Cinema

As críticas, os escândalos e onde pode ver o novo filme do “Borat”

Sacha Baron Cohen está de volta para nos dar gargalhadas — e um arrepio na espinha.
Borat tem uma prenda para a América.

O ano de 2006 foi há tanto tempo que parece ter sido noutra vida. Foi num tempo sem coronavírus e com uns EUA que não estavam divididos ao meio que Sacha Baron Cohen se aventurou numa road trip pela América profunda. Na bagagem, levava aquela que viria a tornar-se a sua mais carismática personagem, Borat. É ela que está por estes dias a marcar a atualidade, com o lançamento de “Borat Subsequent Moviefilm”.

O jornalista antissemita e machista do Cazaquistão apanhou tudo e todos desprevenidos há 14 anos, com “Borat: Aprender Cultura da América para Fazer Benefício Glorioso à Nação do Cazaquistão”. Com um humor ácido, por vezes grotesco, conseguia destapar alguns dos preconceitos mais ferozes de uma certa América. Agora, Borat tem o mesmo fato cinzento, o mesmo bigode farfalhudo e o mesmo cabelo despenteado. Ele não mudou muito neste tempo, o mundo sim.

Estamos em 2020 e, entre redes sociais e escândalos da Casa Branca, há filtros que parecem ter desaparecido entretanto. Os tais preconceitos por vezes são ditos à boca cheia, em horário nobre, na televisão, ou por todo o lado online. Borat é agora uma figura facilmente reconhecida, razão pela qual o comediante britânico foi obrigado a inovar e a encontrar uma série de outros disfarces. Pela reação da crítica, a coisa resultou. Mas já lá vamos. Antes de mais, convém adiantar a premissa (e sim, parecendo que não, existe uma).

14 anos depois do seu, chamemos-lhe, documentário, Borat está num gulag no seu Cazaquistão natal com oportunidade de se redimir. Parte para a América com um presente — que acabará por ser a sua filha, Tutar, de 15 anos, já quase “velha para casar”, interpretada pela atriz búlgara Maria Bakalova.

Bakalova tem sido elogiada como uma das grandes revelações do filme e são dela boa parte das surpresas do novo “Borat”. Foi ela que entrou no quarto de hotel com Rudolph Giuliani, o antigo mayor nova-iorquino e advogado de Trump, apanhado com a mão nas calças antes de ser interrompido por Borat. A cena já está a correr o mundo e esta sexta-feira, 23 de outubro, dia de estreia, mereceu até uma hilariante defesa em vídeo do próprio Borat. Uma daquelas que Giuliani não vai agradecer.

Obrigado a inovar para surpreender incautos, Sacha Baron Cohen consegue ter uma série de figuras a não questionarem as coisas mais chocantes. É aqui que Borat cedo se destacou e em que o lado aparentemente ingénuo das suas personagens abre caminho a situações absurdas.

Uma instagrammer, Macey Chanel, dá conselhos sobre como ser uma sugar baby — o tipo de pessoa cujas relações românticas são só para fazer dinheiro. O ator pede que escrevam num bolo “Jews Will Not Replace Us”, cântico racista contra os judeus. Há até um pastor numa clínica anti-aborto que, perante a insinuação de que a filha de Borat está grávida do próprio pai, só lhe ocorre dizer que “Deus não se engana”.

A revista “Rolling Stone” fala de Cohen como “um mestre, um verdadeiro génio, de ironia” pela forma como consegue deixar que algumas pessoas exponham o pior dos seus pensamentos. A agência Associated Press alerta que o filme “vai tanto fazer rir como dar arrepios na espinha”.

A “BBC”, por seu lado, salienta que a sequela não tem o fator surpresa do primeiro filme. Ainda assim, “não há muitos filmes tão urgentemente satíricos quanto este. Poderá não o querer rever daqui a uns anos, mas definitivamente deve vê-lo agora”.

De volta para fazer estragos.

Além da cena de hotel com Giuliani e da invasão a um comício de Mike Pence, onde surge disfarçado de Trump a tentar oferecer uma mulher ao vice-presidente dos EUA, Cohen fez um filme que é a todos os níveis produto deste tempo.

Feito à pressa, em secretismo, e com a urgência de ser lançado antes das eleições presidenciais americanas do próximo 3 de novembro, é provável que não tenha particular impacto na hora de votar, como nota o “The Guardian”. Mas estão lá boa parte dos temas que têm marcado estes tempos: o coronavírus, as fake news, o assédio sexual, as teorias de conspiração mais bizarras. Mais uma vez, Borat não hesita. O que quer dizer que Cohen se pode preparar para mais uns processos em tribunal (algo que não é novo na sua carreira e que na verdade não é coisa que o tenha abrandado).

Onde posso ver?

Se o primeiro filme tinha ficado a cargo de Larry Charles, desta vez é Jason Woliner o realizador — ele que já tem bastante experiência em televisão e costuma colaborar com o comediante Aziz Ansari.

O filme que estreia esta sexta-feira na Amazon Prime tem um título que é todo um parágrafo: “Borat Subsequent Moviefilm: Delivery of Prodigious Bribe to American Regime for Make Benefit Once Glorious Nation of Kazakhstan”.

O serviço de streaming Amazon Prime está disponível em Portugal e custa 5,99€ por mês. Se ainda não é assinante mas está curioso, esta é uma boa oportunidade. A Amazon Prime permite um teste grátis e se subscrever é sem compromisso, pode cancelar quando quiser.

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