Cinema

Depois do incrível “O Pai”, chega agora aos cinemas “O Filho”

É uma espécie de prequela com Hugh Jackman no papel principal. Só que o novo filme não está a ser bem recebido pela crítica.
"O Filho" estreia agora nos cinemas.

Em 2021, “O Pai” foi aclamado como um dos filmes do ano. Adaptado por Florian Zeller e Christopher Hampton a partir de uma peça do próprio Zeller, focava-se num relato na primeira pessoa de um homem idoso com demência, com dificuldade em manter uma linha temporal coerente, em aperceber-se exatamente de onde está. 

Trata-se de um filme duro, mas profundamente humano, que garantiu o Óscar de Melhor Ator a Anthony Hopkins — além de ter conquistado a estatueta dourada de Melhor Argumento Adaptado. Esta quinta-feira, 26 de janeiro, estreia nos cinemas “O Filho”.

Florian Zeller e Christopher Hampton procuraram seguir a mesma fórmula. “O Filho” é outra das peças de uma trilogia familiar que o dramaturgo e encenador francês criou para os palcos — a terceira história, que ainda não foi adaptada, é “A Mãe”.

Presume-se que tudo se passa no mesmo universo narrativo e que “O Filho” funciona como uma espécie de prequela para “O Pai”. Anthony Hopkins aparece no filme como Anthony — o nome da sua personagem em “O Pai” — sem estar demente. Mas as ligações no enredo ficam-se por aí. É mais uma sugestão ou alusão do que uma história sólida que liga os filmes.

O enredo centra-se, na verdade, em Peter (Hugh Jackman), o filho da personagem de Anthony Hopkins. Casou-se recentemente com a segunda mulher, Beth (Vanessa Kirby), com quem tem um bebé recém-nascido. Além desta nova vida familiar, Peter está muito focado na sua exigente carreira profissional. É um advogado com ambições políticas.

As coisas mudam quando a ex-mulher de Peter, Kate (Laura Dern), o contacta porque está preocupada com o filho adolescente de ambos, Nicholas (Zen McGrath). Parece deprimido, deixou de ir à escola e não apresenta grandes justificações para o que está a acontecer. Diz que passa o tempo das aulas a dar caminhadas pela cidade de Nova Iorque. Claramente não lidou bem com o divórcio dos pais e ressente a ausência de Peter.

Nicholas procura uma mudança de vida, para tentar dar uma volta ao seu estado de espírito, e acaba por propor ao pai mudar-se para casa dele. Embora Peter não tenha uma grande relação com Nicholas, aceita. Afinal, Peter tem uma péssima relação com o seu pai, Anthony, que também esteve ausente durante grande parte da sua vida — e, quando estava, era agressivo. Peter não quer ser um pai idêntico para Nicholas e por isso tenta ajudá-lo.

A narrativa acompanha o processo entre pai e filho. Peter não entende propriamente porque Nicholas está assim e, a certo ponto, as coisas pioram e o filho chega a pôr em risco a sua vida. Para este filme, Florian Zeller replica o modelo de “O Pai”, no sentido em que conjuga a estética do filme com a própria narrativa.

A temática das vidas duplas, da negação, das memórias difusas, tudo isso se sente no estilo visual do filme, aponta a crítica internacional. Tal como n’”O Pai”, os interiores do filme são notoriamente gravados em estúdio — um artifício que evoca o teatro mas também alude às falsidades, às fantasias e ao dualismo psicológico que caracterizam algumas das linhas narrativas.

Porém, em geral, a imprensa especializada não está a elogiar “O Filho”. As prestações dos atores estão a ser aclamadas, mas a grande maioria dos especialistas aponta que o guião é frágil e não consegue ter a dimensão certa para explorar da melhor forma a história de Nicholas, servindo sempre como um apêndice em relação à figura do pai. Daí que “O Filho” esteja particularmente ausente desta época de prémios — só Hugh Jackman recebeu uma nomeação para um Globo de Ouro, na categoria de Melhor Ator de Drama.

O elenco inclui ainda nomes como Hugh Quarshie, William Hope, Gretchen Egolf, Akie Kotabe, Joseph Mydell, Isaura Barbé-Brown ou Erick Hayden, entre outros.

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