Cinema

Como Steve Carell passou de génio da comédia a ator dramático de excelência

O ator de 60 anos tem uma nova série, “O Paciente Instável”, onde interpreta um psiquiatra que foi raptado por um serial killer.
O ator tem 60 anos.

Steve Carell tornou-se conhecido enquanto ator cómico. No entanto, ao longo da última década tem procurado mais papéis dramáticos, que exploram outras facetas do profissional da representação. Uma mudança que lhe tem conferido cada vez mais prestígio. Esta quarta-feira, 30 de novembro, estreia a sua nova série, “O Paciente Instável”.

Tem 10 episódios e pode vê-la na Disney+. Steve Carell interpreta um psiquiatra que é raptado por um novo paciente. Este paciente é um serial killer que deseja travar os seus impulsos homicidas — então rapta o especialista que o acompanha pois acredita que precisa de mais tempo de terapia num local onde possa ser completamente honesto. Leia o artigo da NiT sobre o projeto.

Nascido em 1962 no estado americano de Massachusetts, Steve Carell vem de uma família comum. O pai era engenheiro, a mãe enfermeira. Na escola sempre foi muito ativo: praticava vários desportos e fazia parte da associação de estudantes, entre outras atividades. Com alguns membros da família, juntou-se a um grupo que fazia recriações históricas de unidades militares. Terá sido muito a partir daí que se interessou por história — daí ter tirado um curso nessa área na universidade de Denison, no Ohio.

Na faculdade, começou a passar música na rádio — enquanto Sapphire Steve Carell — e fez parte de um coletivo de comédia de teatro de improviso. Foi nos palcos que Steve Carell começou a sua carreira — mais tarde fazendo parte da aclamada companhia The Second City, sediada em Chicago, por onde também passaram nomes como Stephen Colbert, Jon Favreau, Tina Fey e Amy Poehler. Acabaria por conseguir o primeiro papel no cinema no filme “A Pequena Endiabrada” (1991) — e só regressaria aos ecrãs cinco anos depois, no “The Dana Carvey Show”. A partir daí foi fazendo mais papéis.

Entre 1999 e 2005, tornou-se um rosto conhecido para os espectadores do “The Daily Show”. Carell era um dos repórteres do famoso programa cómico, além de protagonizar alguns segmentos específicos. Saiu para entrar em “The Office”, a adaptação americana da sitcom de Ricky Gervais, que foi um tremendo êxito — foi com esse projeto que Steve Carell se apresentou realmente ao mundo. O ator foi um dos protagonistas da série até 2011.

Ao mesmo tempo, estava a construir uma carreira de sucesso nas comédias de cinema. O seu primeiro grande papel foi do meteorologista Brick Tamland em “O Repórter: A Lenda de Ron Burgundy” (2004). Foi aí que conheceu o produtor Judd Apatow, que o convidaria para pensarem num filme para fazerem juntos. O resultado foi “Virgem aos 40 Anos” (2005), uma ideia original de Carell, que foi um enorme sucesso.

Com os seus timings de comédia, os seus enormes (e expressivos) olhos e uma voz que podia ir rapidamente da histeria aos graves, tornou-se um ícone cómico junto do público. Seguiram-se papéis em filmes como “Casei com uma Feiticeira” e “Evan, o Todo-Poderoso”. Ficou conhecido como sendo parte da geração “frat pack” — ao lado de nomes como Ben Stiller, Owen Wilson, Will Ferrell, Seth Rogen, Paul Rudd ou Vince Vaughn.

Só que, aparentemente, Steve Carell não se contentava em ser apenas reputado no mundo da comédia. Queria explorar outro lado seu. Provavelmente não desejava ficar limitado. E essa trajetória começou também nestes anos, quando fez uma personagem no aclamado “Little Miss Sunshine” (2006). Interpretava um estudioso de Proust, com tendências suicidas, num filme trágico-cómico — um papel escrito a pensar em Bill Murray e que esteve perto de ir para Robin Williams.

“Adorei esse guião. Estava super entusiasmado em conseguir o papel — tinha muita esperança sobre o que esse filme poderia ser”, contou o ator à “Little White Lies” em 2019. Essa tendência de procurar papéis dramáticos acentuou-se mais na década seguinte.

Em “O Verão da Minha Vida” (2013), interpretou uma figura de padrasto irresponsável que não era um bom namorado para a sua companheira. No ano seguinte, interpretou o assassino John du Pont em “Foxcatcher”, recorrendo a próteses faciais — papel que o levou a ser nomeado a um Óscar e a um Globo de Ouro de Melhor Ator. 

Já em “A Queda de Wall Street” (2015) explorou a raiva e as angústias ao interpretar o líder de uma firma. Em “Beautiful Boy” (2018) interpretou um pai jornalista a lidar com a toxicodependência do filho. E fez outras performances mais dramáticas do que o habitual, em filmes como “Battle of the Sexes” (2017), “Derradeira Viagem” (2017) ou “Vice” (2018). Nos últimos anos, regressou à televisão — tanto fez a comédia “Space Force” (o ator nunca deixou de fazer papéis cómicos de forma esporádica) como a mais dramática “The Morning Show”. E agora, lá está, podemos encontrá-lo em “O Paciente Instável”.

Seja como for, o ator deixa bem claro que não separa as duas coisas. “Não penso na comédia e no drama como géneros separados. Em última análise, preparo-me para eles da mesma forma — é tudo sobre tentar ser o mais verdadeiro possível. Uma personagem numa comédia não sabe que está numa comédia, e o mesmo acontece no drama. É apenas a vida, o que está a acontecer”, explicou.

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