Cinema

Crítica: “Aquaman” não chega para encher um copo com água

Aquaman prometia aquecer a corrida entre a Marvel e a Warner/DC Comics. Infelizmente, o resultado ficou aquém do esperado.
"Aquaman" estreou esta quinta-feira, 13 de dezembro.

A Warner/DC Comics não se poupou com “Aquaman”. Depois de um processo de pré-produção que teve origem em 2014, o estúdio acertou o passo ao recrutar um dos realizadores mais bem sucedidos dos últimos anos, o muito competente James Wan (“Conjuring”, “Saw”, “Insidious”), para dirigir o projeto. Como intérprete principal, o enorme (de muito grande) Jason Momoa garante star power e o restante elenco está pejado de nomes respeitáveis como Willem Defoe, Patrick Wilson, Nicole Kidman e o retornado Dolph Lundgren. O momento de lançamento também é propício, se tivermos em conta que “Mulher-Maravilha” foi um sucesso junto do público e crítica em 2017, e de que não há concorrência direta de filmes da Marvel Studios nem Star Wars neste final de ano. Infelizmente, “Aquaman” ainda carrega alguns problemas da estrutura DC Comics e a grande máquina continua por afinar.

A história começa com o amor impossível entre a princesa Atlanna (Nicole Kidman) e um guarda de farol (Temuera Morrison). Dessa união improvável nasce Arthur/Aquaman (Jason Momoa), que herda as habilidades sobre-humanas da mãe, que veio do reino submarino da Atlântida, e o gosto do pai por cerveja. Atlanna é obrigada a abandonar a família e a regressar aos mares, e Arthur cresce então sob a tutela de Nuidis Vulko (Willem Defoe), que o ensina a controlar os seus poderes. Anos mais tarde, Orm (Patrick Wilson), o meio-irmão de Arthur e Loki de marca branca revolta-se com a poluição humana nos oceanos e decide usar o seu poder como regente da Atlântida para encetar uma guerra com o mundo da superfície. Para evitar isso, Aquaman tem que encontrar um tridente mágico, com a ajuda da futura-namorada Mera (Amber Heard), e assumir o seu papel como rei.

“Aquaman” é como um carro a caminho de férias no Algarve em 1995: não cabe nem mais uma ideia lá dentro. Há várias sequências de luta, dentro e fora de água, uma cidade submarina saída de “Blade Runner – Perigo Iminente” (com direito a sintetizadores na banda sonora), um romance impossível, um romance previsível, uma vingança enfadonha de um vilão secundário, uma piada já batida de seis em seis minutos e todo um segmento inspirado nos monstros do escritor H.P. Lovecraft, onde se distingue melhor o toque de James Wan.

As personagens são unidimensionais e os diálogos, infantis e melodramáticos, são do pior que se viu este ano. O maior problema é que o guião é uma criatura de Frankenstein, uma colagem de muitas versões e revisões feitas ao longo dos anos de pré-produção. E isso reflete-se no resultado final: o filme é uma confusão que pode testar a paciência do espectador a cada troca de cenário. Mas uma confusão relativamente divertida, há que dizer.

Para mal dos seus pecados, “Aquaman” continua a linha visual escura de Zack Snyder, apesar de se notar vontade de fazer mais com os cenários submarinos. Os efeitos especiais tem bons momentos, como o final épico, mas todo o filme é tão artificial que parece criado em viveiro. O melhor de “Aquaman” acaba por ser o próprio Jason Momoa, que tenta carregar as duas horas e vinte minutos às costas, e o realizador James Wan, que deu o seu melhor para montar um puzzle com peças a mais e acabou por fazer um filme de 160 milhões de dólares que se deixa ver. Podia ter sido muito pior, embora a comparação positiva com os maus exemplos não faça de “Aquaman” um bom filme.

nota NiT: 58%

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