Cinema

“Dois Perfeitos Estranhos”: a curta-metragem da Netflix que ganhou o Óscar

O rapper Joey Bada$$ é um dos protagonistas desta história que aborda a violência policial e o racismo nos EUA.
O filme tem 32 minutos de duração.

A Netflix já tinha batido o recorde de plataforma de streaming com mais nomeações de sempre nos Óscares — com 35 nomeações —, mas decidiu subir o número para 36 quando, no final de março, adquiriu os direitos para distribuir mundialmente a curta-metragem “Dois Perfeitos Estranhos”.

Chegou à plataforma a 9 de abril e rapidamente se tornou numa das produções mais vistas (em Portugal inclusive). O filme dirigido por Travon Free e Martin Desmond Roe venceu o Óscar de Melhor Curta-Metragem — ao todo, soma 32 minutos.

“Quando nos desafiámos a criar esta curta no meio de uma pandemia e de uma crise de justiça social, não sabíamos o que esperar”, dizem os realizadores, citados pela revista “Variety”. “Mas em apenas cinco dias conseguimos aquilo que era quase impossível para fazer este filme incrível.”

Esta é uma história de repetição de tempo, tal como a do já clássico “O Feitiço do Tempo”, o mais recente “O Código Base” ou a série “Boneca Russa”, também da Netflix, entre outras narrativas do género. Só que aqui o objetivo não é que o protagonista envolvido neste dilema temporal consiga aprender algo consigo mesmo ou com as pessoas com que lida todos os dias para mudar para melhor ou mesmo para conseguir ultrapassar o loop.

“Dois Perfeitos Estranhos” usa este mecanismo narrativo para abordar algo mais importante, real e urgente: o racismo nos EUA e a violência policial. Acaba por demonstrar que, independentemente do que um afro-americano faça — das várias formas que possa alterar o seu comportamento — não consegue evitar que a polícia se torne um perigo letal.

A curta-metragem acompanha Carter James, um cartoonista interpretado pelo rapper Joey Bada$$, que é o homem afro-americano aprisionado no tempo. Ele está a tentar ir para casa para ir passear o cão, após ter passado uma noite com um encontro fugaz.

Mas assim que Carter sai do apartamento da rapariga com quem esteve, depara-se com um polícia branco agressivo (Andrew Howard) que o assassina, após o acusar de vender drogas e tentar fazer uma busca pelos seus pertences. Da primeira vez, Carter resiste, e a situação escala rapidamente. “Não consigo respirar”, diz Carter, enquanto o polícia lhe aperta o pescoço.

São exatamente as mesmas palavras que George Floyd disse no ano passado quando foi assassinado pela polícia — e a mesma frase que Eric Garner tinha dito em 2014, quando também foi morto pelas autoridades americanas.

Quando Carter decide não sair do apartamento, a polícia faz uma rusga à casa, alvejando mortalmente o protagonista por este alegadamente ter uma faca na mão (quando na verdade era apenas um utensílio de cozinha nada afiado).

Depois, percebemos que a polícia tinha entrado no apartamento errado, que foi mais ou menos o que aconteceu a Breonna Taylor, outra afro-americana assassinada em 2020 numa rusga policial na sua casa. E há outros casos reais que inspiram outras formas que Carter usa para tentar sair daquela situação de terror — que pretende retratar a experiência afro-americana em relação às autoridades policiais.

Carregue na galeria se quiser conhecer quais são as principais novidades da televisão (e das plataformas de streaming) para este mês de abril.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT