiT sobre a nova agente 007, interpretada por Lashana Lynch, a primeira mulher a ficar com este cargo no MI6 na saga de James Bond.

Carregue na galeria para conhecer outros dos principais filmes que vão estrear até ao final do ano.

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