Cinema

Das piadas às atuações: aqui estão os melhores momentos dos Óscares

"Parasitas" foi o grande vencedor da noite, com os prémios de Melhor Filme, Melhor Realização e Melhor Argumento Original.
"Parasitas" triunfou em Hollywood.

Numa cerimónia bastante tranquila e previsível, foi preciso esperar pelo fim para ter uma grande surpresa na noite dos Óscares. O filme sul-coreano “Parasitas” levou para casa a estatueta dourada de Melhor Filme, depois de Bong Joon Ho já ter vencido os prémios de Melhor Realização, Melhor Argumento Original e Melhor Filme Internacional.

A cerimónia decorreu, como é habitual, no Teatro Dolby, em Los Angeles, nos EUA. Teve uma audiência de cerca de 27 milhões de espectadores em todo o mundo. Conheça a lista completa de vencedores.

Apesar de não ter sido a gala mais entusiasmante de sempre (sobretudo tendo em conta o longo historial dos Óscares, que já vão na sua 92.ª edição), foram vários os momentos da noite que se destacaram.

O arranque animado da cerimónia

Os Óscares arrancaram com um espetáculo de Janelle Monáe seguido de uma introdução feita a meias por Chris Rock e Steve Martin, dois ex-apresentadores da cerimónia, que fizeram uma espécie de mini monólogo cómico de abertura (na ausência de apresentador oficial), com várias piadas alusivas a algumas estrelas de Hollywood e a apontar também o dedo à falta de diversidade racial e de mulheres realizadoras nomeadas.

Brad Pitt deu força à categoria dos duplos

Brad Pitt venceu o primeiro prémio da noite ao receber a estatueta dourada de Melhor Ator Secundário pelo papel que fez em “Era Uma Vez… Em Hollywood” (a primeira do seu currículo enquanto intérprete). No filme de Quentin Tarantino, Brad Pitt interpreta Cliff Booth, um duplo de Hollywood nos anos 70, e por isso apelou a que a classe dos duplos fosse mais valorizada dentro da indústria. Há vários anos que se debate a possibilidade de se acrescentar uma categoria aos Óscares dedicada aos duplos. Pitt agradeceu ainda a Tarantino, classificando-o de “original” e “único”. “A indústria do cinema seria muito mais pobre sem ele.”

O anúncio do museu de Hollywood

Tom Hanks subiu ao palco do Teatro Dolby para anunciar que o Museu da Academia  dedicado aos filmes e à indústria de Hollywood  vai ser inaugurado em Los Angeles a 14 de dezembro. O espaço está a ser construído e vai ter cinco pisos. O próprio Tom Hanks faz parte da administração.

A piada com “Cats”

A adaptação cinematográfica do musical “Cats” foi um dos filmes mais arrasados do ano  e a produção esteve em destaque nos Razzies, que distinguem anualmente os piores projetos do ano no mundo do cinema. O apresentador James Corden e a atriz Rebel Wilson, que participaram no filme, apresentaram os nomeados da categoria de Melhores Efeitos Visuais (que foi vencida por “1917”) e apareceram vestidos como gatos. “Ninguém melhor do que nós conhece a importância de bons efeitos especiais”, brincaram os dois, o que originou várias gargalhadas entre o público.

As apresentações mais divertidas da noite

As intervenções mais engraçadas e divertidas da cerimónia acabaram por ser de Maya Rudolph e Kristen Wiig, que mostraram as suas qualidades de representação (e a cantar) perante uma plateia de realizadores que talvez as quisesse contratar, e de Will Ferrell e Julia Louis-Dreyfus, que satirizaram as categorias de Melhor Fotografia e Melhor Edição de Vídeo.

A aparição surpresa de Eminem

17 anos depois de ganhar um Óscar (e de ter faltado à cerimónia), Eminem apareceu para fazer a grande atuação surpresa da gala. O rapper americano interpretou “Lose Yourself” e originou algumas das melhores reações da noite, levantando o Teatro Dolby para uma salva de palmas.

A atuação emotiva de Billie Eilish

Pouco se sabia da atuação que Billie Eilish (a nova grande estrela da música pop global) tinha preparada para os Óscares. Houve quem suspeitasse que a cantora fosse apresentar o tema que compôs para o próximo filme da saga de “007”, mas na verdade interpretou uma balada solene (uma cover de “Yesterday” dos Beatles) para o momento In Memoriam em que foram recordadas as figuras da indústria que morreram nos últimos 12 meses, entre as quais Kirk Douglas e Kobe Bryant.

O discurso politizado de Joaquin Phoenix

Era expectável que Joaquin Phoenix vencesse o prémio de Melhor Ator pelo papel que fez em “Joker”. O ator já tinha vencido na mesma categoria nos Globos de Ouro e nos BAFTA, entre outros prémios, e têm sido vários os temas para que tem chamado à atenção, desde os problemas ambientais aos direitos dos animais, passando pela falta de diversidade racial nos BAFTA. Desta vez, apelou à luta contra a injustiça no geral, defendeu a importância do amor e da compaixão, “o melhor da humanidade”, e lembrou o seu irmão falecido, num discurso que terminou com um tom mais positivo. Foi das poucas intervenções de vencedores da noite em que não houve qualquer tipo de agradecimento ou menção ao filme em questão.

A força das mulheres

Talvez pela falta de representatividade feminina na categoria de Melhor Realização, foram vários os discursos e intervenções da cerimónia que quiseram destacar a força e importância das mulheres em Hollywood e na sociedade em geral. Quando recebeu o Óscar de Melhor Argumento Adaptado por “Jojo Rabbit”, o realizador e ator Taika Waititi agradeceu imenso à mãe, a pessoa que lhe ofereceu o livro que mais tarde ele adaptaria.

Hildur Guðnadóttir, a compositora que deu a “Joker” a estatueta de Melhor Banda Sonora Original, destacou a importância das mulheres e das mães, num apelo geral às vozes femininas. Também o trio de Brie Larson, Gal Gadot e Sigourney Weaver fez questão de frisar que todas as mulheres são heroínas secretas, além de criticarem a falta de representatividade nos Óscares.

Esta foi também a primeira cerimónia na história dos mais importantes prémios de cinema do mundo em que uma maestrina dirigiu uma orquestra para tocar temas de várias bandas sonoras dos filmes nomeados. Começou com “Mulherzinhas”.

O triunfo de “Parasitas”  e o desejo de Bong Joon Ho de celebrar

“Parasitas” foi definitivamente o grande vencedor da noite, com os Óscares de Melhor Filme, Melhor Realização, Melhor Argumento Original e Melhor Filme Internacional. Por isso mesmo, Bong Joon Ho foi várias vezes chamado ao palco, acompanhado pela sua tradutora, mesmo que fosse óbvio que cada vez mais não tinha quaisquer expetativas de ali voltar naquela noite.

“Escrever um guião é algo tão solitário, nunca pensas que estás a representar o teu país, mas a Coreia do Sul acabou de ganhar o seu primeiro Óscar”, disse quando venceu a sua primeira estatueta dourada da cerimónia.

Mais tarde, ao vencer o prestigiado prémio de Melhor Realização, admitiu naquela altura já estar “preparado para relaxar”. Citou uma frase de Martin Scorsese, cineasta que estudou na escola de cinema e com quem estava a competir (o que originou uma ovação em pé para o realizador americano) e ainda agradeceu a Quentin Tarantino por o incluir sempre nas suas listas de favoritos, mesmo “quando ninguém nos EUA via” os seus filmes.

Bong Joon Ho chegou mesmo a sugerir pegar numa motosserra do Texas para cortar em cinco pedaços a estatueta dourada e distribui-la pelos colegas que estavam a competir consigo pelo prémio. “Vou beber até de manhã, obrigado.”

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

NiTfm

AGENDA NiT