Cinema

Como os filhos de Javier Bardem e Penélope Cruz mudaram a carreira do ator

O seu novo filme, “O Bom Patrão”, estreia esta semana em Portugal. Tem sido super elogiado pela crítica e pode ser candidato aos Óscares.
Os dois atores casaram-se em 2010.

Chama-se “O Bom Patrão” e bateu todos os recordes. Nos Goya, os maiores prémios do cinema espanhol, o filme de Fernando León de Aranoa arrecadou umas impressionantes 20 nomeações — nunca nenhuma produção tinha conseguido este número. Além disso, foi o filme escolhido para representar o país nos Óscares.

“O Bom Patrão” estreou nos cinemas portugueses a 20 de janeiro e tem Javier Bardem como protagonista. Ele é o dono de uma fábrica numa cidade da província. A história cómica e satírica explora o poder que estas figuras têm nas suas comunidades locais, com muitas “zonas cinzentas” pelo meio. Não há propriamente bons nem maus por aqui. 

É o mais recente filme onde Javier Bardem se destaca, ele que começou a carreira no final dos anos 80, ainda em adolescente — afinal, toda a sua família materna trabalhava na área. Ao longo dos anos foi-se solidificando e apresentou-se melhor ao público internacional em 2000, pelo papel que fez em “Antes que Anoiteça”, de Julian Schnabel, que lhe valeu a nomeação para um Óscar.

Desde então, tornou-se um ícone e uma verdadeira estrela de Hollywood. Em 2007, interpretou o psicopata Anton Chigurh em “Este País Não é Para Velhos”, filme dos irmãos Coen — o primeiro que Bardem gravou com uma equipa inteiramente estrangeira, a falar inglês.

O ator não gostou especialmente da experiência — tem um pavor a violência desde que se envolveu numa rixa séria num bar, a mesma onde partiu o nariz, que se tornou numa característica física singular, mas também no foco de várias inseguranças. Mas foi o papel que lhe deu o Óscar e que mudou a sua carreira, internacionalizando definitivamente o seu trabalho.

Durante muitos anos, e sobretudo junto do grande público, Javier Bardem ficou conhecido pelos papéis de vilão. Foi um antagonista icónico na saga de “007”, em “Skyfall”. Mais tarde seria um vilão morto-vivo na popular saga de “Piratas das Caraíbas”.

Não foram assim tantos papéis, mas todos tiveram grande impacto e ajudaram a consolidá-lo como o ator perfeito para este tipo de personagens — apesar de Bardem ter um currículo diverso e vasto. Um dos próximos personagens que vai interpretar será o monstro de Frankenstein, num projeto cujas gravações ainda nem sequer começaram.

Contudo, nos últimos anos Javier Bardem tem dado hipótese a uma série de papéis distintos. E talvez os maiores responsáveis por isso mesmo sejam os seus filhos com Penélope Cruz: Leo, de dez anos; e Luna, de oito.

O casal de estrelas do cinema é conhecido por manter a sua vida bastante privada — há inclusive poucas fotografias públicas dos filhos de Bardem e Cruz. Num artigo da “GQ” publicado em dezembro, o ator contou que uma das coisas que mais gosta de fazer com os filhos é desenhar.

“Ambos desenham maravilhosamente bem para a idade deles”, disse. Bardem estudou pintura na juventude, mas acabou por nunca fazer um percurso nessa área. Ainda assim, talvez tenha passado os genes do gosto (e do talento) pelas artes visuais. 

No mesmo artigo, Bardem assume que os filhos terão influenciado a sua carreira ao longo dos últimos anos. Até porque o ator tem feito sobretudo um percurso de filmes que ainda não são indicados para serem vistos por Leo e Luna.

Essa terá sido uma das razões que levaram o ator espanhol a fazer algo que não costuma, e com o qual se “envergonha”. Que foi enviar uma mensagem ao realizador Rob Marshall para perguntar se ele não estaria à procura de um Rei Tritão com sotaque para a nova versão de imagem real de “A Pequena Sereia”. 

Rob Marshall gostou da ideia e respondeu de forma entusiasmada. Javier Bardem estava a tomar o pequeno-almoço com a família quando recebeu a resposta. “E disse algo como: Uau, malta, posso vir a fazer ‘A Pequena Sereia’. E a minha filha disse: ‘Mas tu não podes ser a Ariel!’ E eu: ‘Não, não, não. Não serei a Ariel, vou ser o Rei Tritão’. E eles ficaram tão entusiasmados”, contou o ator.

“É um pai tomado pelo amor profundo e sentimento de pertença em relação à filha, e a lidar com o facto de que ela vai ter de deixar o ninho, e ser incapaz de gerir isso enquanto homem e protetor, e não ser capaz de lhe dar o espaço que ela merece, o espaço que ela deve ter como mulher, rapariga, como crescida”, reflete Bardem. O filme vai estrear em 2023.

Pouco tempo depois, gravou uma adaptação do livro infantil “Lyle, Lyle, Crocodile”. Javier Bardem tinha acabado de terminar as filmagens de “Being the Ricardos” — onde interpreta o ator cubano Desi Arnaz, ao lado de Nicole Kidman como Lucille Ball, e onde teve de cantar e dançar — e estava cansado. Mas os filhos convenceram-no a aceitar o papel.

“Eu disse: estão-me a oferecer este filme com um crocodilo onde canto e danço. E as caras deles, disseram ambos: Com um crocodilo, pai? Tens de fazer isso”. E foi assim que Javier Bardem acabou a ensinar um crocodilo criado por efeitos especiais a dançar e a cantar. “É tão artisticamente aberto e livre. Tem sido muito libertador.”

Conheceram-se no início dos anos 90 e já fizeram muitos filmes juntos.

A aprovação dos filhos tem sido algo bastante presente. No ano passado, Javier Bardem levou o filho — o mais velho dos dois — a ver o novo “Dune”, onde interpreta uma pequena personagem (que será bastante mais relevante na sequela anunciada). 

“Foi o primeiro filme em que levei o meu filho de dez anos ao cinema, com pipocas, para o apresentar àquilo que o pai faz da vida. Senti-me tão ‘uau, honrado’, que perguntei se ele estava a gostar.” E Leo, claro, estava a adorar ver o pai no grande ecrã. “Senti-me muito orgulhoso de poder mostrar ao meu filho o que faço. E de ser aprovado por ele.” 

Isto é especialmente relevante porque Javier Bardem é um daqueles atores que detesta ver-se no cinema — nunca assiste aos projetos em que participa. Bardem tinha muitas inseguranças com a sua prestação e o seu aspeto, e ficava mesmo deprimido depois de ver os seus papéis no ecrã. Isso começou a mudar, lentamente, quando se juntou com Penélope Cruz.

“[De repente] Havia algo muito mais entusiasmante, maior, e mais importante do que participar em filmes. E estava feliz o suficiente para dizer: Vou fazer o meu melhor, mas isso não é o mais importante.”

Leia também a história sobre como o nariz partido de Javier Bardem condicionou a sua carreira (e vida). E conheça a história de amor entre o ator e Penélope Cruz — os dois conheceram-se num filme no início dos anos 90.

Carregue na galeria para conhecer outros dos filmes que vão estrear em 2022.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT