Cinema

Como o tio Vin Diesel tomou conta da filha de Paul Walker

Meadow tinha 13 anos quando o pai morreu. Hoje, gere uma fundação em seu nome e é modelo fotográfico.
Walker arrependeu-se de ter perdido a infância da filha

“Família para sempre”, escreveu Meadow Walker numa foto na qual surge ao lado dos três filhos de Vin Diesel. Há sete anos que o pai e ator de “Velocidade Furiosa” morreu num acidente de viação, em 2013. A filha Meadow tinha apenas 15 anos. Hoje em dia tem muito a agradecer ao homem que continua a manter viva a saga — e a homenagear o pai em cada filme.

Foi já tarde, depois de um evento de caridade organizado por Paul Walker, que o ator entrou no Porsche Carrera GT conduzido por um amigo. Na noite de 30 de novembro, o acidente provocou o despiste do carro a uma velocidade estimada entre os 130 e os 150 km/h. A velocidade máxima na zona era de 72 km/h.

View this post on Instagram

family, forever

A post shared by Meadow Walker (@meadowwalker) on

A morte do ator comoveu o mundo e colocou Meadow numa posição complicada. Vivia apenas há dois anos com o pai, desde 2013. Walker tornou-se pai com apenas 25 anos, resultado de uma gravidez indesejada. Ainda para mais numa altura em que a carreira fulgurante em Hollywood era uma miragem.

A gravidez da então namorada Rebecca Soteros foi um choque. “Foi duro. Eu frequentei uma escola católica e sempre aprendi que a mãe e o pai deveriam estar juntos. Estava dividido porque acreditava que quando uma pessoa se casa, é para sempre”, revelou o ator que teve uma educação mórmon À “WENN”, citada pela “Entertainment Walker”.

Finalmente, admitiu não ter “maturidade suficiente” para casar com a namorada. “Eu sabia como me relacionava com as mulheres e como me diverti. Eu andava a dormir com as amigas [da Rebecca] (…) Eu era uma fera”.

Meadow mudou-se para casa do pai aos 13 anos

Meadow acabou por ficar em casa da mãe, no Havai, até aos 13 anos, altura em que se mudou para a Califórnia, onde queria passar mais tempo com o pai. “Sentia-me culpado. O que me dava algum alento emocional era o facto de eu estar a ajudá-la financeiramente. Mas ao nível emocional, eu não estava lá”, explicou.

A criança tinha apenas dois anos quando a carreira de Walker disparou graças à presença no elenco do primeiríssimo “Velocidade Furiosa”. A sua vida ficaria intimamente ligada à saga e aos atores que contracenavam com o pai. Um deles em particular: Vin Diesel — que foi, a pedido de Walker, o padrinho da filha.

O tio Vin

Três dias depois da morte de Paul Walker, Vin Diesel quebrou o silêncio, precisamente no local onde o acidente tinha ocorrido. Perante uma multidão de fãs, o ator deixou uma mensagem: “Se o meu irmão estivesse aqui hoje, se ele pudesse ver todo o amor que vocês aqui trouxeram convosco…”, disse emocionado.

Para Vin Diesel, Paul era Pablo, alcunha que lhe colocou desde os primeiros filmes em que contracenaram juntos. A relação que se prolongou durante mais de uma década e percorreu sete filmes ultrapassou os limites do set de gravações.

Em 2015, Vin Diesel chegou mesmo a emocionar-se numa entrevista, na qual revelava os conselhos sábios e amigos do ator. Segundo Diesel, no dia em que a sua primeira filha deveria nascer, passou-o nas gravações com Walker. “Chegámos ao fim do dia, ele veio ver-me e disse ‘Vin, conheço-te melhor do que ninguém, passa-se algo, conta-me.’ Eu sabia que ela ia nascer, as águas tinham rebentado mas não contei a ninguém porque queria evitar paparazzi no hospital”, recordou. 

“A maioria dos gajos vai dizer para não assistires ao parto, para ficares longe. Mas digo-te, como irmão, vai e está presente o máximo de tempo possível. Corta o cordão umbilical”, explica Vin Disel que, recorda, “nem sabia que os pais podiam fazer isso”.

Desde 2013 que se multiplicou em homenagens ao amigo. Na noite da morte, Vin Diesel apanhou um avião de Atlanta, na Geórgia, para chegar o mais rapidamente possível a Los Angeles.

No primeiro encontro com a mãe de Walker, ela pediu-lhe desculpa e confortou-o. “Porquê?”, questionou o ator. “Porque acabaste de perder a tua outra metade”, respondeu. “Ela disse-me algo que eu ainda não tinha percebido. Eu ainda não estava ciente do quão profunda foi a perda”, revelou mais tarde numa entrevista. 

Quando em 2015 subiu ao palco para receber um prémio no Teen’s Choice Awards, Vin Diesel tomou conta do microfone e depois de homenagear Walker, virou-se para a plateia. “Há uma adolescente na plateia que faz parte da família que nos ajudou a continuar a trabalhar, da família Walker (…) mas há uma especialíssima menina que se chama Meadow Walker”, sublinhou

Meadow e Vin Diesel juntos num encontro em 2019, em memória da morte de Walker

Meadow é uma menção constante nas mensagens do ator, que se manteve sempre por perto e faz questão de marcar e celebrar todas as datas importantes. “Posso dizer que estou muito orgulhoso da pessoa em que te estás a transformar. A verdade é que sempre me orgulhei de ti. Parabéns, Meadow. Sei que é o teu 21.º aniversário e que querias festejar à grande, mas a família tem um bolo à tua espera para quando voltares a casa. Apressa-te. Adoro-te, miúda. Tio Vin”, escreveu em novembro, a propósito do último aniversário.

O que é feito de Meadow?

Apesar de se ter mantido longe das câmaras, o seu nome foi eventualmente envolvido na polémica que sucedeu a morte do pai e no processo que interpôs contra a Porsche, alegando que o fim trágico se deveu às falhas de construção da empresa alemã.

Dois anos depois, em 2017, Meadow e a construtora fecharam um acordo confidencial e o caso não avançou. Contudo, isso não a livrou de muitas críticas públicas que a acusavam de tentar lucrar com a morte do pai.

Só em 2015 a adolescente começou a partilhar alguns textos e imagens nas redes sociais, apesar de o fazer com pouca regularidade. Foi também nesse ano que criou a The Paul Walker Foundation, uma fundação que tem como objetivo a proteção dos oceanos e da vida marítima, algo que preocupava o próprio ator. Meadow mostra-se muito ativa na gestão diária da organização que nos últimos meses tem oferecido refeições a famílias e crianças afetadas pela pandemia.

Meadow lançou-se como modelo aos 21 anos

“Quero lançar esta fundação porque quero partilhar este lado dele com o mundo, com os outros (…) Não consigo pensar numa forma melhor de honrar o meu pai”, revelou na altura da inauguração, onde referiu também que Walker tinha uma “paixão por salvar animais, por ajudar pessoas e por boas ações espontâneas”.

Ela própria viajou para o Gana para fazer voluntariado junto de crianças pobres. “Foi um prazer absoluto, as duas melhores semanas da minha vida”, revelou nas redes sociais. Mais recentemente, a sua beleza valeu-lhe um contrato para protagonizar uma campanha — a sua estreia no mundo da moda — para a designer Adrianne Elmy.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT